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terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Ludoteca Básica : Saint Petersburg


Como falei pra vocês recentemente, temos revisitado grandes clássicos e vendo que uns envelheceram bem e outros nem tanto, aqui um caso de um que continua sendo um dos grandes jogos modernos e que ainda brilha na mesa, o Saint Petersburg.

Lançado originalmente em 2004 com uma arte bisonha de feia, ele é um jogo onde temos um tabuleiro central onde ficarão disponíveis cartas para serem compradas pelos jogadores que assim farão sets para ganhar dinheiro e pontos.

O jogo tem 4 fases distintas onde na primeira compraremos trabalhadores que ao final da fase dão dinheiro aos jogadores, depois temos a fase das construções que na maioria das vezes rendem pontos, passamos então para a fase dos nobres que dão pontos e grana e finalmente para a carta de trocas que serão upgrades dessas três outras fases.


A primeira versão dele tinha uma arte muito tosca, então te ganhava pela qualidade do jogo.

A grande sacada do Saint Petersburg é que o jogo é muito apertado de grana e você precisa dela o tempo todo para comprar as cartas para sua mesa, o máximo que dá para postergar é deixar alguma cartinha (até três) na sua mão, mas caso você não consiga compra-las até o final da partida elas vão te tirar muitos pontos.

No jogo base não temos muita coisa de prédios especiais nem nada, é tudo muito simples e então é uma questão mesmo de tentar se planejar da melhor forma pois trabalhadores iguais vão dar descontos assim como prédios, upgrades você só vai pagar a diferença então é bom pensar qual o melhor manter ou deixar passar.

Assim que um dos quatro decks termina o jogo acaba e vamos receber (muitos) pontos pela quantidade de nobres diferentes que temos baixado e perderemos pontos pelas cartas que estão na nossa mão e assim quem tiver a maior pontuação é o vencedor.

 
Os nobres mais lindos do pedaço. Foto BGG.

Saint Petersburg é daqueles jogos com regras absurdamente simples mas que tem curvas de aprendizado, você termina uma partida já querendo jogar a próxima para tentar fazer alguma coisa diferente e pontuar mais.

Em 2014 saiu uma versão com arte BEEEEM melhor e incorporando as expansões que tinham sido lançadas previamente e que adicionam cartinhas que você pode usar para fazer alguma ação e descartar além da presença de mais nobres com algum poderzinho e a adição do quinto jogador.

Uma pena que esse jogo nunca chegou por aqui no Brasil, ele foi um dos primeiros que eu conheci pós-Catan/Carcassonne e se você ficou curioso com ele pode tentar a versão digital lá no Board Game Arena.


A coisa melhorou muito de figura na edição de 2014.
 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Acquire e o jogos que souberam evenlhecer

Ontem joguei finalmente um dos grandes clássicos dos jogos de tabuleiro, trata-se do Acquire, um jogo de 1964 do mestre Sid Sackson e que de lá pra cá teve poucos ajustes de regras, umas versões lindas e até as indefectíveis versões "pirata" nos anos 70/80 no Brasil.

No jogo somos especuladores imobiliários vendo empresas construindo redes de hotéis, especulando com as suas ações e vendo as maiores "comerem" as menores no grande "ciclo da vida" das empresas.

O tabuleiro é uma matriz com letras e números, os jogadores recebem inicialmente uma quantidade em dinheiro e 5 peças referentes a espaços no tabuleiro, na sua vez você deve colocar uma dessas peças no tabuleiro e se duas ou mais estiverem adjacentes você funda uma empresa.


Versão da Galápagos tá muito bonita e o jogo é muito bom!

A sacada do jogo está no fato que se por acaso uma peça a ser colocada junta duas empresas a maior absorve a menor que deixa de existir (por enquanto) e os acionistas vão ganhar dinheiro com as ações que tem dela.

Ao final do jogo quem for o investidor com mais dinheiro é o vencedor, simples assim.

E é nessa simplicidade que o jogo com mais de 40 anos se mantém no mercado não só recebendo sempre versões atualizadas (algumas com componentes lindíssimos) como também serve de inspiração para mecânicas de jogos mais atuais como o Foundations of Rome.


Cartel foi a versão "abrasileirada" do Acquire lançada lá nos anos 70.

Nesse ponto vale ressaltar que não é porque o jogo tem certa rodagem que ele envelheceu mal, ontem na jogatina que rolou o Acquire jogamos ainda o El Grande (de 1995) que é outro excelente exemplo de jogo que continua lindo de jogar, mesmo caso do Catan (também de 1995) que foi o grande responsável pela retomada dos jogos de tabuleiro e que ainda é referência.

Obviamente existem os casos de jogos que já foram febre e que envelheceram igual leite como Monopoly e RISK, embora esse segundo tenha recebido updates e novas versões durante os anos para corrigir coisas (como no ótimo RISK 2210).

Acquire chega então na sua versão mais atual no Brasil com uma edição super caprichada e que torço para que chegue na mesa de muitos jogadores para que possam ter acesso a um jogão de regras simples, gostoso de jogar e que se provou capaz de atravessar gerações. 


Eu sempre defendo o El Grande como jogo que envelheceu sem perder o brilho.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Carcassonne : Caçadores e Coletores


Finalmente chega ao Brasil o que pra mim é o segundo melhor Carcassonne de todos (perdendo só para o The Castle) o Caçadores e Coletores, lançado originalmente em 2002 e que recebeu uma repaginada nessa nova prensagem de 2020.

Em Caçadores e Coletores não temos cidades muradas, aqui elas dão lugar a bosques, menires, lagos e muitos animais onde os membros da nossa tribo irão conseguir formas de suprir as necessidades de alimentos (e pontos é claro).

Usando a fórmula básica do Carcassonne, na sua vez o jogador sorteia um tile e precisa colocá-lo adjacente aos tiles previamente colocados em jogo, temos basicamente os espaços de bosques, os rios e lagos e os descampados onde descansam cervos, auroques, mamutes e tigres.

Saem cidades e estradas, entram bosques,
rios e descampados.

Ao colocar um tile o jogador tem duas opções, colocar um dos membros da sua tribo, seja em pé nos bosques e rios ou deitado nos descampados, ou colocar uma de suas cabanas num fluxo de rio.

Aí começam as diferenças que fazem do Caçadores e Coletores um jogo muito bacana. Os rios e lagos pontuam de forma semelhante as estradas do jogo clássico, mas aqui nós temos os peixinhos que dão pontos extras quando fechados, mas a cabanas não, essas vão te dar uma pontuação boa ao final do jogo pelo sistema hidrográfico, dando um ponto para cada peixinho desse sistema.

Isso já é uma coisa que você precisa ficar de olho, quando um sistema começar a ficar apetitoso, corra para colocar a sua cabaninha e se assegure de que você possa aumentar cada vez mais esse sistema, ou então feche o máximo que puder do sistema da concorrência.

Quando você fecha um bosque com um menir,
ganha um tile bônus para usar.

Outra sacada legal dessa versão são os tiles extras dos menires. Uma vez que você feche um bosque que contenha um menir, você pontua normalmente como se fosse uma cidade do jogo clássico, mas tem o direito de pegar um tile bônus e usá-lo automaticamente e são 16 tiles muito bons, alguns com pontuações instantâneas, outros com pontos de final de jogo, mas nenhum deles é ruim, então é bacana essa corridinha para pegá-los.

Depois de todos os tiles serem colocados na mesa vem a pontuação de final de jogo, ao contrário do jogo clássico bosques e rios incompletos não darão ponto algum, mas temos a pontuação das cabanas (que eu comentei acima) e os descampados.

A progressão do jogo é semelhante, mas além
dos meeples deitados, temos as cabanas para o fim.

Cada animal do descampado dá uma pontuação, mas temos aqui uma cadeia alimentar a ser respeitada. Na hora da pontuação mamutes darão 3 pontos, cada auroque 2 pontos e cada cervo 1 ponto, mas os tigres estão no campo para acabar com essa farra, então você elimina um cervo para cada tigre.

Essa é outra brincadeira legal de fazer, quando o amiguinho estiver pontuando com muitos cervos, comece a colocar tigres no descampado dele, e veja a carnificina do final do jogo.

Caçadores e Coletores tem várias outras formas de pensar o jogo, o que faz dele um Carcassonne bem mais estratégico e interessando do que o jogo clássico, para mim certamente um dos melhores e tê-lo no mercado me traz a obrigação de indicá-lo como Ludoteca Básica para os fãs de tile-placement.


As vezes o seu descampado fica uma carnificina,
mas ainda pode te render uns pontinhos.
 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

A Tripulação


O jogo que levou o Kenner Spiel des Jahres de 2020 desbancando o Cartógrafos, em A Tripulação os jogadores fazem parte de uma equipe que tentam em conjunto resolver as diversas missões da sua nave em busca do nono planeta.... mas esqueça o flavor que nem colado com cuspe ele é, mas isso não torna em nada o jogo menos brilhante.

A Tripulação é um card game onde teremos 50 missões a serem realizadas em um jogo que usa como mecânica principal a vaza, isto é, um jogador vai colar determinada carta na mesa e os outros precisam seguir o que foi colocado (se puderem) e quem tiver o maior valor leva a mão.

O jogo tem 4 "naipes" de cores e um "naipe" coringa.

Aqui temos além das quatro cores (que vão numericamente de 1 a 9) um "naipe" coringa com cartas de 1 à 4 que sempre levam a rodada, mas a grande sacada do jogo realmente é a crescente das missões.

Em cada missão à partir do jogador da vez (que é definido por quem pegou o 4 do "naipe" coringa) são distribuídos objetivos que são baseados nas formas, ordem e valores das mãos que são pegas durante o jogo.

Trocando em miúdos, na primeira missão por exemplo, ela é completada com sucesso se o jogador X pegar a carta 2 amarela em uma da mãos do jogo e por ser um jogo cooperativo isso parece simples correto? Só que não é bem assim.

Um jogador puxa uma determinada cor e os
outros tem que seguir (se conseguirem).

Conforme vão se abrindo novas missões elas vão ficando cada vez mais difíceis, então mais pra frente os jogadores terão que levar mãos em ordem ou um determinado jogador não vai poder levar mão nenhuma durante a partida e assim caminhando sempre dificultando um pouquinho mais.

Outra coisa bem bacana no jogo, é que apesar de ser cooperativo, os jogadores não podem ficar trocando informações o tempo todo, apenas uma vez em cada partida cada jogador vai poder escolher uma das suas cartas e colocar um marcador indicando se ela é a única carta daquela cor ou se é a maior ou menor para tentar ajudar na resolução da missão.

O lance é tentar cumprir às missões que são
distribuídas por toda Tripulação.

As partidas durante em média uns 10/15 minutos, então você vai jogar UM MONTÃO de uma vez só, e o jogo é viciante o suficiente para te deixar pregado nele sem sentir o tempo passar, para vocês terem uma ideia nós fomos da 1ª a 12ª missão em mais de 20 partidas de boas.

A Tripulação é um jogo pra lá de brilhante, mereceu e muito o prêmio e vale muito à pena ter na coleção, não veio em um preço muito caro pela Devir e dá pra mesmo depois de terminada as 50 missões começar tudo de novo, pois cada partida tem uma pegada totalmente diferente devido aos valores que saem e a mão de cada jogador.

"No espaço, ninguém pode ouvir você gritar",
mas você pode dar uma dica.
 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Alhambra


Nesse jogo somos construtores na Europa e Arábia tentando construir a mais bela Alhambra, mas para isso precisamos pagar a mão de obra com o dinheiro local de cada trabalhador, o que nos dá algum trabalho durante o jogo.

Inicialmente cada jogador receberá um chafariz central, que o ponto de partida da sua Alhambra, além disso temos o mercado onde serão abertos 4 tiles debaixo de cada um dos quatro tipos de dinheiro existentes no jogo e também temos o banco onde são colocados os dinheiros.

Antes de falarmos um pouco sobre as mecânicas, vale salientar como funciona essa relação do dinheiro com a compra dos tiles.

No mercado, os vários tipos de dinheiro para pagar
a construção dos prédios. Foto BGG.

Existem 6 cores de tiles e 4 cores de dinheiro, ao abrirmos os tiles no mercado eles vão ficar sempre correlacionados com alguma das cores, e só poderemos usar o dinheiro certo na hora da compra, então um dos grandes lances do jogo é termos uma variedade monetária, além de dinheiro trocado.

O objetivo do jogo é crescermos nossa Alhambra para assim durante as três fases de pontuação do jogo, podermos estar na frente ou disputando cada uma das 6 cores de edificação.

A rodada funciona da seguinte maneira, o jogador da vez tem uma ação a ser feita dentre pegar dinheiro, comprar tiles de prédios ou construir/modificar um prédio que esteja no seu tabuleiro de provisão.

Na ação de pegar dinheiro você pode pegar uma carta de valor alto, ou moedas (não importando a cor) cujo somatório não ultrapasse 5.

Existem 4 cores de dinheiro, e você precisa ficar
ligado para ter uma variedade em mãos. Foto BGG.

Já na ação de compras é onde o jogo pega fogo, pois você vai ao mercado comprar tiles para sua Alhambra e o jogo te dá uma possibilidade muito interessante, pois se você pagar o valor EXATO do tile, terá direito a fazer uma nova compra, mas como o mercado só se reabastece ao final do seu turno, com um planejamento legal você pode conseguir 4 tiles de uma vez só.

A colocação dos tiles na Alhambra é muito importante, primeiro tem a regra que que você sempre precisa encostar uma face com areia ou muro para poder colocar a nova peça e a outra coisa é que você tem que conseguir chegar ao novo prédio "andando" pela areia, então os muros não podem nunca bloquear esse caminho e o jogo vai se desenvolvendo dessa forma até que temos as rodadas de pontuação.

No setup inicial são colocadas duas cartas dentre as cartas de dinheiro, quando elas aparecem existem a primeira e a segunda rodada de pontuação que são baseadas na quantidade de prédios que cada jogador tem em cada uma das 6 cores.

Conforme sua Alhambra cresce, tente sempre
crescer seus muros e ter prédios de cores diferentes.
Foto BGG.

Na primeira pontuação só o primeiro colocado ganha pontos, na segunda os dois primeiros e na rodada de pontuação ao final do jogo, os três primeiros em cada uma das cores pode ganhar uns pontinhos.

Além disso cada jogador vai receber pontos pela sua maior extensão de muros e saber colocá-los durante o jogo pode render pontos muito importantes caso você esteja indo mal em alguma das cores de prédio.

O jogo acaba quando ao final do turno de algum jogador não houverem peças de prédio para serem repostas, assim acontece a terceira rodada de pontuação e quem tiver o maior somatório é o vencedor.

Alhambra é um daqueles euros clássicos, super inteligentes, gostosos de jogar e que volta ao mercado brasileiro pela Devir numa versão com design um pouco diferente e com uma torre bacanuda para colocar os tiles e é um jogo que todos deveriam conhecer.

A versão nova da Devir traz diferenças visuais
além de ter a torre-dispencer. Foto BGG.
 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Formula D


Apesar de ser meu TOP1 em jogos de corrida (aqui o link pro TOP3), eu ainda nunca tinha feito uma matéria legal sobre o Formula D (nem para o Formula Dé) aqui para o site, então vamos hoje corrigir essa falha falando desse que é o meu jogo preferido do estilo.

Lançado originalmente lá fora em 1991 como Formula Dé, em 2008 ganhou uma versão renovada bacanuda, mas apenas agora em 2020 ele chegou ao Brasil pela Galapagos Jogos.

No Formula D somos pilotos numa disputa acirrada pelas primeiras posições em pistas de alta velocidade, e para fazer os carrinhos andarem pela pista, usamos dados que vão desde o D4 (na primeira marcha com velocidade de 1 a 4) até o D30 (na sexta marcha que vai do 21 ao 30).

Você rola o dado da marcha atual e precisa andar
todas as casa indicadas.

Os jogadores escolhem seus carrinhos, pegam seu painel de comando que marca a caixa de marcha, além dos pontos de estrutura do carro e uma vez posicionados no grid de largada, começa a corrida.

A estrutura de cada roda é muito simples, o jogador mais à frente na pista começa e tem algumas opções para o seu carro, mantendo, aumentando ou reduzindo a marcha.

Uma vez que ele decide por manter ou aumentar, ele pega o dado referente a marcha e rola, tendo que obrigatoriamente, andar todas as casa que saírem no resultado da rolagem.

Caso ele decida reduzir, ele pode descer apenas uma marcha sem maiores problemas ou dar uma descida brusca, perdendo pontos de estrutura, para assim depois fazer o rolamento.


O seu painel de comando, indica a marcha,
além dos pontos de estrutura.
 

Mas por que ele faria uma redução brusca? Bem, as pistas do Formula D tem retas e curvas. Nas retas o jogador pode descer o pé que não tem problemas, mas as curvas tem uma quantidade definida de quantas rodadas você precisará para passar por ela, então não adianta vir numa marcha muito alta, ou você pode perder a tangencia e acabar perdendo muitos pontos de estrutura.

Outra coisa que faz com que você perca esse preciosos pontos, é terminar o seu movimento em espaços adjacentes ao lado ou atrás de algum outro carro, isso faz com que os jogadores envolvidos precisem rolar um dado preto que pode possivelmente trazer perda de estrutura.


Pra quem gosta de jogos com rolamento de dadinhos,

Formula D é um daqueles que agrada um bocado.

Simples dessa forma, o jogo base do Formula D termina quando o primeiro jogador cruzar a linha de chegada, mas o jogo ainda oferece outras formas mais avançadas de jogo, podendo usar mais voltas, a variante de street racing e o painel mais detalhado, que para quem jogou o Formula Dé antigo, é bem familiar e muito mais estratégico na hora dos danos.

Como falei lá no início, eu sou fã demais desse jogo, acho que a simplicidade dele é um atrativo além de ser extremamente divertido de jogar com a turma, podendo chegar até a 10 jogadores simultaneamente, o que garante um mesão muito bom.

A versão da Galápagos traz duas pistas no jogo base, mas os parceiros da Acessórios BG tem umas 40 pistas em lona, além do pódium em 3D para deixar seu jogo ainda mais charmoso.


Se você não fizer as paradas indicadas na curva,

pode perder muitos pontos de estrutura.
 

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Ludoteca Básica : Jaipur


Finalmente chegando ao Brasil pela Galápagos Jogos, em Jaipur dois jogadores competem pela preferência do Marajá, e para isso precisam ser os melhores comerciantes e ganharem os Selos de Excelência para terem tal privilégio.

Criado por Sébastien Pauchon (mesmo autor do ótimo Jamaica), aqui temos um jogo de cartas onde existem seis tipos de especiarias para serem comercializadas, e os camelos que servem como coringa mas também são um bem valioso.

Cada jogador recebe inicialmente uma mão com 5 cartas, os camelos que vierem nessa mão inicial são separados e você fica apenas com as especiarias, além disso é feito um mercado no centro da mesa, com cinco cartas abertas e com tokens que são o dinheiro e a forma de ao final da rodada você conquistar o Selo de Excelência.

O mercado onde tentamos pegar os melhores itens
antes do outro comerciante.

Na rodada o jogador pode fazer apenas uma entre quatro ações : comprar uma carta do mercado (que é reposta automaticamente), comprar todos os camelos do mercado, trocar especiarias e camelos por outras especiarias do mercado ou vender seus produtos.

O lance aqui é você conseguir maximizar suas vendas tentando vender a maior quantidade antes do seu oponente, pois quanto mais cedo, maiores os valores de venda.

Outra coisa interessante do Jaipur é o gerenciamento dos camelos. A sua mão pode ter no máximo sete cartas, mas como os camelos ficam à parte, eles são uma excelente forma de trocar, e ainda valem cinco pontos ao final para quem tiver a maior cáfila.

 Os tokens que são a parte mais importante do jogo,
conseguir os melhores é primordial.


O jogo alterna entre os dois comerciantes até que três cores de tokens acabe ou não se consiga mais colocar novas cartas no mercado, encerrando assim a rodada automaticamente.

O jogador com a maior quantidade de camelos ganha token de pontuação, somam-se todos os pontos em tokens e quem tiver a maior pontuação recebe um Selo de Excelência, quem conseguir recebe o segundo selo é o vencedor.

Jaipur é daqueles jogos elegantes, com regras simples mas com uma curva estratégica super alta, quanto mais você jogar, mais vai se apaixonar por ele, e isso vem de um cara que a primeira vez que jogou não deu nada pelo jogo, mas agora depois de mais de 10 partidas já o considera Ludoteca Básica.


O jogador com a maior quantidade de camelos,

recebe um bônus importante ao final da rodada.
 

terça-feira, 19 de maio de 2020

Dissecando o Tribune


Lançado em 2007 pela Fantasy Flight e criado pelo designer alemão Karl-Heinz Schmiel, Tribune é um euro de alocação de trabalhadores onde somos patrícios de renomadas famílias de Roma e trabalhamos para conseguir mais influência.

No jogo base, que comporta de 2 a 5 jogadores, temos um tabuleiro central com sete espaços onde serão colocadas cartas e onde iremos com nossos trabalhadores para consegui-las.

Essas cartas são a alma do jogo, são usadas para influenciar o Senado, a Plebe, os Pretórios entre outros, e são requisitos para vencermos o jogo além de darem vantagens durante a partida.

As cartas são super importante, e para conseguí-las
vocês precisa usar sua família.

O jogo funciona em trêss fases distintas, na primeira os jogadores vão alocar seus trabalhadores nos espaços do tabuleiro, alguns espaços deixam as cartas oferecidas abertas e você só precisa pagar para pegá-las, em outros há uma disputa entre os trabalhadores e também espaços onde a carta será "surpresa".

Além dos espaços para pegar as cartas, os jogadores também podem (e devem) colocar trabalhadores na disputa do controle das sete casas de influência do jogo, nesses espaços existem sempre lugar para dois jogadores.

Uma vez que todos os jogadores não tem mais trabalhadores, vamos resolvendo cada um dos espaços numerados, com os trabalhadores voltando para a mão dos seus donos, com as devidas recompensas de acordo com o que o espaço oferece.

Você precisa ir com os trabalhadores para
tentar influenciar as facções.

Uma vez que isso é resolvido, começa a disputa pela influência, aqui o bicho pega, pois é nesse momento que as cartas são usadas.

Cada espaço tem seu conjunto de cartas numeradas, para conseguir o controle daquele espaço você precisa colocar uma quantidade em valor de cartas, e para pegar o controle posteriormente de um outro jogador você precisa superar esse valor ou superar a quantidade de cartas utilizadas.

Nesses espaços nós conseguimos uma série de benefícios que vão ajudar na resolução dos objetivos do jogo. Conseguimos lauréis, favores dos deuses, legiões e assim que um determinado jogador cumprir uma quantidade de objetivos, o jogo acaba.

A expansão traz um novo tabuleiro, novos desafios e
uma forma de jogar diferente dos outros jogadores.

Em 2008, a editora investiu em uma expansão, que trazia a casa Brutus, onde um sexto jogador fazia seu jogo de forma totalmente diferente dos demais, além de trazer um novo tabuleiro anexo para o jogo base com novos objetivos e uma dinâmica diferente com a inclusão dos escravos, e que deixava o jogo que já era excelente ainda melhor.

Tribune é um jogo de observação, gerenciamento e pernadas muito inteligente e dinâmico, já falei dele aqui no site em alguns momentos, pois é um daqueles jogos que pouca gente conhece mas merece um destaque.

Ele ficou fora de catálogo por anos, sendo totalmente esquecido pela Fantasy Flight, mas agora voltou repaginado, com nova arte, por nova editora numa versão completa.

Esse novo Tribune está em campanha pelo Kickstarter conseguindo ser financiando antes da primeira hora de campanha, e já vem completinho com o jogo base e expansões antigas além de regras revisadas, o preço é um pouco salgado para nós, ainda mais com o frete, mas se você tiver condições, é um excelente jogo.
A nova versão chega pra trazer de volta esse jogaço.

https://www.acessoriosbg.com.br/&utm_source=eaitemjogo

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Ludoteca Básica : Pega em 6!


Lançado originalmente em 1994, em Pega em 6! você precisa ir colocando cartas da sua mão em linhas mas tomando cuidado para não estourar essa linha e pegar as famigeradas "vaquinhas" e acabar com uma pontuação bizarra. Parece simples, mas ele te dá mais pernadas do que você imagina.

O jogo tem um baralho que vai do número 1 ao 104 com quantidade de "vaquinhas" que são os pontos negativos, podem caber até 10 pessoas jogando e inicialmente você separa quatro cartas para serem as linhas do jogo e distribui 10 cartas para cada jogador.

Uma vez que o setup está preparado a rodada funciona da seguinte forma, os jogadores olhas suas cartas e separam uma secretamente para colocar nas linhas, quando todos tiverem separado suas cartas, elas são abertas e colocadas nas linhas.

 As linhas crescem numericamente e você
precisa ficar ligado pra não colocar a sexta carta.

A regra de colocação é bem simples, elas são avaliadas da menor para a maior, e precisam ser colocadas em ordem crescente junto ao valor mais próximo das cartas previamente colocadas, sendo assim corre o risco de uma das linhas estar com um 29 e ir direto para um 62, dependendo das cartas colocadas pelos jogadores.

Além disso, se o jogador coloca uma carta inferior a qualquer uma previamente jogada, ele é obrigado a comprar uma das linhas, o que pode ser uma jogada estratégica para pegar poucas vaquinhas ou uma tremenda cagada.

O grande lance do Pega em 6! é que, como diz o nome, quando a linha recebe a sexta cartinha, essa carta vira a primeira da fila e o jogador que a colocou na rodada leva as outras cinco para si, e elas vão contar negativamente no final.

 As vezes você precisa ficar segurando cartas até o
último momento, para não ficar cheio de "vaquinhas".

Quando as 10 cartas forem jogadas, os jogadores somam as suas vaquinhas, se por acaso alguém estourou 66 vaquinhas o jogo acaba e quem tiver a menor quantidade de vaquinhas é o vencedor, caso ainda não tenha estourado esse valor, embaralha-se tudo, 10 cartas novas são distribuídas e uma nova rodada se inicia.

Pega em 6! é daqueles jogos pequenos obrigatórios na sua coleção, ele já teve uma versão brasileira que saiu pela Copag, mas essa versão da Paper Games é a que você precisa, pois como eles trouxeram a edição comemorativa de 25 anos, além do jogo básico ela vem com um monte de pequenos extras para dar uma apimentada num jogo que purinho já é excelente.

A versão da Paper Games veio caprichada.
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