segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Descent : Lendas da Escuridão


Descent : Lendas da Escuridão é a terceira "encarnação" de um dos grandes sucessos da Fantasy Flight lá em 2005 e que foi o precursor de praticamente todos os jogos de dungeon crawler da editora (e da concorrência também).

Nele os jogadores são aventureiros que precisam salvar Terrinoth dos perigos que espreitam florestas e masmorras e quem sabe assim trazer paz para o reino.

Causando impacto visual desde sua primeira edição (uma das primeiras da série "coffin box" da editora) essa nova edição também já traz um apelo visual gigantesco desde sua caixa com dois compartimentos (e que mais parece um cubo) e seus componentes lindos que chamam atenção desde as miniaturas até as peças em 3D e seus mapas em vários níveis.

 O aplicativo vai te guiar durante a partida.

Quanto ao jogo pouco mudou em relação as duas versões anteriores, basicamente o que tivemos aqui foi a adição do aplicativo que guia a partida narrando a história e criando os mapas enquanto o cenário se desenvolve.

O que difere esse aplicativo para o os demais (como o Jornadas na Terra Média e o Mansions of Madness) é a parte da narrativa, no Descent eles deram uma caprichada tanto na história quanto nas animações das "cut scenes", além de uma dublagem muito boa na versão nacional.

Sobre o jogo, para quem não conhece nada dos dungeon crawlers da Fantasy Flight, aqui nós temos um jogo cooperativo onde os jogadores escolherão seus personagens que tem habilidades e começam com equipamentos diferentes e que juntos formam um interessante time para enfrentar os perigos de Terrinoth.

Conforme você interage com o cenário, coisas (e inimigos) vão aparecendo.

Durante a partida vamos interagir com pontos de pesquisa e com os objetos de cena para ganharmos itens para nossa jornada e claro teremos as lutas contra criaturas que vão aumentando seu poder de batalha conforme o cenário vai avançando até chegarmos ao chefão final.

As resoluções de testes e combates são feitas através de dados customizados e marcadores de condições e fadiga que ajudam ou atrapalham os jogadores durante a partida.

Uma vez que o cenário é terminado temos que escolher nossos próximos passos no aplicativo para que na próxima partida uma nova aventura se inicie.

Os mapas em vários níveis, as peças 3D e as lindas miniaturas são o grande diferencial.

Descent : Lendas da Escuridão é acima de tudo um jogo delicioso para quem já foi fã de RPG e hoje não tem mais tempo de jogar campanhas, pois apesar de o jogo ser uma campanha de vários cenários, ele funciona bem com partida "one shot" que se resolvem de uma vez.

Essa fórmula da Fantasy Flight de "aplicativo + jogo de descobertas" não poderia ter dado mais certo com tantos frutos excelentes e agora depois de ter jogado todos os já lançados pela editora (Mansions of Madness, Imperial Assault e Jornadas na Terra Média) só fico triste de não grana para poder colecioná-los, pois cada um com seu tema e seu charme fazem deles jogos incríveis.

As animações e narrações do aplicativo também são destaque do jogo.
 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Voyages

 
 
Em Voyages os jogadores são navegadores correndo atrás de fama e para consegui-la precisam desbravar ilhas, fazer comércio e até enfrentar bestas temíveis.

O jogo usa uma folha impressa com o mapa e três dados, a rodada consiste em rolar os três dados e aí os jogadores vão decidir o que fazer com eles.

Você rola três dados que definem pra onde você vai e qual tarefa fazer.

Dois desses dados obrigatoriamente serão usados para definir a direção e a quantidade de casas que o navio irá se mover, o terceiro dado é utilizado na área de tarefas que ao serem completas te darão coisas legais e até mesmo uma das estrelas que são perseguidas pelos jogadores.

No mapa temos também áreas com ações que você pode realizar ao terminar o seu movimento em cima de determinados ícones, você pode conseguir mais marinheiros (que são usados para ajudar nos valores dos dados e na luta contra inimigos), pegar cargas para vender nas colônias, visitar ilhas ou enfrentar o temível.

Quanto mais longe você conseguir explorar, mais coisas boas você vai conseguir ir coletando para a pontuação final, mas você precisa ficar ligado pois assim que o primeiro jogador conseguir a sua terceira estrela uma última rodada é jogada e os pontos são contados para definir o vencedor.

As tarefas vão te dando coisas bacanas, até uma das estrelas.

O jogo saiu via financiamento coletivo e conseguiu mais de 52k Libras e com isso saiu com dois mapas além do mapa básico e nesses novos mapas temos novos desafios como recifes de corais que atrapalham a navegação no Marauder's Reef e várias criaturas lendárias no Cold Dark Depths.

Voyages é o primeiro jogo da Postmark Games, uma nova editora que vai apostar nos jogos print and play vindos de campanhas pela Kickstarter para as mesas do mundo afora, e se olharmos o sucesso dessa primeira empreitada acho que teremos uma editora bem sólida em pouco tempo.

Na versão solo, você tem 16 rodadas para conseguir 3 estrelas... É tenso!
 
 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

7 Wonders : Arquitetos


Terceiro jogo base da franquia 7 Wonders, essa versão do jogo segue a mesma linha dos jogos anteriores onde os jogadores compram cartas para realizarem suas ações, mas aqui temos como objetivo a construção das maravilhas e algumas diferenças de regras que tornam o Arquitetos único.

A caixa do jogo já traz o setup praticamente arrumadinho para os jogadores, são 7 caixinhas com as partes das maravilhas além de um deck para cada caixinha, ainda temos uma oitava caixinha com um deck comum aos jogadores e outros marcadores.

Cada jogador escolhe (ou sorteia) então umas das caixinhas e coloca as 5 partes da sua maravilha viradas para o lado em construção à sua frente e entre o deck dessa caixinha é colocado entre você e o jogador a sua esquerda com a face virada para cima.

Essa versão vem com o setup simplificado para o jogo. Foto BGG.

No meio da mesa colocamos o deck comum aos jogadores com a face virada para baixo, os marcadores de conflito, as fichas de progresso e o gato que é um marcador que vai ficar rodando entre os jogadores durante a partida.

Começamos então a partida e o jogador na sua vez escolhe se compra uma carta de um dos decks da esquerda ou da direita (com a face para cima) ou do deck central (virado para baixo) e coloca a carta à sua frente.

Em Arquitetos temos os mesmos 5 tipos de cartas que já estamos acostumados : as cartas cinza de recursos, as cartas amarelas de moeda, as azuis de pontos de vitória, as verdes de progresso e as vermelhas que são as militares.

Você vai comprando cartas para conseguir montar sua maravilha. Foto BGG.

Mas aqui elas funcionam de forma diferente, os recursos serão realmente gastos, cada fase da maravilha vai pedir uma quantidade de recursos iguais ou diferentes e quando você atinge a quantidade solicitada gasta aquelas cartas e vira uma das partes da maravilha para o lado construído.

As cartas azuis além dos pontos dão direito ao gato, que é usado para olhar a carta do topo do deck fechado, as cartas verdes também são usadas para comprar fichas de progresso e são gastas da mesma forma que as de recurso.

As cartas vermelhas além dos escudos também tem desenhadas trombetas, que vão virando as fichas de paz para o lado do conflito, quando todas as fichas estiverem mostrando o lado de conflito os escudos são comparados com os vizinhos e que ganha as batalhas leva fichas de ponto, cartas que tem o símbolo de trombeta são gastas também.

Os conflitos são resolvidos quando todas as fichas viram trombetas. Foto BGG.

Como disse lá em cima, o Arquitetos não tem passagem das Eras, o jogo termina assim que o primeiro jogador termina a sua maravilha, então contam-se os pontos e quem tiver o maior somatório é o vencedor.

Eu achei o 7 Wonders : Arquitetos muito gostoso de jogar, ele tem a praticidade do setup mas com muita gente tende a ser o mais demorado dos três, ele também é mais tranquilo de ensinar do que o classicão e como os outros dois tem espaço para expansões, como fã da franquia é bem provável que ele venha para a coleção. 

Produção muito caprichada que os fãs da franquia vão gostar com certeza. Foto BGG.
 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Série Pocket Detective


Chega ao Brasil pela Meeple BR a série Pocket Detective traz casos policiais que precisam ser resolvidos através de pistas que aparecem nas cartas e você precisará de tempo e muita observação para conseguir resolver.

O jogo segue aquela fórmula de abrir o deck e ir lendo carta à carta sem misturar e tomando cuidado para não ver nada que estrague a brincadeira durante a partida, então você vai montando o setup conforme solicitado e começa a investigação.

Aqui no Pocket Detective as coisas são suas ações podem resultar em ganhos de tempo e tensão, então é legal que você tenha por perto um bloquinho para ir anotando (mesmo que depois você possa conferir pelas cartas).

Você vai preparando tudo, conforme o jogo vai te indicando.

Em algumas situações você só vai poder conferir determinadas pistas com um número de tempo determinado e em outras situações se você esperar um pouquinho pode conseguir chegar a conclusões sem ganhar tensão no processo.

Você vai coletando pistas, chegando a outras cartas até que ache que tem informações suficientes para tentar resolver o caso, então é enviado até o escritório do promotor onde vai dar a sua versão, caso ela faça sentido você prossegue para a pontuação mas pode ser que você esteja ainda longe de resolver então vai receber uns pontos de tensão e voltar às pistas. 

As cartas vão te dar o passo-à-passo da investigação.

O jogo é totalmente focado na troca de observações então recomendo que seja jogado com mais gente, na partida solo achei que me fugiram algumas coisas enquanto jogando com minha esposa ela ficou mais ligada e tivemos um desempenho melhor.

No final você vai receber uma pontuação e subtrair aos pontos de tempo e tensão que recebeu e baseado no resultado final terá a sua avaliação dizendo se você pode realmente ser um bom detetive ou se o seu negócio mesmo é ficar sinalizando o tráfego.

Pocket Detective segue bem a linha de jogos como o Elementar e o Undo mas achei que dos três ele é o mais "cabeçudo", as conclusões não são simples e a história acaba sendo mais elaborada então se você quer realmente um joguinho de detetive de carregar no bolso e que te deixa com a cabeça quente essa série é a mais indicada.


Quando for ao promotor, tenha certeza que ter um bom caso em mãos.
 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Village Green


Em Village Green os jogadores serão jardineiros competindo pelo vilarejo mais bonito em relação aos critérios que eles mesmo vão escolhendo, aquele que conseguir arrumar seu jardim de forma mais harmônica será o vencedor.

O jogo utiliza dois decks de cartas onde um onde teremos os prêmios e outro composto pelas cartas de jardim, os jogadores recebem inicialmente uma carta de Vilarejo e três cartas de prêmio que vão compor a primeira linha da matriz de 4x4 dos jogadores, além de três cartas de jardim que formam a sua mão.

Na sua vez de jogar o jogador escolhe entre duas ações possíveis, comprar uma carta do deck de jardim e jogar uma carta na sua matriz ou comprar uma carta de prêmio e jogar na sua matriz.

Você vai até os decks para comprar cartas de prêmio e jardim.

O lance da matriz é o seguinte, a primeira linha e a primeira coluna são formadas por cartas de prêmio, os outros 9 espaços são destinados para as cartas de jardim.

As cartas de jardim tem algumas informações que vão ser importantes para a pontuação, mas o mais bacana é a que para colocar uma carta no seu jardim você precisa respeitar alguns critérios de colocação, que dizem respeito a cor e ao tipo de flor mostrados na carta.

Nas primeiras rodadas é até tranquilo colocá-las, mas conforme a quantidade de espaços vai diminuindo vai ficando cada vez mais difícil ter a carta certinha para a colocar.

Você vai criando seu jardim e vendo as pontuações possíveis.

Já as cartas de prêmio vão te dar uma guiada na melhor forma de pontuar cada linha e coluna, mas ao contrário do jardim, aqui você pode colocar as cartas em cima de outras caso deseje, isso acaba sendo interessante caso seu jogo não tenha se desenvolvido da forma que você estava desejando.

O jogo termina quando um dos dois decks acaba ou se algum jogador colocar todas as cartas de jardim na sua matriz, então os jogadores pontuam cada coluna e linha do seu vilarejo e quem tiver a maior pontuação vence a partida.

Village Green entra naquela categoria de jogos puzzle, ele tem umas sacadas inteligentes e o lance de você ir adaptando a pontuação é bacana, ele também é um jogo super rapidinho e funciona bem para abrir os fechar jogatinas.


As cartas tem informações para te ajudar a pensar seu jogo.
 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Brazil Imperial


Quando eu conheci o Zé Mendes e o seu protótipo do Brazil Imperial lá em 2018 eu achava que estava diante de um jogo que chamaria bastante atenção quando fosse lançado e agora com a cópia que chegou ao mercado pela Meeple BR eu tenho certeza.

Brazil Imperial é um típico jogo de civilização onde temos cenários dependendo do número de jogadores e montamos o mapa modular para a partida além disso na preparação temos dispostos os quadros com figuras históricas que servirão de bônus ao serem comprados.

Depois de preparamos o setup da mesa cada jogador vai escolher uma cor receber seu tabuleiro de ações e um monarca e suas peças de unidades militares e finalmente recebe objetivos para as três Eras do jogo.

Já da primeira vez que joguei (ainda protótipo) impressionando.

As regras são incrivelmente simples para um jogo de civilização, na sua rodada o jogador vai pegar o seu marcador e colocar em um dos arcos das 7 ações possíveis do jogo, realizada a ação caso tenha alguma unidade no mapa pode usar um movimento bônus referente ao arco escolhido e finalmente se desejar fazer um movimento.

No mapa vamos ter os palácios iniciais de cada jogador e muitos espaços a serem explorados e que receberão as construções que darão recursos aos jogadores.

Nas ações teremos como convocar unidades militares, como comprar os quadros das figuras históricas, ações de construir e reformar, como manufaturar bens para conseguir que os arcos de ações sejam ainda mais úteis além do mercado e do porto que servem para aquisição e troca de bens.

A linda versão final do jogo já durante a Era II.

O lance do jogo é a corridinha para conseguir passar das Eras para que entrem novos prédios e também para ganhar pontinhos, as Eras mudam quando o primeiro jogador conseguir fechar uma carta de objetivos e então o jogo dá uma parada, o marcador de ação muda para o da próxima Era (e o que estava sendo usado vira um bônus para os arcos de ação) e novos prédios são habilitados para entrar no jogo.

Em Brazil Imperial temos unidades militares e ocorrem conflitos entre os jogadores, mas aqui deixo um das minhas primeiras observações pessoais, eu gostaria que o jogo prestigiasse mais as ações belicosas entre os jogadores mas o que acaba acontecendo é que os combates são muito raros de acontecer e são muito pontuais, acho que se valessem pontos de vitória teríamos mais guerras na mesa.

Conforme passam as Eras, os marcadores viram bônus nas ações.

Por falar nos pontos de vitória você vai consegui-los de diversas formas dentro do jogo, convocando unidades, construindo prédios, cumprindo objetivos, coletando animais exóticos, comprando quadros e claro cumprindo os objetivos das Eras.

Quando o primeiro jogador fechar o objetivo da Era III a rodada vigente termina, contam-se os todos os pontos possíveis ganhos pelos jogadores e quem tiver a maior pontuação é o monarca vencedor.

Brazil Imperial é um jogo de civilização muito maneiro com regras simples mas partidas estratégicas e com muita observação territorial pois se você deixar o adversário crescer muito fica sem espaço para suas construções.

Senti falta de momentos mais "belicosos" entre os jogadores.

O trabalho de pesquisa foi muito bem feito e resultou num livreto separado com a história dos personagens citados no jogo trazendo figuras clássicas da nossa história como Dom Pedro II e Machado de Assis mas também alguns personagens mais desconhecidos como Dom Obá II e Chico da Matilde (o Dragão do Mar) e vale ressaltar aqui que o Zé Mendes teve a ajuda do querido amigo Eduardo Felipe do Jogada Histórica.

O jogo está tendo uma recepção muito boa pelos jogadores, mas o que não lhe impede de algumas polêmicas justamente por retratar um período histórico conturbado com mudanças de regimes e golpes, mas tudo foi feito com enorme cuidado e acho que o resultado é um jogo excelente com uma produção caprichadíssima (tanto nos componentes como nas artes) e que eu torço para ter muito sucesso pois vejo nele potencial para expansões muito interessantes.

O anexo com a histórias dos personagens é muito bacana.