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terça-feira, 1 de julho de 2025

Última rodada do E aí, tem Jogo?

Bem, tudo que começa está fadado a ter seu final e acho que finalmente é hora de encerrar o blog depois de quase 18 anos de atividade.

Nesse tempo todo estivemos juntos de editoras que nasceram e cresceram, outras que acabaram, outras tantas que ralam um bocado para conseguirem se manter no mercado cada vez mais competitivo.

O lance é que da pandemia pra cá o número de canais/influencers aumentou de uma forma que nem dá pra acompanhar direito e a esmagadora maioria produzindo material audiovisual acabam fazendo com que as editoras decidam investir e firmar parcerias com eles.

Lá em 2009 o blog ainda com a logo antiga e com calendário de eventos.

Com isso vimos o nosso trabalho escrito cada vez menos influente e interessante aos olhos das editoras e como o mercado está realmente crescendo também fica difícil acompanhar os lançamentos e divulgar e fazer conteúdo sem parcerias.

Somado a isso termos que estar sempre jogando coisas novas e abrindo mão de sentarmos com os amigos para jogarmos jogos que realmente nos dão prazer de jogar estava começando a impactar também na minha vontade de jogar.

Como eu realmente gosto do hobby prefiro terminar meu blog e voltar a me divertir em jogar novamente.


Na ABRIN de 2011 pela primeira vez cobrindo um evento como Imprensa.
 

Percebi inclusive durante o Diversão Offline que eu estava lá mais para rever os amigos que eu fiz nesse tempo de jogatina do que para testar jogos novos, tanto que eu só sentei para jogar um jogo.

É muito legal repassar esse tempo e ver que de alguma forma o blog ajudou ao desenvolvimento do hobby, ter sido ganhador duas vezes do prêmio Ludopedia também nos deu muita alegria assim como ser reconhecido nos eventos com a galera pedindo para tirar foto e falando o quanto gosta do blog.

Mas a verdade é por conta dessa sumida das parcerias e da falta de incentivo falta tesão para escrever e acho que tá na hora de usar o tempo que eu tenho para voltar a aproveitar as jogatinas.


Meus dois prêmios Ludopedia, motivo de orgulho.

Agradeço do fundo do coração a todos que apoiaram a nossa produção de conteúdo, aos canais que fazem um trabalho sério e estão aí no corre há tanto tempo sempre ajudando direta ou indiretamente para que a gente tente melhorar e principalmente a quem nesses quase 18 anos leu o que a gente escreveu, se chegamos até aqui é porque vocês estiveram juntos senão já tinha parado há muito tempo atrás.

Mas vocês não vão ficar livres de mim não, o blog vai parar mas continuarei postando no instagram — nesse link — as jogas, o que eu jogar de novidade e achar que vale à pena um textinho ficará escrito por lá.

É isso, obrigado a todos pela atenção dispensada, continuem jogando e fazendo o hobby crescer. Game on!


And in the end
The love you take
Is equal to the love you make

terça-feira, 24 de junho de 2025

10 anos de Diversão Offline


Nesse fim de semana dos dias 20 à 22 de junho aconteceu em São Paulo a edição de 10 anos do Diversão Offline que pelo primeiro ano foi no Expo Center Norte, um pavilhão gigante para abrigar a maior feira de jogos de tabuleiro da América Latina.

Diferente de anos anteriores tivemos 3 dias de eventos onde o primeiro foi dedicado aos negócios e também ao povo de criação de conteúdo.

Seria também um dia para as crianças com escolas indo ao evento, mas houve um problema com a liberação de transporte e infelizmente elas não puderam ir o que impactou nas editoras que tinham se preparado para recebê-las.


Prometeram e cumpriram : A maior de todos os tempos.

Para nós da criação de conteúdo foi uma oportunidade excelente para irmos em todos os estandes sem o corre-corre dos dias entupidos de gente e até mesmo para as editoras conversarem entre si e receberem com calma os designers, então foi uma tremenda adição ao evento (coisa que já era pedida há anos).

Mas foi no sábado que pudemos ver o quanto o evento se agigantou, dez mil pessoas foram esperadas e no pico do dia pudemos ver que a mudança pro Expo Center Norte foi super acertada pois mesmo nesse momento a circulação nos corredores e mesas era super boa.

O problema é que esse crescimento precisa também ter reflexo na forma de atender um público cada vez maior e a entrada mais um vez foi caótica com filas absurdas e relatos de amigos que demoraram de 2 a 3 horas para poderem entrar no evento.


Isso era a fila já perto do balcão, fora do pavilhão ela tava bem maior!

As editoras por sua vez capricharam nas mesas com jogos rolando o tempo todo, algumas cresceram com estandes maiores que ano passado outras mantiveram o padrão mas com muita qualidade tirando bastante proveito da quantidade de gente circulando.

Surpreendentemente a Galápagos (hoje Asmodee) além de ter diminuído de tamanho do seu estande ainda estava com mesas que precisavam ser pré-agendadas, mas ainda assim foi um estande bastante movimentado como era de ser esperar da maior empresa do mercado.

Outra surpresa desse ano foi o crescimento da galera de RPG, eu já vinha notando isso nos últimos anos mas especialmente nesse DOff via-se muitas editoras, ativações, galera de cosplay, várias mesas rolando o tempo todo inclusive uma na sala de palestra com a participação do pessoal do Choque de Cultura.


A galera do Choque de Cultura jogando RPG.

O que cresceu bastante também foi a participação de autores nacionais tanto em quantidade quanto em qualidade dos jogos e de forma que em praticamente todas as editoras, sejam grandes ou independentes, tínhamos jogos brasileiros.

Como tem sido desde as primeiras edições, tivemos presença internacional, esse ano teríamos dois designers mas infelizmente o grande Vlaada Chvátil não pode vir, mas figurinha fácil em todos os dias de DOff o Friedemann Friese parece ter curtido muito e foi muito solícito com todos que pararam para falar com ele.

Sobre a sala de palestras não sei se pelas dimensões do pavilhão ou se foi só impressão minha, mas me pareceu menor que a do ano passado.


Gente como a gente, o Friese ficou passeando e aproveitando a feira.

Na sexta-feira ela abrigou o SimDOFF, um simpósio sobre educação que esteve bem cheio e parece ter sido bastante interessante, infelizmente não pudemos entrar para cobrir (precisava de inscrição prévia), mas espero que tenha sido um sucesso pois a galera que organizou é super competente.

O domingo como nos outros anos é mais tranquilo mas ainda assim tivemos muita gente rodando o pavilhão e deu para notar que ano após ano a quantidade de novos criadores de conteúdo (sejam canais de jogos ou influencers que jogam) vem aumentando esponencialmente, via-se sempre alguém segurando um celular entrevistando, falando sobre determinado estande ou fanzendo as indefectíveis atuações para reels e tiktoks.

No sábado consegui ir na ativação mais legal de todo o evento, um Escape Room do Catan que foi uma parada super temática, o pessoal da Cativeiro Escape Game conseguiu fazer uma brincadeira de 15 minutinhos com vários elementos do jogo fazendo super sentido e de forma que funcionasse legal dentro do evento, foi muito maneiro mesmo.


O Escape Room do Catan foi IRADA, super temática e divertida.

Achei que a parte de alimentação estava razoável, tinham uns food trucks com preços altos mas outros mais acessíveis, o grande problema era mesmo no horário de pico, aí foi mesmo caótico mas nada que tirasse o bom humor da galera que eu conversei.

Pessoalmente enquando blog eu gostaria de agradecer ao DOff também pelo espaço dado ao pessoal de imprensa, a sala tinha lockers para colocarmos nossas coisas, várias comidinhas, mesas com alguns jogos expostos para jogarmos enquanto dávamos aquela descansada.

Vale também falar de todo o staff do Diversão Offline, uma galera apaixonada que rala pra cacete para que o evento aconteça, os "amarelinhos" mais uma vez fizeram o (im)possível para que o evento funcionasse da melhor forma possível.


Realmente uma edição MEMORÁVEL.

No geral a edição de 10 anos do Diversão Offline teve um saldo positivo, como a Fernandinha mesmo avaliou um 8,5 já eu não tenho do que reclamar, para mim é um evento nota 10, vou ao DOff para falar com amigos que vejo uma vez por ano, trocar ideia com quem eu dificilmente tenho contato pessoalmente e acaba que praticamente não jogo, como bem diz o Fabrício do After Match eu sou um "emocionado" e é bem isso, para mim o Diversão Offline é um momento de estar com pessoas mais do que queridas conversando sobre coisas em comum, e se der tempo a gente até joga.

*Queria dedicar essa postagem ao querido amigo Fel Barros que esteve à frente do estande da Samba Estudios e que no domingo perdeu sua mãe Dona Evanilde.


Grande amigo Fel, um abraço pra você.
 

quarta-feira, 5 de março de 2025

TOP3 Carnaval

Hoje termina no Brasil mais um Carnaval, essa que é uma das festas mais conhecidas lá fora e que é uma das representações culturais mais brasileiras com diversas atrações país com suas peculiaridades em cada estado mas que apesar disso tudo foi pouquíssimas vezes contada no tabuleiro.

Desde que eu comecei no hobby alguns autores até tentaram passar para a mesa a sensação de estar no comando de uma escola de samba, lembro do Ziriguidum do amigo Leandro Pires que teve alguns protótipos mas não foi pra frente.


Ziriguidum tinha bastante potencial, pena que não vingou.

Mas ainda assim consegui (meio que dando uma roubada) três jogos que tem o tema samba e carnaval para homenagear esse que é uma das festas mais inclusivas do país, que leva todas as classes sociais a esquecerem um pouco da vida e brincarem nesses quatro dias.

A primeira citação é bem roubada, trata-se do Zombicide : Rio Z Janeiro, criado por uma galera brasileira que trabalha na CMON traz uma campanha de 10 cenários que começa exatamente durante o carnaval no Rio de Janeiro e tem personagens e localidades que são bem típicos dessa festa.

O segundo jogo já tem uma pegada bem mais consistente com o tema, em Roda de Samba do amigo Valter Bispo temos esses encontros de sambistas que são tão típicos do Rio de Janeiro, aqui vamos encontrar personagens que fazem parte da história do samba nacional.

O mais legal do Roda de Samba é que além de ser um jogo muito bacana tem uma pegada educacional muito interessante sendo o primeiro projeto que foi à financiamento coletivo onde você prioritariamente contribuía não para que o jogo chegasse para você, mas que fosse distribuído em escolas e centros culturais.


Roda de Samba : Um projeto maneiríssimo de um jogo super temático.

Mas precisou um canadense de alma brasileira para fazer o melhor jogo sobre o tema, Carnavalesco do amigo Ron Halliday traz para a mesa de forma lúdica as disputas na avenida, os jogadores vão correr atrás de dadinhos coloridos para assim montarem suas escolas de samba e serem a grande campeã dos desfiles.

Com mecânica de seleção de dados, arte super caprichada e jogabilidade excelente já disse e repito novamente, pra mim é um jogo com o mesmo feeling mas superior ao badalado Sagrada e talvez não tenha feito mais sucesso por ser jogo "brasileiro".

Essa foi minha listinha, fica ainda a citação ao amigo Fel Barros que apesar de ter batizado sua editora da Samba Estúdios ainda não lançou nenhum jogo com o tema, mas estamos aqui de olho para cobrar e quem sabe em breve teremos muitos mais jogos de um tema que dá samba.


Carnavalesco : O melhor jogo sobre o tema (até agora).

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

"Session Reports" de volta

Como comentei na Retrospectiva de 2024, eu tenho voltado a jogar mais dos jogos que estavam pegando poeira na prateleira e tem sido muito gostoso revisitar grandes clássicos ou simplesmente perceber que alguns envelheceram mal e podemos esquecê-los.

Mas e como eu posso ajudar aos novos jogadores com esses jogos que eu já resenhei? Bem, de tempos em tempos eu vou fazer um Session Reports falando dos clássicos que viram mesa e deixando minha opinião atualizada e também o link caso eu já tenha escrito alguma coisa sobre eles, espero que vocês gostem.

El Grande : Quem é rei, nunca perde a majestade

De dezembro até a jogatina de ontem já viram mesa alguns jogos que estavam meio perdidos nas prateleiras dos amigos, dois jogos do mestre Wolfgang Kramer se destacaram, o El Grande (1995) que esse ano completa 30 anos e pra mim nunca perde a majestade e o Tikal (1999) outra obra-prima no quesito controle de área.

Não posso deixar da falar da partida de Brass (2007) que rolou também, esse é outro dos jogos perfeitos que estão em outro patamar de design e as versões que a Conclave chegou a trazer pra cá são lindas demais e se você tiver oportunidade de pegar qualquer uma das duas, não bobeie.


Endeavor : Um daqueles grandes jogos para mesa cheia.

Um que é uma ótima opção para mais de 4 jogadores sem perder o brilho (e sem ser muito longo) é o Endeavor que originalmente saiu em 2009 mas que recebeu uma versão linda demais em 2018 e que chegou a ser vendida no Brasil (pela Ludofy).

Outros que continuam divertidos mas que não são pra jogar toda hora são o Starfarers of Catan (1999) (ou carinhosamente apelidado de "Punheteiros" de Catan devido a inusitada forma de descobrir a quantidade de movimento da sua nave) e o Tribune (2007).

Não que sejam mal jogos, muito pelo contrário, mas é porquê percebe-se que hoje eles tem elementos que já estão batidos e fazem o jogo acabar demorando demais (ou de menos).


Starfarers : Um Catan diferenciado, ainda divertido (mas um pouco ultrapassado).

Dessa leva de jogos revisitados teve também o "fecha sessão" que é o Fist of Dragonstones (2002),  de 2002 de dois autores que eu gosto que são o Bruno Faidutti e o Michael Schacht e que um cardgame de leilão cheio de cartinhas marotas e que é uma pena nunca ter vindo para o Brasil.

De decepção o Age of Mythology (2003), aqui apelidado de "Egito, Egito" que eu lembrava ser chato, mas cara, ele é muuuuuito mais chato do que eu lembrava na realidade, mas da turma eu acho que não sou unanimidade em não gostar dele e também no reveillon rolou uma partida de Dixit Odissey (2011) em 10 pessoas que deu uma reafirmada o quanto eu não curto muito esse jogo.

É isso, aqui embaixo vou deixar os links de alguma coisa que eu já tenha escrito sobre os jogos citados caso vocês tenham interesse em conhecer mais sobre eles.


Age of Mythology : Não se deixe levar pela carinha bonita, é um jogo que envelheceu mal.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Retrospectiva 2024

É isso amigos, mais um ano se passou e acabou que esse foi um ano atípico para mim e em consequência para o blog.

Joguei menos do que de costume, escrevi (muito) menos do que em anos anteriores e devo isso ao fato de estar meio cansado de a cada dia ver o espaço dos produtores de conteúdo escrito ir diminuindo tanto em "prestígio" junto as editoras quanto mesmo junto ao povo que consome, o resultado disso é um desânimo danado em continuar e isso reflete nos números de postagens.


Ano em que os "velhos" apareceram mais, isso serve pros jogos e pros amigos.

Mas em contrapartida o meu lado jogador acabou ganhando um rejuvenescida, pois tirando cada vez mais a "obrigação" de precisar jogar os jogos novos o tempo todo tenho conseguido jogar com mais prazer, revisitei muitos jogos que não viam mesa, conheci outros estavam esquecidos e o mais legal, voltei a estar mais com a turma que me fez ficar apaixonado pelos jogos de tabuleiro.

Enfim, um breve desabafo mas vamos aos destaques (e decepções) de 2024.

Os jogos mais pesados sempre me chamam atenção e esse ano joguei umas coisas bem bacanas mas nenhum dele me despertou paixão tão grande como o Revive, que jogo maravilhoso, tive a chance de jogar uma edição já com expansão de um amigo e logo corri atrás da minha cópia (valeu Alquimistas dos Jogos).

Inferno é um que chegou agora no final do ano e entrou logo na segunda posição do meu ranking de 2024, que jogaço, gosto do "caminho das almas" e do woker-placement dele.

A terceira posição foi mais difícil de decidir, muitos ficaram ali empatados mas pela forma, produção e desenvolvimento do jogo o Pax Pamir vai fechar o pódium, mas poderiam estar nessa colocação jogos como Minos, White Castle, Delta, Êxodo, 3 Ring Circus e Acquire.

Nos jogos nacionais acabou que joguei mais protótipos do que jogos prontos esse ano, mas muita coisa legal vai sair até por conta de uma participação mais aguda da galera do Meeple Starter dando uma ajuda legal aos projetos.

Meu primeiro lugar fica com o Persona Non Grata do mestre Sergio Halaban, joguinho gostoso de cartas com umas sacadas muito inteligentes e que saiu pela Dijon Jogos esse ano.

Em segundo coloquei um protótipo mas que em breve já vai estar chegando nas mesas, o Dez Pragas do Egito do Marcos Macri, outro dos autores nacionais que estão aí na batalha a bastante tempo fazendo acontencer.


Sergio de passagem pelo Rio para apresentar o Persona.

E fechando a lista o Tributo a Mondrian do Danilo Valente, que me pega por dois motivos, primeiro por ser um  um dos meus artistas preferidos como também ser um jogo de "qualquer coisa and write" que eu sou fã de carteirinha, aí não tinha como não estar na minha lista.

Mas sempre tem aqueles jogos que a gente joga acaba se arrependendo de ter gasto tempo neles, eu vou colocar nessa lista o Zapotec e o Mindbug entre os que eu joguei pela primeira (e única) vez e também um que eu revisitei pra nunca mais, o Age of Mithology, rapaz como envelheceu mal esse aqui.


Jogando um Revive em um dos Churras Game desse ano.

Nos eventos sempre destacando o Diversão Offline cada vez maior, mas foi um ano em que me diverti mais nos eventos locais com a minha filhota que tem me acompanhado nas jogas das queridonas da Rainbow Meeple e no Se Joga, também tem o Churras Game que é um evento que eu gosto muito de ir com comida farta e muitos jogos.

É isso, embora aos trancos e barrancos chegamos ao final de mais um ano lúdico, acho que ano que vem tento dar uma injeção de ânimo pra escrever mais, até quem sabe revivendo as postagens de "session reports" quando jogarmos as velharias que acho que valem à pena o público que tá chegando novo conhecer.

ATÉ 2025 E BOA VIRADA DE ANO PARA TODOS!!!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Acquire e o jogos que souberam evenlhecer

Ontem joguei finalmente um dos grandes clássicos dos jogos de tabuleiro, trata-se do Acquire, um jogo de 1964 do mestre Sid Sackson e que de lá pra cá teve poucos ajustes de regras, umas versões lindas e até as indefectíveis versões "pirata" nos anos 70/80 no Brasil.

No jogo somos especuladores imobiliários vendo empresas construindo redes de hotéis, especulando com as suas ações e vendo as maiores "comerem" as menores no grande "ciclo da vida" das empresas.

O tabuleiro é uma matriz com letras e números, os jogadores recebem inicialmente uma quantidade em dinheiro e 5 peças referentes a espaços no tabuleiro, na sua vez você deve colocar uma dessas peças no tabuleiro e se duas ou mais estiverem adjacentes você funda uma empresa.


Versão da Galápagos tá muito bonita e o jogo é muito bom!

A sacada do jogo está no fato que se por acaso uma peça a ser colocada junta duas empresas a maior absorve a menor que deixa de existir (por enquanto) e os acionistas vão ganhar dinheiro com as ações que tem dela.

Ao final do jogo quem for o investidor com mais dinheiro é o vencedor, simples assim.

E é nessa simplicidade que o jogo com mais de 40 anos se mantém no mercado não só recebendo sempre versões atualizadas (algumas com componentes lindíssimos) como também serve de inspiração para mecânicas de jogos mais atuais como o Foundations of Rome.


Cartel foi a versão "abrasileirada" do Acquire lançada lá nos anos 70.

Nesse ponto vale ressaltar que não é porque o jogo tem certa rodagem que ele envelheceu mal, ontem na jogatina que rolou o Acquire jogamos ainda o El Grande (de 1995) que é outro excelente exemplo de jogo que continua lindo de jogar, mesmo caso do Catan (também de 1995) que foi o grande responsável pela retomada dos jogos de tabuleiro e que ainda é referência.

Obviamente existem os casos de jogos que já foram febre e que envelheceram igual leite como Monopoly e RISK, embora esse segundo tenha recebido updates e novas versões durante os anos para corrigir coisas (como no ótimo RISK 2210).

Acquire chega então na sua versão mais atual no Brasil com uma edição super caprichada e que torço para que chegue na mesa de muitos jogadores para que possam ter acesso a um jogão de regras simples, gostoso de jogar e que se provou capaz de atravessar gerações. 


Eu sempre defendo o El Grande como jogo que envelheceu sem perder o brilho.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

TOP3 : Terror da Coleção


Eu poderia fazer um TOP de jogos assustadores para o seu halloween, mas se você procurar bem pelo blog já fiz isso algumas vezes, então esse ano eu resolvi assustar você de verdade e criei um TOP3 de coisas que você pode passar com a sua coleção é que deixarão você de cabelo em pé!

Mas não se preocupem que eu também darei dicas para que dentro do possível você possa evitar tomar esses sustos, então prepare seu coração e vamos lá.

Acho que a primeira coisa que certamente assusta os colecionadores é abrir um jogo e perceber que ele está com algum componente faltando, seja porque você não guardou direito ou seja porque o cachorro comeu e você não viu mas certamente é uma sensação horrível.

Para esse tipo de situação a prevenção é relativamente fácil, você pode optar por organizadores (eu recomendo sempre os da Bucaneiros), ziplocks e principalmente ao final das partidas guardar seus jogos com muito cuidado para não tomar esse tipo de susto.


O segundo susto com certeza você já deve ter visto por aí (se é que já não aconteceu com você), o mofo!

Imagine abrir um jogo que está na estante a algum tempo e perceber que está mofado! Pois é, deixar seus jogos em lugares úmidos ou que não sejam bem arejados podem causar essa desgraceira no seu querido joguinho.

A prevenção aqui é deixar a coleção em lugar arejado de preferência longe de paredes úmidas, colocar saquinhos de silica dentro da caixa também ajuda e caso algum jogo já tenha sido contaminado um bom tratamento com Sanol ajuda a salvar a situação (tem um tutorial bem legal aqui).

 

Agora a pior coisa que eu já vi acontecer na coleção e essa não tem volta é sua casa ser assolada por uma turba furiosa de cupins.

É angustiante ver como fica o jogo depois de atacado e você fica sem ter o que fazer pois uma vez que eles atacam a caixa não sobra praticamente nada, só as peças plásticas, o restante vai ser comido e não tem volta.


Aqui a prevenção é mais complicada, você precisa ficar atento aos sinais de que essas pragas estão chegando na sua casa, aquelas "bolinhas" pretinhas são um sinal claro ou caminho que eles fazem nas paredes, aí é descobrir onde estão e fazer uma descupinização e abrir caixa por caixa pra ver se nada já foi atacado, com sorte você não vai ser pego de surpresa.

É isso, espero não ter disparado nenhum gatilho nos amiguinhos,  mas ficam aí os avisos para que nada terrível aconteça com a sua coleção.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

TOP5 : Falhas Lúdicas (ou novos clássicos que ainda não joguei)


A vida do produtor de conteúdo de jogos de tabuleiro não é só glamour, jogos grátis e viagens internacionais (aliás, tem bem pouco disso aí tudo) e como a gente precisa estar sempre por dentro do que sai e tem muita coisa acontecendo as vezes rola de perdermos algum jogo que acaba virando queridinho de público e crítica.

Muitas vezes a gente acaba correndo atrás e consegue colocar os jogos na mesa, mas tem jogos que a gente vai deixando pra lá e quando vê passam meses e anos até você conseguir jogar (e alguns nem consegue mesmo).


Nemesis era falha lúdica, mas agora já viu mesa.

Eu tô falando isso tudo porque semana passada eu finalmente consegui jogar o Nemesis (que vai ganhar resenha, aguardem) e me dei conta que tinham jogos ainda mais antigos que eu não joguei, então resolvi fazer esse TOP5 até pra ir "ticando".

O Dominant Species é um dos mais antigo dessa lista da vergona, um jogo de 2010 que meus amigos sempre disseram ser um dos melhores com controle de área, o tema também é bacana mas é um daqueles jogos feios que dói e talvez tenha sido uma das razões pra eu nunca ter dado tanta atenção a ele.

O Pandemic Legacy é o mais recente da lista e apesar de não ser um dos meus jogos preferidos (longe disso inclusive) todo mundo que jogou a Primeira Temporada diz que esse é a melhor experiência legacy de todas já lançadas.

Eu realmente curto o lance dos jogos legacy então fiquei curioso e pode ser que eu ainda venha a tentar uma campanha dele em algum momento. 


Considerado a "melhor experiência legacy" ainda não joguei o Pandemic. Foto BGG.

Lançado em 2013 e com versões revisadas nos anos seguintes, o Viticulture é um dos jogos do Stegmeier mais bem colocados no BGG é outro que todos os amigos já tentaram me fazer jogar mas nunca rolou mesmo tendo versão nacional.

E apesar de já ter jogados outros jogos de vinhos (como o Ora et Labora e o Gran Cru) esse acabou passando e nunca consegui jogá-lo.

O problema do Guerra do Anel é um pouco mais complicado, eu sou apaixonado pelo tema, já li as regras diversas vezes, já tive o jogo inclusive, mas nunca consegui separar quatro horas (com boa vontade) para jogar uma partida de um jogo para duas pessoas.

Mesmo na época da pandemia em que eu fiquei isolado com a família a Sociedade do Anel acabou perdendo para "uma galáxia muito distante" e seu Rebellion na hora de colocar um jogo mais demorado para duas pessoas, mas é um jogo que gostaria muito de jogar um dia.


Guerra do Anel precisa de uma mesa gigante, tempo pra um jogo 2p. Difícil, mas quero. Foto BGG.
 

Mas a grande falha lúdica mesmo é o Gaia Project.

Lançado em 2017 ele tinha pelo menos 3 mesas simultâneas em todos os eventos que eu ia, todos os amigos eram viciados nesse jogo e falavam o quanto eu tinha que jogá-lo por gostar do Terra Mystica.

E foi exatamente esse hype doido que me afastou dele, a galera jogava todo o dia, sabia todas as nuances, qual raça era melhor pra qual tipo de jogador e qual a melhor forma de jogar, essas coisas que só os mais viciados fazem.

 
O difícil desse é sentar numa mesa com quem jogou menos de 200 vezes. Foto BGG.

Eu que tenho péssimas experiências em chegar novato em jogos que geral já é cascudo evitei ao máximo o Gaia Project, mas ainda quero dar uma chance pra ele.

Essa é minha listinha da vergonha, obviamente tem muitos outros jogos que eu ainda não joguei, mas acho que esse apanhado vai nos que eu ainda tenho muita vontade de colocar na mesa.