quarta-feira, 20 de junho de 2018

Indian Summer


Demorei um pouco para jogar o Indian Summer por já ter ficado satisfeito em ter jogado Patchwork e Bärenpark e com a decepção que foi o Cottage Garden, mas surgiu a oportunidade e joguei, e foi uma grata surpresa.

Para quem já jogou qualquer um dos jogos citados acima, o jogo é bem naquele esquema, temos peças no estilo "tetris" para ir colocando em espaços para ganharmos outras coisinhas.

No setup inicial, cada jogador começa com um tabuleiro individual, cinco peças sorteadas (um de folhas vermelhas, duas de folhas verdes e laranjas) e três marcadores de frutinha, noz e cogumelo.

Na sua jogada você pode pegar uma das suas cinco peças e colocar no seu tabuleiro, existem aqui algumas coisas a serem observadas, em todas as peças existe um furo e no seu tabuleiro existem desenhos dos marcadores que eu já citei (frutinha, noz, cogumelo e um quarto de pena), além disso o tabuleiro é dividido em 6 quadrantes.

 A trilha para repor o seu estoque pessoal e as peças bônus.

Ao colocar a peça, se por acaso você deixar aparecer o símbolo de um dos marcadores, você pega uma pecinha e coloca lá no seu tabuleiro, ao fechar um quadrante você verifica os marcadores disponíveis e pega para si para poder usá-los.

O que chama atenção no Indian Summer é justamente essa tomada de decisões, você só pode colocar UMA peça na sua jogada, mas ao utilizar os marcadores, eles podem te ajudar a movimentar muito mais o seu turno, uma vez que existem marcadores que te permitem colocar duas peças além da normal (a pena), roubar peças do amiguinho e colocar no tabuleiro (o cogumelo), completar o seu estoque de peças (a frutinha) ou colocar uma peça de esquilo (a noz).

As peças de esquilo também podem ser colocadas durante a sua jogada ao invés de você colocar uma peça de folha, e como o esquilo é um quadradinho 1x1, ele é ideal para tapar buracos (assim como o retalhinho do Patchwork ou a fonte do Bärenpark).

 Você vai colocando peças e ganhando coisas.

Outra coisa bacana, é que se você conseguir formar desenhos específicos com os buraquinhos das peças, você pode colocar outras peças por cima, e ganhar novamente todos os marcadores que já havia ganhado posteriormente.

O jogo vai rodando até um dos jogadores completar totalmente seu tabuleiro, a rodada termina e os jogadores que conseguiram não deixar espaço nenhum estão aptos a ganhar o jogo, o critério de desempate é a quantidade de marcadores de noz.

Apesar de ter uma pegada bem parecida com os jogos que eu já citei durante a postagem, o Indian Summer, acaba sendo um jogo mais completo justamente por ter elementos de todos eles e colocá-los de forma balanceada dentro do jogo e fazer dele o jogo para se ter dentro dessas opções todas de "family tetris games".

http://www.gameofboards.com.br/

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Rising Sun


Ambientado no Japão feudal, em Rising Sun os jogadores são clãs que lutam pela dominância dos seus Kami (seres poderosos do mundo subterrâneo) forjando alianças, usando a política como meio de conseguir seus objetivos e derramando muito sangue.

No início da partida, cada jogador escolhe um dos clãs disponíveis, cada um com seu poder especial e um valor em honra que já define a ordem da primeira estação, prepara-se o baralho das estações, com as cartas básicas somados a um dos conjuntos disponíveis (três na caixa básica) e sorteia-se quatro santuários que vão participar da partida.

O jogo tem exatamente 4 rodadas (estações), sendo que a última estação (Inverno) é apenas para a contagem de pontos, então basicamente temos 3 rodadas para resolver todo o jogo.

 O tabuleiro começa na paz, cada um na sua.

No início de cada estação abrimos a quantidade de jogadores +2 em terrenos que serão disputados naquela rodada. É extremamente importante observar quais territórios saíram e a ordem em que eles vão ser disputados.

Depois disso o jogo começa com as Cerimônia do Chá, que é uma fase onde os jogadores costuram alianças que podem durar a estação toda e são muito vantajosas na hora da resolução da Fase Política.

Uma vez que as alianças são definidas, a Fase Política começa. Existem 5 mandados que podem aparecer, o jogador da vez vai sortear 4, escolher um para ser executado, e devolver os outros três para a pilha.

As regiões que vão ser disputadas naquela estação.

Na hora da resolução do mandado, o jogador inicial e o seu aliado (caso ele tenha algum) ganham os bônus da ação escolhida, por isso a Cerimônia do Chá é tão importante.

As ações basicamente são Treinar, onde você pode comprar cartas de melhoria, pegar os monstros disponíveis e colocar para lutar ao seu lado, Recrutar, que faz com que você coloque novas miniaturas no tabuleiro ou envie seus Shinto para os Santuários, Comandar, para andar pelo tabuleiro e criar novas fortalezas, Colher, para pegar recursos onde você tiver mais força e finalmente Trair, que faz com que você coloque peças suas no lugar de peças do oponente.

O jogo alterna os turnos de mandado e turnos dos Kamis, nessa hora os vamos olhar quem tem mais Shintos em cada um dos quatro Santuários, e o jogador que ganhar recebe o benefício daquele Kami.

 
 Quando os monstros começam a chegar,
a coisa começa a ficar feia.

A Fase da Guerra começa após 7 fases de mandados e 3 fases de Kami e é agora que o jogo tem um dos seus momentos mais brilhantes.

Os territórios vão ser disputados na ordem do sorteio do início da estação, se só houver um clã, ele pega para si a ficha do terreno para pontuar no fim do jogo, sem combate, se houverem clãs, aliados, o de maior força pega a ficha, mas também não acontece batalha, agora se 2 ou mais clãs inimigos estivem disputando, a porrada estanca.

A porrada no Rising Sun é muito bacana, cada jogador conta a sua força (geralmente um ponto por miniatura), acrescido de algum poder de monstro, carta ou Kami, e secretamente os jogadores usam dinheiro para escolherem entre 4 opções e ao revelarem vão ver quem ganhou em cada uma dessas opções e o vencedor vai ter aquele poder para a batalha.

 A fase de batalha, você "aposta" em uma das quatro opções.

As opções são : Cometer um Seppuku, onde você elimina todas as suas miniaturas, ganha pontos e honra pela quantidade de mortes; pode escolher Capturar Refém, nesse caso o vencedor escolhe um miniatura adversária para tirar do combate e ainda rouba um ponto desse adversário; Contratar Ronins que você ganha de diversas maneiras durante a Fase Política e se for o jogador vencedor pode usar esse valor como força no seu combate e finalmente os Poetas Imperiais, que vai ganhar pontos por todas as miniaturas que forem eliminadas durante a batalha.

Ao final da batalha, o jogador com maior força vence, todos os jogadores inimigos que ainda tiverem miniaturas na região, descartam elas (os aliados podem ficar), todos jogam as moedas fora e o vencedor precisa indenizar os perdedores, dando as moedas que ele usou para os derrotados.

Depois de todas as regiões serem disputadas, rola uma limpeza onde todos os jogadores descartam grana e Ronins, os Shintos voltam para o estoque, novas cartas de estação são abertas e uma nova estação de inicia.

 Na última estação o tabuleiro tá tenso.

Quando o Inverno chegar (eu quero estar junto a ti.. não, pera), o jogo acaba e os clãs vão receber pontos pelas Melhorias Invernais (cartas que você vai comprar), os Marcadores das Regiões que você ganhou e pelo set-colection de Marcadores de Região diferentes, quem tiver mais pontos, ganha (no empate de fim de jogo, assim como em todos os outros, quem estiver com mais honra vence).

Criado pelo Eric Lang (de Blood Rage e Chaos in the Old World) e tendo uma equipe de designers brasileiros como desenvolvedores, Rising Sun é um jogo bastante estratégico, punitivo (qualquer planejamento errado e você vai pagar caro), lindo e excelente, que está sendo trazido pela Galápagos Jogos e merece estar na mesa da galera.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Ganz Schön Clever


Ganz Schön Clever é mais um jogo do Wolfgang Warch a concorrer ao Spiel des Jahres desse ano (juntamente com o The Mind e o Die Quacksalber von Quedlinburg) e que traduzindo pelo Google Translator fica algo como Muito Inteligente, e é bem a pegada do jogo.

Ganz Schön Clever é um joguinho de dados, bem na pegada clássica da coisa, você tem 6 dados de cores diferentes, na sua rodada o jogador rola esses dados e precisa com os valores ir marcando na sua folhinha para pontuar no final do jogo.

A grande sacada do jogo aqui é a seguinte : ao escolher um valor todos os dados de valor inferior àquele, são enviados para a "bandeja", e o jogador da vez não pode mais utilizá-los, o dado escolhido é marcado no espaço indicado, e os demais dados de valor igual ou superior ao que foi escolhido, são re-rolados, e esse processo se repete três vezes.

 Não precisamos de muito para nos divertir com o Ganz Schön Clever.

Os dados que ficaram na "bandeja" então podem ser usados pelos outros jogadores, que escolhem um deles para marcar na sua folhinha e assim o turno se encerra e passamos todos os seis dados para o jogador seguinte.

Falando um pouco da folhinha de pontuação, apesar de visualmente o jogo lembrar um pouco o Qwixx, as marcações aqui são bastante diferentes para cada cor escolhida.

O quadro amarelo você precisa completar colunas para pontuar e linhas para ganhar benefícios, no azul você precisa somar o dado azul ao branco e ir marcando do 2 ao 12, quanto mais marcações, mais pontos, no quadro verde, você precisa ir subindo, o laranja serve qualquer número, mas tem espaços que valem a pontuação dobrada e no roxo você precisa colocar número sempre menor que o anterior.

Sempre ficamos de olho nos dados que estão na bandeja.

O bacana da folhinha, é que se você marca determinada casa, pode ativar um benefício, e as vezes acontece desse benefício poder marcar uma outra casa e desencadear uma série de outros efeitos, então uma marcação bem feita pode gerar muitos pontos no final;

Depois de 5 ou 6 rodadas o jogo acaba, somam-se todos os quadros coloridos, e quem tiver a maior pontuação é o vencedor.

O Ganz Schön Clever é realmente um joguinho muito inteligente, pois você tem que ficar bem ligado na hora de escolher o dado que vai usar, se vai abrir mão de ter outras rolagens para pegar o maior valor e desencadear determinado benefício, usar bem os dadinhos que os amiguinhos deixam na "banadeja", enfim, um daqueles fillers bacanas para se ter na coleção.

No final, um outro bloquinho pra ajudar na pontuação.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Dissecando o Memoir '44


Hoje (dia 6 de junho) comemora-se o Dia D, quando as tropas Aliadas desembarcam na Normandia deflagrando uma das ofensivas que foram cruciais para a virada da Segunda Guerra contra Hitler e seu exército Nazista, e um dos jogos mais bacanas simulando esse período histórico foi lançado em 2004 pelo designer Richard Borg.

O Memoir'44 é um jogo de simulação de cenários de batalhas da Segunda Guerra que utiliza o sistema "commands & colours", onde o mapa é dividido em três setores e as unidades são comandadas por cartas e tem características únicas que simplificam os wargames tradicionais tornando o jogo muito mais acessível ao jogadores casuais de jogos de tabuleiro.

 Os cenários do Dia D simulam a chegada Aliada à Normandia.

Na caixa básica do Memoir '44 temos os exércitos do Eixo e dos Aliados, compostos por soldados de infantaria, tanques e artilharia pesada, no manual existem mais de 20 cenários (incluindo os do Dia D) para as partidas.

O jogo foi um sucesso tremendo, que fez com que a Days of Wonder apostasse em diversas expansões, como a Eastern Front, Mediterranean Theater e a Pacific Theater que trazem os exércitos da Rússia, Inglaterra e Japão e mais um monte de novas regras e cenários.

Com o passar dos anos, e com o crescente sucesso e apoio do público, o jogo foi ganhando mais corpo, chegando a versão Overlord, com cenários que conseguiam colocar até 8 jogadores em times se enfrentando, a Air Pack com ataques aéreos, novos mapas e terrenos.

 Com o sucesso, outras frentes de batalha foram aparecendo.

Muitas dessas expansões viraram itens de colecionador, pois depois de esgotarem nas lojas, não foram reimpressas e alguma chegam a valer centenas de dólares em sites como eBay e o próprio mercado do Board Game Geek (maior portal de jogos de tabuleiro do mundo).

Perto de completar 15 do seu lançamento, o Memoir '44 tem fãs espalhados pelo mundo, existem sites dedicados a cenários, campeonatos mundiais e grupos de discussão que alimentam os aficionados pelo tema, que encontraram no jogo uma simplicidade que (como no meu caso) os afastaria dos wargames tradicionais.

 Os mapas foram crescendo, e mais jogadores foram incorporados.

Aqui no Brasil, infelizmente o jogo nunca foi lançado, mas tem muitos adeptos, inclusive com uma série de cenários dedicados a campanha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) e sua participação nas lutas pela Itália durante os anos de 44 e 45.

Baseado num sistema simples, com miniaturas que chamam atenção e alimentado pela editora, que continua lançando material para ele até hoje, o Memoir '44 é sem dúvida uma grande homenagem àqueles que passaram por um período tão negro da nossa história e merecem ser lembrados para que dias iguais nunca mais voltem.

Hoje a quantidade de coisa que um fã tem, fica difícil até de guardar!

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Fungi


Fungi é um card-game para dois jogadores, recentemente lançado pela Papergames onde cada jogador precisa coletar cogumelos, para prepará-los e assim ganhar pontos no final da partida.

No início da partida uma floresta é criada com um trilha de oito cogumelos que você consegue alcançar com facilidade os dois primeiros da fila.

No seu turno, o jogador pode pegar uma carta da trilha da floresta, pegar toda a pilha de decomposição, baixar uma panela, cozinhar cogumelos ou vendê-los para conseguir gravetos.

 Você vai pegando cartas para conseguir cozinhar seus cogumelos.

Como já falamos, a trilha de cogumelos é fácil de pegar os primeiros, mas conforme você vai entrando mais pela floresta, você vai precisar dos gravetos, e é para isso que você vende os cogumelos.

Mas o que vai te garantir pontos no final do jogo são os que você conseguir cozinhar. Você precisa então baixar as panelas (já começa com uma) e colocar à partir de três cogumelos do mesmo tipo nelas para garantir os pontinhos.

O legal do Fungi é que existem vários tipos de cogumelos e também podemos tempera-los com sidra e/ou manteiga, dependendo da quantidade adicional de cogumelos do mesmo tipo que colocarmos para cozinhar (uma vez na panela você não pode adicionar nada ao cozimento).

 A floresta e as cartas da lua!

O jogo ainda tem outras cartinhas interessantes, com os cogumelos da lua, que são do tipo normal, mas que valem dobrado e servem bem tanto para compra de gravetos, como para cozinhar e a cesta que aumenta a capacidade de cartas na sua mão.

Quando a última carta da floresta for comprada o jogo acaba, contam-se os pontos feitos pelos cogumelos cozidos e quem tiver a maior pontuação ganha.

Fungi é um joguinho leve e descontraído, que vai levar no máximos uns 40 minutos e atende bem aquele momento onde estamos esperando mais jogadores.

Seus pezinhos alcançam os primeiros cogumelos,
para ir mais adiante, precisa de gravetos.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

TOP3 : Uwe Rosenberg


Com a resenha de segunda-feira do Fields of Arle me perguntaram várias vezes qual seriam os melhores jogos do Uwe na minha opinião, eu sou fã do cara, pra mim ele é o autor que eu mais gosto (sorry Feld e Vlaada), e os jogos dele sempre me deixam feliz de jogar, então resolvi responder a pergunta dos amigos com um TOP3 do cara.

Pra início de conversa já vou avisando que é um TOP3 meio roubado, uma vez que o terceiro lugar rola um empate técnico entre dois jogos que eu gosto muito e já aviso que Feast for Odin ainda não está no TOP, mas tem grandes chances de entrar com o tempo.

ORA ET LABORA / AT THE GATES OF LOYANG

Ambos são jogos excelentes e de partidas muito interessantes, enquanto no Ora et Labora temos cartas que são construções e que juntas formam uma abadia e suas cercanias e assim geram recursos e pontuam, tendo na época um diferencial muito bacana, que foi o rondel de recursos, quando saiu muita gente (eu incluso) pirou com o jogo.

Já no At the Gates of Loyang temos um mercado de recursos muito legal que precisa ser constantemente ampliado para atender diversas demandas durante o jogo, que tem como mecânica central um draft de cartas bastante legal e uma pontuação incrivelmente apertada.

Ambos são jogos brilhantes, de duração média de duas horas, complexidade acima da média, mas não tão pesada quanto os jogos mais atuais, mas que ainda assim precisam de mais de uma partida para você realmente dominar o jogo.

CAVERNA

Quando Caverna foi lançado alardeou-se que seria a nova pérola do Uwe e chegou a ocupar a primeira posição no ranking do Board Game Geek merecidamente e com certeza é um daqueles jogos excepcionais que quando você termina uma partida tem vontade de jogar novamente.

Ele tem muitas semelhanças nas ações com o Agricola, mas além de ser menos cruel, ele tem todas as informações de upgrades disponíveis para todos os jogadores, então ele é facilmente escolhido como o melhor entre os dois.

Embora ambos trabalhem bem com alocação de trabalhadores e coleta/utilização de recursos, ele pra mim só não é o primeiro colocado justamente por estar tudo ali, então se você conhece um caminho pra vitória e se especializa nele, não tem muitos fatores "extra campo" que vão te pegar, então ele é menos desafiador.

AGRICOLA

E é justamente pelo desafio, pelo ineditismo e pelas cartas que o Agricola é pra mim o melhor jogo do Uwe Rosenberg.

Quando foi lançado, nós aqui do meu grupo de jogos, tivemos a sorte de receber uma das primeiras cópias que pararam por aqui (veio através de um Secret Santa todo com pasteup em inglês já que só existia em alemão).

Foi amor a primeira partida, você ter que se adaptar às cartas que te vem na mão, o desespero a cada colheita pra poder alimentar todo mundo, isso é lindo.

Milhares de cartas, pra mim o
grande trunfo do Agricola.

E só melhora, com o tempo fui comprando mais decks, alguns bem sérios como os que foram usados para o Campeonato Mundial, mas outros de zoação com o X-Deck com alienígenas.

A expansão Farmers of the Moor também acrescenta muito ao jogo, que faz com que além de se preocupar em alimentar seus trabalhadores ainda precise se preocupar em aquece-los para eles não ficaram doentes.

Agricola beira a perfeição, ele todo funciona num sincronismo perfeito e cada partida é uma experiência única fazendo dele fácil o melhor jogo do Uwe.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Fields of Arle


Fields of Arle é um jogo de 2014 do grande Uwe Rosenberg, e que eu nunca tinha jogado por ser um daqueles "jogos evento", com o problema de ser para 2 apenas, mas ano passado saiu a expansão Tea & Trade, que fez com o jogo fosse até três jogadores e finalmente tive a oportunidade de conhecer esse jogão.

O jogo é um worker-placement bem típico do autor, muitas opções de ação que fazem rodar uma maquininha de produção para conseguir recursos para comprar coisas e no final pontuar por uma série de informações.

No tabuleiro individual temos muitas informações a serem observadas, como os diques que vão travando espaços e que precisam ir avançando para que consigamos ter mais espaços para construção, uma coisa que tem sido lugar comum nos jogos do Uwe, temos espaços que já começam perdendo ponto e precisamos ir tapando até o final.

 O grande tabuleiro principal, cheio de ações.

Apesar de visualmente assustar (como no Feast for Odin), o andamento do jogo é bem tranquilo. A partida dura 7 rodadas (anos) que vão alternando entre verão e inverno, cada uma dessas estações você tem três fases, duas são de manutenção e a principal é a de colocação dos trabalhadores.

O bacana no tabuleiro de ações do Fields of Arle é justamente esse lance da divisão entre verão e inverno, pois são dois lados de ações distintas, você não fica impossibilitado totalmente de fazer uma ação de inverno durante o verão (e vice-versa), mas fica limitado.

As ações são variações umas das outras, mas basicamente, vamos conseguir recursos, construir "prédios", comprar veículos, melhorar algum recurso básico e coisas assim.

 No nosso espacinho, como de praxe, bichos e prédios.

Entre as estações escoamos algumas das nossas produções, atendendo assim a demandas de fora e subindo na trilha de viagem (que é uma das que começam com pontos negativos) e após 7 rodadas (no jogo com a expansão para 3) o jogo termina, contam-se os pontos e quem tiver mais, ganha.

Fields of Arle é daqueles euros pesados, que você na primeira partida acompanha os experientes pra tentar entender o que está acontecendo, mas que assim que você se toca ele é brilhante e você vai querer com certeza jogar mais vezes para melhorar suas pontuações.

Uma pena o jogo base ser exclusivamente para 2, ele encaixa bem na categoria/peso do Feast for Odin, mas com esse segundo sendo superior em umas vantagens técnicas (pra mim o tabuleiro "tetris" me ganha o coração), mas que com a Tea & Trade faz com que o jogo seja um dos grandes títulos do Uwe.

A mesa assusta, mas você acaba "se encontrando" no jogo.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Campanha Imperial Assault : 9ª Sessão


Na sessão anterior, os nossos heróis Rebeldes foram presos pelas tropas imperiais e com isso fomos para essa missão sem ter muita ideia do que ia acontecer conosco.

Logo de cara tivemos a informação que estávamos sem nossas armas, óbvio uma vez que estávams todos apinhados numa cela, mas eis que um de nós conseguiu malocar um comunicador, e fomos avisados que teríamos a oportunidade de escapar da sela imediatamente.


O briefing da missão nos informou que teríamos que inicialmente ir até um ponto do mapa com cada um dos personagens para conseguirmos habilitar de volta nossos pertences, e que durante o tempo em que estávamos desarmados, só poderíamos lutar "mano-a-mano".

 Começamos desarmados, e todos enfiados numa celinha.

Apesar de estarmos desarmados e em menor número, não foi tão difícil chegamos ao local onde pegamos nossas armas e itens de volta, e assim disparamos a segunda parte da missão.

Nessa segunda parte tivemos que hackear os terminais de computador para conseguirmos acessar uma rede de túneis que partiam de dentro da área próxima aos compactadores de lixo e assim fugirmos.

Mas foi só questão de tempo até conseguirmos fugir.

Essa na realidade, foi uma missão atípica, de todas as sessões da campanha até agora, essa foi uma das mais fáceis, mesmo que estivéssemos começado sem nossos itens e com um grande contingente de troopers na área (acho que foi a primeira vez que o overlord teve mais ativações que os Rebeldes), o combate corpo a corpo foi bem eficiente, e uma vez armados os inimigos se mostraram obstáculos bem tranquilos de ultrapassar.

Como não tínhamos limite de rodadas, e estávamos com calma para realizar as ações, foi só questão de tempo até limparmos praticamente toda a instalação imperial e conseguirmos fugir sem que nenhum dos heróis caísse.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

New Eden Project


Em New Eden Project cada jogador é uma empresa de engenharia, contratada para participar de uma licitação para um novo projeto de cidade, e para isso vai precisar de inspiração para colocar planejar a cidade mais bonita e assim sua empresa sair vencedora.

Terceiro jogo da dupla Samanta e Kevin Talarico (autores também do Cartas à Vapor e Café Express), esse é um card-game com uma pegada de "tile-placement" bem interessante e que vamos falar um pouco dele aqui.

Os jogadores precisam, rodada à rodada, gastar pontos de inspiração (ação), para comprar cartas de prédios, essas cartas tem dois tipos específicos de conexão: elas podem se conectar pelo Estilo Arquitetônico (cor) ou pelo Tipo de Local (formato do ícone).

Os três requisitos do Edital dessa partida.

No início da partida, decidimos a forma de pontuação do jogo, dependendo da escolhida vamos abrir exigências para o edital, essa exigências vão ativar pontos potenciais das cartas no final do jogo.

Cada jogador então recebe objetivos secretos (as cartas de Epifania) uma carta de "lixo tóxico", que basicamente é uma carta coringa que pode ser ligada a todas as outras, e começa com cinco pontos de inspiração para usar (nas rodadas subsequentes serão seis pontos).

Na Fase de Inspiração, vamos gastando os pontos para comprarmos as cartas, que vão ficando guardadas até que todos gastem seus pontos e a Fase de Projeção se inicie.

 Você pode unir as cartas pelas cores ou formato do ícone.

Nessa segunda fase, vamos conectando as cartas compradas de forma que elas vão montando o projeto da cidade, sempre atentos às conexões corretas e sempre de olho nas exigências do edital, pois os pontos potenciais das cartas só serão ativados com o cumprimento delas.

O jogo segue até que um dos jogadores coloque a décima carta no seu projeto, disparando assim a contagem final dos pontos que é feita da seguinte maneira : cada carta no projeto vale um ponto (exceto as coringas que valem 0 ou -5), os jogadores verificam se cumpriram um, dois ou três dos requisitos do edital, assim validando os pontos das cartas com uma, duas ou três estrelas que são somadas às cartas de epifanias que foram realizadas e assim o jogador com a maior pontuação ganha.

 Conforme a cidade cresce, vai ficando mais bonita.

New Eden Project é o jogo mais gostos de jogar da dupla Talarico, o jogo ainda não tá 100%, os ícones ainda estão um pouco confusos, e nas partidas que eu joguei, achamos que a trilha das cartas podia rodar mais (tem como "pagar" para dar um refresh, mas é caro e não beneficia quem paga), mas são detalhes que podem ser arrumados em pouco tempo.

A arte do jogo tá muito bonita e ele tem uma produção bem prática e acredito que seu preço final não vá ser alto, deixando ele bem acessível a todos.

Mais um jogo bacana da Potato Cat que em breve entra em financiamento e vale muito à pena a galera ficar de olho, pois é um jogo leve, rápido e bacana.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Mansão Convida 2ª Edição


Nesse sábado rolou a segunda edição do Mansão Convida, o evento onde o coletivo carioca de designers da Mansão das Peças, convida outros autores para todos colocarem seus protótipos nas mesas e colocarem o público para jogar projetos que ainda não assinaram com editora nenhuma, mas que pela qualidade, não demora muito estarão nas prateleiras da galera.

Nessa edição foram 12 jogos exibidos, 3 deles já tinham estado na primeira edição do evento e mais uma vez a galera da Dijon Jogos chegou junto com o apoio ao evento, e pudemos ver o Diego passando de mesa em mesa jogando e conversando com os autores.

Desde cedo a galera foi chegando e jogando.
No final mais de 100 participantes.

O local do evento mudou, dessa vez aconteceu no General Cana Bar, na Tijuca, que em matéria de espaço é melhor distribuído que o Casarão 22, mas a iluminação deixou um pouco a desejar, com alguns pontos do salão bem escuros.

Mas nem isso, nem a chuva, nem a concentração para o Flamengo e Vasco (que rolou no Maracanã horas depois do fim do evento) tirou a empolgação da galera que compareceu mais uma vez em um número impressionante para um evento voltado exclusivamente para protótipos.

 Como na edição anterior, sorteios para quem estava no evento.

Foram mais de 100 pessoas que se revezaram nas mesas onde os autores se desdobravam para conseguir guiar os jogadores em duas cópias de cada um dos jogos apresentados.

Quanto aos jogos, como já falei foram 12, eu consegui jogar apenas cinco, outros dois eu já conhecia então deu para registrar bastante coisa e vou fazer uma breve descrição de cada um deles para vocês.

 RALI - Alexandre Amaral

Um card-game de corrida, onde a pista vai abrindo turno a turno uma numeração de velocidade e os jogadores baixam da sua mão, cartas cujo o somatório ajude a igualar, superar ou até mesmo ficar abaixo daquele número para assim ganhar pontos e ao final da corrida termos o vencedor.

Dos que eu joguei, esse talvez seja o que ainda falta mais coisas pra ajustar, apesar do "core" estar resolvido, ainda tem coisas no visual que podem ser melhoradas para ajudar na imersão.

 QUASAR - Grupo (RPG)

Uma batalha entre DJ's intergaláticos, onde os jogadores usam batidas para conseguir público e aplausos e assim ser o melhor DJ da galáxia!

Esse jogo está sendo desenvolvido por uma turma de estudantes da PUC e o grande barato dele é a utilização de um app para validar a carta das batidas e assim executar o poder especial de cada cartinha.

Esse app funciona bem ao estilo Genius, e você tem três níveis de dificuldade para conseguir resolve-los.

Grande diferencial, pra mim também pode ser um grande problema, uma vez que o jogo depende 100% desse app para funcionar, mas a ideia é muito legal e a galera do Grupo (RPG) tá de parabéns pela sacada.

 BORN TO BE VILLAIN - Sanderson Virgolino

Um card-game com uma pegada mais light onde os jogadores são vilões e precisam cumprir missões como estourar balões de crianças, evitar que os heróis ajudem a cidade, entre outras, para assim ganhar o jogo.

O Sanderson é uma máquina, todo evento ele tem um bom jogo novo para mostrar, e dessa vez não foi diferente, e agora ele ainda mostrou uma faceta que eu ainda não conhecia, pois as ilustrações também são dele e estão super lindinhas.

Já falei diversas vezes e volto a frisar, ele é um cara que assim que começar a ter os jogos lançados vai se firmar como um dos grandes designers nacionais, além de ser um cara gente finíssima. Olho nele editoras!!! 

DISTOPIA - Warny Marçano

Único jogo da galera da Mansão que eu joguei, o Distopia é o mais novo projeto do Warny (autor do Space Cantina e Pot du Vin) e trata-se de um Euro médio, onde temos uma trilha de ações diferentona e muito bacana.

Nela vamos colocando nosso peão, realizamos a ação, recolhemos aquela ação para nós e colocamos uma nova ação na trilha, o que pode ajudar ou não os que vem atrás ou já preparar a trilha para uma próxima rodada.

Ao final da trilha acontece uma fase de confrontos, e depois de alguns passeios pela trilha de ações vamos às pontuações finais e quem tiver mais ponto ganha.

As muitas trilhas do jogo. Euro raiz.

O jogo tem outras sacadas bem bacanas, como os recursos gastos indo para fora do jogo e podendo servir de pontos através de cartas e as trilhas do tabuleiro individual que dão coisas aos jogadores.

Gostei muito, ainda falta andar alguma coisa, mas tem sérias chances de superar o Space Cantina no meu TOP3 brazuca.

 DOODLE REALMS - Jordy Adan

Quando eu vi o anuncio desse aqui entre os 12 jogos a serem exposto, eu tinha certeza de que ia me apaixonar por ele.

Ele é um jogo onde abrimos cartas que tem formas e tipos de terrenos, temos uma folhinha onde precisamos desenhar essas formas e dependendo da rodada, vamos pontuar duas entre quatro formas diferentes de pontuação (bem ao estilo Isle of Skye).

 Joguinho pra brincar no metrô. QUERO!

O jogo é uma delícia, super conciso, inteligente e divertido, principalmente se o diabinho que faz você passar seu terreno pro amiguinho desenhar na sua vez, aparecer mais vezes.

Na minha opinião. o jogo só não está 100% pronto por que o Jordy só pensou mesmo em 4 formas de pontuar (elas só variam o tempo em que entram de jogo a jogo), se ele aumentar a gama de pontuações para ter mais diferenças entre as partidas, é só ele me mandar o boleto que eu já quero minha cópia.

A galera que fez acontecer o evento! Parabéns!

Além desses que eu joguei, ainda tinham o Canastra do grande amigo Luish Coelho (mesmo autor do Recicle), o Grid Hunters do Marcelo Dias, Heroes & Quests do Pedro Martins dos autores convidados e da galera da Mansão tinha ainda o Wu Xing do Romulo Marques, Herdeiros do Khan da dupla Rodrigo Rego e Lucas Ribeiro, o Wise Guys do Humberto Cotta e finalmente o Master Detective do Leandro Pires (e que já teve até resenha por aqui).

Mais uma vez a organização, capitaneada pelo incrível Leandro Nunes, fez com que um evento exclusivo de protótipos fosse um sucesso, e agora a galera fora do Rio fica ligada que o evento tem tudo para começar a partir para outras paragens. Aguardem notícias!!!