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quinta-feira, 21 de março de 2024

Dissecando : Star Wars Unlimited


E chega ao Brasil o mais novo TCG do mercado, Star Wars Unlimited traz para a mesa alguns elementos que são praticamente fórmula de sucesso : uma franquia de destaque e um jogo colecionável de ambiente competitivo.

Criação do estreante Daniel Schaefer no jogo temos como objetivo principal derrotar a base inimiga, para isso contamos com unidades terrestres e aéreas além de termos um líder que pode ser tanto ligado ao heroísmo quanto a vilania e junto com a base são responsáveis pelo aspecto do seu deck.

Existem 6 aspectos no jogo (nessa primeira coleção) e você geralmente usa 3 para montar seu deck utilizando 50 cartas (além do líder e da base) distribuídas nas unidades de ataque, eventos e upgrades.


Você tem uma mão de cartas com unidades, eventos e upgrades.

A partida de Star Wars Unlimited é realizada em turnos sucessivos onde os jogadores se revezam realizando ações na intenção de derrubar a base adversária, você pode no seu turno baixar cartas, atacar com alguma unidade, usar uma habilidade, pegar a iniciativa ou passar.

Uma das coisas que eu gostei bem do jogo foi o gerenciamento de recursos dele, ao iniciar a partida você compra 6 cartas, duas delas você vai escolher para transformar em recursos e ao final de cada rodada (quando ambos os jogadores passarem) você compra mais duas e uma delas você pode transformar em mais um recurso garantindo que sempre possa aumentar o jeito de baixar novas cartas.

Outro aspecto bacana é o líder, ele é um personagem bem importante do seu deck usando um poder enquanto ele não está ativo e assim que o jogador conseguir uma quantidade de recursos ele pode ir para o campo para ajudar a derrotar a causar danos ao adversário e mesmo que ele seja eliminado ele continua ajudando com o poder que ele tinha anteriormente.


Seu deck é baseado em um líder a uma base que precisa ser protegida.

Mas o que é um bom jogo de TCG sem a porradinha entre os jogadores? Aqui temos dois campos de batalha distintos, as unidades terrestres que podem se atacar entre si e as unidades aéreas que também ficam lá se atacando e a menos que tenha algum poderzinho específico uma não interfere na outra, mas ambas podem atacar diretamente a base.

A partida é essa corridinha para conseguir baixar unidades e tentar detonar a base inimiga primeiro, são partidas dinâmicas e como boa parte dos TCG's montar o deck mais efetivo é o grande barato e onde os jogadores se divertem mais testando formas de surpreender os amiguinhos.

Contando com 252 cartas a Spark of Rebellion é a primeira dos três sets prometidos para 2024 pela Fantasy Flight, a Galápagos optou por trazer o jogo em inglês e não tem intenção de localizar para o português, ao mesmo tempo que evita às indefectíveis zoações em relação a tradução acho que dá uma limitada no alcance, embora os jogadores de TCG já estejam acostumados com isso.


Cada campo de batalha interage entre si de forma paralela.

As artes são todas originais e trazem além dos personagens clássicos dos filmes e séries também abrem o enorme leque que uma das franquias mais conhecidas do mundo tem e isso traz um potencial enorme para futuras expansões que podem se utilizar de uma gama absurda de referências.

Star Wars Unlimited é uma aposta bastante interessante para o formato TCG, ambas as editoras tem o sabre de luz e o queijo na mão para um produto duradouro, só precisam realmente fazer com que o cenário competitivo cresça e compre a ideia e principalmente seja municiado com eventos e torneios para que o jogo seja o sucesso que esperamos.

E para quem já está curtindo as partidas como eu, a Max Jogos já tem playmats em neoprene de 2mm tanto para um jogador quanto para dupla e com o cupom MAXJOGOS10 você tem desconto, clique no banner abaixo e garanta o seu.


O jogo tem potencial e público, basta as editoras colaborarem.
 

quinta-feira, 14 de março de 2024

Dissecando : Packs IRON MAIDEN


Para dar uma contextualizada, em 87 eu mudei para outra cidade e fiz novos amigos, um deles tinha um irmão mais velho com uma coleção absurda de LP's (era como os antigos Maias ouviam música) e foi lá que eu conheci muita coisa boa e dentre os discos tinha o Powerslave entre outros, foi amor a primeira "ouvida".

O Somewhere in Time foi o meu primeiro disco de rock "pesado" e depois disso o Iron Maiden virou uma das minhas bandas preferidas sendo a que eu mais vi ao vivo (8 vezes), então vocês podem ter ideia de como o coração ficou felizinho ao ver esses packs de personagens para os jogos da CMoN que trazem várias fases do Eddie (criatura clássica e símbolo máximo da banda).

São 14 encarnações da criatura que podem ser utilizados nas versões do Zombicide (2ª ed. / Invader / Undead or Alive / Black Plague), Massive Darkness 2, Cthulhu : Death May Die e Ankh.


Pra mim o destaque no Pack #1 é o Eddie Faraó.

O Pack #1 tem o Eddie Ceifador, Faraó, Morto-Vivo, Ciborgue, Soldado e Samurai com as miniaturas e as cartas que podem ser usadas nos jogos, o Pack #2 vem com o Eddie Assassino, Baixista, Múmia, Manicômio, Caçador de Recompensas e o Shaman finalizando com o Pack #3 que traz duas miniaturas, mas elas são maiores, o Eddie de Vime o do Medo.

Todas as cartinhas e até o manual trazem referências às músicas e aos discos da banda, e as regras foram feitas pelo time da CMoN que tem como membros além do Eric Lang uma turma de brasileiros : Fel Barros, Fabio Tola, Rodrigo Sonesso, Alexandru Olteanu, Toi Von Glehn e Marco Portugal.


Você pode usar os Eddies como sobreviventes, mas é mais legal usá-los como abominações.

As interações dos Eddies com as versões dos jogos foram feitas com o intuito de que eles coubessem bem no jogo, ver o Eddie Samurai participando do Rising Sun, o Eddie Caçador de Recompensa no Undead of Alive ou o Eddie Faraó no Ankh parece ser uma coisa inclusive natural.

Eu particularmente achei as três caixinhas muito divertidas, usei apenas o Eddie Assassino (a capa do Killers) como abominação no Zombicide, mas ainda vou brincar com todos e com o tempo vou tentar pedir pra alguém pintá-las.

Só senti falta de cenários pensados para essas expansões, já que estão aí poderiam já ter incluído na caixa um ou outro cenário usando a ideia das músicas, mas tirando esse detalhe acho que para os fãs da série Zombicide (principalmente) e para os fãs da banda as três caixinhas são itens obrigatórios.


O Pack #3 vem só com dois Eddies, mas são caprichados.
 

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Dissecando : Santa Kaos


Ano passado tive a oportunidade de jogar o protótipo do Santa Kaos por conta da sua campanha pelo Meeple Starter, como falei na resenha (clica aqui no link pra ler) ele é um jogo família de regras bem tranquilas e que vai agradar principalmente a molecada e agora no início do ano eu recebi a versão final do jogo e como ele está com uma produção que merece elogios decidi dedicar outra postagem pra ele.

A campanha foi um sucesso e conseguiu um monte de extras que vieram na caixa, mas ao abri-la eu realmente não esperava encontrar um interior todo "fofinho" com o fundo e a tampa forrados com feltro vermelho e verde.


Torre de dados personalizada e um interior de caixa aveludado!

A torre de dados imitando uma chaminé (inclusive com o bumbum do Papai Noel descendo por ela) é muito legal e bastante útil em um jogo de alocação de dados. Outro item bem útil são os porta tokens personalizados muito bonitos e resistentes.

Os componentes seguem o padrão de qualidade da Ludens Spirit, cartonados bem feitos e bem impressos, os punchs boards bastante bons, detalhes em verniz localizado na tampa e no tabuleiro principal, cartinhas com boa gramatura, enfim uma produção que vale o investimento.


As caixinhas para guardar os componentes imitando presentinhos, grande sacada.

Mas acho que o que mais me deixou com vontade de escrever sobre a versão final do jogo foram as caixinhas para guardar os componentes imitando caixinhas de presente, todas muito lindinhas, funcionais e que ao final ficam muito arrumadinhas na caixa do jogo.

Santa Kaos é um jogo nacional criado pelo André Domicciano e que teve um grande sucesso com mais de 120k de arrecadação e que como eu já falei vai fazer sucesso nas mesas de jogos familiares.


A Ludens Spirit dessa vez se superou na produção do jogo.
 

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Dissecando o Agricola 15


Está chegando nas prateleiras brasileiras a versão de 15 anos do maravilhoso Agricola, um clássico do Uwe Rosenberg e que não minha humilde opinião é um dos melhores jogos de todos os tempos tendo figurado no TOP1 do Board Game Geek por algum tempinho.

Recentemente fiz um comparativo da versão revisada lançada pela Galápagos com a primeira edição e nessa matéria agora pretendo falar do que vem nessa caixona que comemora os 15 anos de lançamento do Agricola.

A caixa em si já é um presentão, dividida em dois compartimentos vem com duas bandejas de papel cartão onde você pode colocar os componentes separadinhos facilitando o setup e o manuseio dos mesmos, além disso temos uma caixinha onde são colocadas as cartas do jogo separadinhas por divisórias e que cabem direitinho com sleeves.


As bandejas são uma boa adição a caixa (mas precisam de uma colinha).

Em relação a quantidade de cartas, a caixa de 15 anos vem com 430 divididas entre os já conhecidos decks A e B que vem com "apenas" 240 cartas à mais do que na versão revisada e conta com a chegada de três pequenas expansões que só haviam saído lá fora e estavam fora de catálogo há anos.

O deck X traz 24 cartas que foram originalmente lançadas em 2008 e tem como tema contatos com criaturas extra terrestres que estão ajudando (na maioria dos casos) nesse nobre trabalho no campo.

Já o deck "das fadas" trazem 26 cartas que saíram em 2010 e coloca no jogo fadas, fantasmas, lobisomens e outras criaturas lendárias (inclusive a temida Inquisição Peruana).


O deck X há muito fora de catálogo finalmente revisado e disponível.

O deck L é formado por uma série de cartas que são homenagens a pessoas importantes no desenvolvimento e comercialização do jogo, essas cartas começaram a ser criadas e distribuídas gratuitamente durante a feira de Essen e existem muitas delas por aí, agora os brasileiros conseguiram botar as mãos em 20 delas.

Outra alteração interessante ficou com as Grandes Melhorias, elas que sempre foram cartas como as outras agora são tiles de papelão que ficam dentro do seu insert, mas o comprador mais desatento precisa tomar cuidado a borda onde as melhorias são encaixadas são bem fininhas e você pode até pensar que é para jogar fora.


Assim como o "deck das fadas" que desde 2010 não se via no mercado.

Eu particularmente não vou usar as Grandes Melhorias encaixadas nesse punch board pois acho que vai desgastar o material e não compensa ficar colocando e tirando o tempo todo, mas os tiles soltos ficam bacanas.

Outro presentinho que vem na caixa é o tabuleiro Através das Estações, esse foi lançado como cartão postal em 2008 e também distribuído em Essen é incrivelmente uma das melhores variantes que eu já joguei do Agricola.

Nele temos as quatro estações do ano representadas nesse tabuleirinho e que afetam tanto o setup do jogo como criam 4 novos espaços de ação (um para cada estação) e dão uma mexida muito interessante no jogo base sem precisar de muita coisa (na verdade só precisamos do tabuleirinho e de um marcador).


A mini-expansão Através das Estações ganhou um senhor upgrade.

Dos componentes básicos que vem na edição revisada os tabuleiros dos jogadores receberam versos que acompanham as estações do ano (gosto particularmente do tabuleiro do inverno) como finalmente colocaram ao lado dos dois primeiros cômodos um espacinho para o seu animal de casa (melhor do que deixar na sala, né?).

Alguns tiles como o de comida e o mendigo ficaram maior ou mais arrumadinhos, mas nada de extraordinário, assim como as cores dos quatro jogadores difere das 4 cores da versão revisada (mas não vejo razão para isso na real).

Mas como nem tudo são flores (e ovelhas) temos alguns pontos que precisam ser levantados caso você pretenda investir seu rico dinheirinho nessa caixa.


As grandes melhorias também melhoraram, embora prefira usar sem a moldura.

A bandeja onde são acomodadas as pecinhas é meio molenga e vem com as partes soltinhas, eu prontamente colei tudo para ficar mais firme o que resolveu pra mim um dos problemas, MAS nem pense em deixar os componentes soltos, apesar de terem seus espaços arrumadinhos eles não são espaços fechados então se não estiverem num ziplock a chance de zonear tudo no transporte é quase certa.

Outra coisa que eu achei é que poderiam ter já ter incluído o espaço para os componentes da Farmers of the Moor, única expansão grande do jogo e que traz novos componentes, pior é que eles pensaram nisso colocando a divisória para as cartas que vem nele, mas não o espaço nas bandejas.

Mas no final das contas a caixa de 15 anos do Agricola é lindona demais, eu como fã assumido do jogo (e do autor) fiquei bastante feliz com ela e já estou acomodando coisas que eu tinha na primeira versão nela para ficar só com essa caixa quando for puxar pra jogar, acho que como produto ela fica um pouco atrás de outras caixas comemorativas (como a do Ticket to Ride ou a do Puerto Rico), mas para quem curte o jogo ou para quem finalmente vai pegar uma edição, acho que vale o investimento.


Finalmente conseguimos tirar a vaca da sala (que ganhou um espacinho só dela).
 

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Dissecando : O Bom do Videogame


O Bom do Videogame
é um jogo desenvolvido pelos amigos Patrick Matheus e André Negrão que está com um tempão de estrada e finalmente vai sair pela Calamity, eu recebi a versão final do jogo que entra num modelo de financiamento coletivo "pagou/recebeu" agora em maio.

Eu já fiz uma resenha falando das mecânicas dele (você pode conferir nesse link) mas trocando em miúdos somos uma molecada dos anos 90 durante os áureos anos dos videogames 16bits correndo atrás dos jogos nas locadoras para zerá-los e tirar onda com os amiguinhos.

Aqui nesse matéria vamos falar sobre a produção e o que vocês vão receber comprando o jogo durante a campanha.


Tiles de excelente qualidade com bom corte e impressão.

O jogo foi produzido com caixas e tiles feitas no Brasil e os meeples e cartas vieram da China da mesma fabricante da versão internacional do Everdell e a qualidade final está muito boa.

Os tiles estão grossos com bom corte e impressão perfeita o destaque ficou para as cartas dos "cartuchos" que são grandonas (formato tarot) com acabamento de primeira e artes de diversos desenhistas dando uma cara bem "anos 90" mesmo.

Os meeples que lembram os sprites de personagens dos jogos para serem adesivados também ficaram muito legais e no geral os componentes ficaram excelentes.


Destaque para as cartas tamanho "tarot" com acabamento de primeira.

O lançamento d'O Bom do Videogame vai ser via Catarse com a distribuição pela Calamity e diferente da maioria de outras campanhas os jogos já estão prontos para distribuição o que for gerado de extra vai depois para os apoiadores, então você já garante o jogo na hora da compra.

Fico realmente muito feliz de ver o projeto dos amigos Patrick e André finalmente sair, ele é um jogo muito legal, super temático e que teve um cuidado imenso para que o produto final fosse o melhor possível, então "bota ficha" na campanha que vai valer à pena.


O setup de cada um dos (até) 5 jogadores com personagens diferentes.
 

sexta-feira, 3 de março de 2023

Comparando o AGRICOLA

 

Chegando mais uma vez ao mercado brasileiro agora pela Galápagos Jogos, o Agricola é um jogo que envelheceu super bem depois de 15 anos de bons serviços prestados às jogatinas e essa caixa que recebemos é da edição revisada e como já tínhamos a primeira versão lá de 2008 resolvemos fazer umas comparações para você que está em dúvida sobre o que tem de diferente nelas.

Já deixo claro que a versão nacional mais recente anterior a essa (lançada pela Devir) é EXATAMENTE igual a da Galápagos, então caso você já tenha ela, não se preocupe que você já está com tudo certinho para futuras expansões que cheguem.

Se você tem as versões anteriores a Revisada aí você precisa fica mais ligado, logo de cara temos uma redução absurda de componentes, as cartas passam de 360 para 120 e além disso no processo de renovação uma das famílias foi tirada do jogo, agora o Agricola comporta de 1 a 4 jogadores (não mais 5 como da primeira versão).


A primeira tiragem usava cubos e discos para os animais e recursos.

A minha cópia de 2008 também vinha com cubos e discos para representar os animais da fazenda e os recursos, tanto que eu comprei os "animeeples" separadamente, já na versão revisada já temos as "comdeeples" e os "bicheeples" além dos seus fazendeiros parecerem realmente pessoínhas e não mais discos grandões.

Graficamente houve pouca mudança, o artista Klemens Franz só deu uma rebuscada nas artes de 2008, tanto na capa quanto nos componentes dentro do jogo.

Agora a mudança mais significativa a meu ver são as descrições das cartas, o Uwe Rosenberg tentou para essa versão revisada sintetizar ao máximo os textos escolhendo muitas vezes iconizar o efeito das cartas (principalmente as de melhorias) deixando o jogo assim com mais facilidade de entendimento.


As artes ganharam um "upgrade" e os textos sofreram uma enxugada para facilitar a compreensão.

Lendo as regras (ainda não joguei a versão revisada) me pareceu não haver nenhuma mudança em relação ao jogo clássico de 2008, o que realmente foi mexido foi na quantidade de cartas onde se escolheu deixar cartas mais fáceis de se trabalhar no jogo e com a diminuição delas fica melhor você conhecer e saber o que fazer com elas conforme você joga.

O que eu tiro de conclusão comparando as duas caixas é que se você por acaso tem alguma das versões anteriores (seja a primeirona ou a da Devir) não há necessidade de você pegar essa nova versão da Galápagos, mas se você não tem nenhum Agricola ainda VOCÊ ESTÁ FALHANDO MISERAVELMENTE ENQUANTO BOARDGAMER!!!!!!!! 😁

Sem brincadeiras agora, esse é um jogo que você precisa ter na coleção (confira aqui o nosso Ludoteca Básica sobre ele), é fácil o melhor jogo de alocação de trabalhadores e consegue balancear bem diversão e aquela tensão da necessidade de alimentar seus trabalhadores e conseguir montar sua engrenagem de pontos para o final do jogo, ele é brilhante e mesmo depois de 15 anos ainda é peça fundamental em qualquer coleção.


Comparando as pilhas de cartas dá pra notar a diferença, são menos 240 no total.
 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Dissecando — WAR : Game of Thrones

 

WAR é um daqueles jogos que já estiveram nas mesas pelo Brasil todo, esse ano aproveitando os 50 anos que o jogo tem no mercado a Grow lançou a versão Game of Thrones para o jogo.

Como nas versões especiais anteriores o jogo vem com regras clássicas e regras avançadas que tentam dar uma modernizada com adições de cartas de eventos e regras para um fim de jogo mais rápido (o que sempre foi uma das grandes reclamações do WAR).

Nas regras avançadas, você transforma seus exércitos nas bandeiras das casas.

Mais uma vez as regras avançadas ficaram nas mãos do Vicente Mastrocola que já tinha trabalhado no WAR : Vikings e são três as mudanças fundamentais em relação ao jogo clássico.

A primeira são as bandeiras das casas, agora quando o jogador ganha um território ele pode optar por avançar apenas com um exército e assim transformá-lo em uma bandeira para uma das quatro casas presentes no jogo e sempre que um jogador faz isso avança na trilha de conquista.

Essa trilha além de ser o que define o final do jogo também serve para disparar as cartas de evento, essas sim uma adição muito legal ao WAR.

Existe uma trilha que você vai avançando e quem for o primeiro a chegar ao fim dela é o vencedor.

As quatro casas do jogo são as preferidas do público mesmo (Barathean, Stark, Lannister e Targaryen), mas ao contrário do que foi feito no WAR : Vikings (que tem uns exércitos feitos no acrílico) no Game of Thrones temos de volta os clássicos disquinhos de exércitos e para as bandeiras estandes de plástico com cartolina.

WAR : Game of Thrones não traz nada que vá animar muito aos gamers modernos, nada das adições feitas ao jogo são suficientes para aqueles que já abandonaram o WAR voltarem à ele, mas para quem é fã dos ataques 3 contra 1 em Harrenhal com certeza vão curtir.

A trilha de vitória também dispara eventos que são a melhor adição ao jogo.
 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Brazil Imperial


Quando eu conheci o Zé Mendes e o seu protótipo do Brazil Imperial lá em 2018 eu achava que estava diante de um jogo que chamaria bastante atenção quando fosse lançado e agora com a cópia que chegou ao mercado pela Meeple BR eu tenho certeza.

Brazil Imperial é um típico jogo de civilização onde temos cenários dependendo do número de jogadores e montamos o mapa modular para a partida além disso na preparação temos dispostos os quadros com figuras históricas que servirão de bônus ao serem comprados.

Depois de preparamos o setup da mesa cada jogador vai escolher uma cor receber seu tabuleiro de ações e um monarca e suas peças de unidades militares e finalmente recebe objetivos para as três Eras do jogo.

Já da primeira vez que joguei (ainda protótipo) impressionando.

As regras são incrivelmente simples para um jogo de civilização, na sua rodada o jogador vai pegar o seu marcador e colocar em um dos arcos das 7 ações possíveis do jogo, realizada a ação caso tenha alguma unidade no mapa pode usar um movimento bônus referente ao arco escolhido e finalmente se desejar fazer um movimento.

No mapa vamos ter os palácios iniciais de cada jogador e muitos espaços a serem explorados e que receberão as construções que darão recursos aos jogadores.

Nas ações teremos como convocar unidades militares, como comprar os quadros das figuras históricas, ações de construir e reformar, como manufaturar bens para conseguir que os arcos de ações sejam ainda mais úteis além do mercado e do porto que servem para aquisição e troca de bens.

A linda versão final do jogo já durante a Era II.

O lance do jogo é a corridinha para conseguir passar das Eras para que entrem novos prédios e também para ganhar pontinhos, as Eras mudam quando o primeiro jogador conseguir fechar uma carta de objetivos e então o jogo dá uma parada, o marcador de ação muda para o da próxima Era (e o que estava sendo usado vira um bônus para os arcos de ação) e novos prédios são habilitados para entrar no jogo.

Em Brazil Imperial temos unidades militares e ocorrem conflitos entre os jogadores, mas aqui deixo um das minhas primeiras observações pessoais, eu gostaria que o jogo prestigiasse mais as ações belicosas entre os jogadores mas o que acaba acontecendo é que os combates são muito raros de acontecer e são muito pontuais, acho que se valessem pontos de vitória teríamos mais guerras na mesa.

Conforme passam as Eras, os marcadores viram bônus nas ações.

Por falar nos pontos de vitória você vai consegui-los de diversas formas dentro do jogo, convocando unidades, construindo prédios, cumprindo objetivos, coletando animais exóticos, comprando quadros e claro cumprindo os objetivos das Eras.

Quando o primeiro jogador fechar o objetivo da Era III a rodada vigente termina, contam-se os todos os pontos possíveis ganhos pelos jogadores e quem tiver a maior pontuação é o monarca vencedor.

Brazil Imperial é um jogo de civilização muito maneiro com regras simples mas partidas estratégicas e com muita observação territorial pois se você deixar o adversário crescer muito fica sem espaço para suas construções.

Senti falta de momentos mais "belicosos" entre os jogadores.

O trabalho de pesquisa foi muito bem feito e resultou num livreto separado com a história dos personagens citados no jogo trazendo figuras clássicas da nossa história como Dom Pedro II e Machado de Assis mas também alguns personagens mais desconhecidos como Dom Obá II e Chico da Matilde (o Dragão do Mar) e vale ressaltar aqui que o Zé Mendes teve a ajuda do querido amigo Eduardo Felipe do Jogada Histórica.

O jogo está tendo uma recepção muito boa pelos jogadores, mas o que não lhe impede de algumas polêmicas justamente por retratar um período histórico conturbado com mudanças de regimes e golpes, mas tudo foi feito com enorme cuidado e acho que o resultado é um jogo excelente com uma produção caprichadíssima (tanto nos componentes como nas artes) e que eu torço para ter muito sucesso pois vejo nele potencial para expansões muito interessantes.

O anexo com a histórias dos personagens é muito bacana.
 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Dissecando : Cine Pipoca


Está chegando ao mercado brazuca o Cine Pipoca, ele é uma reimplementação do excelente Traumfabrik/Dream Factory do mestre Reiner Knizia e que foi originalmente lançado em 2000 mas que agora recebe uma versão exclusiva usando somente cartas.

Em Cine Pipoca os jogadores serão donos de estúdios cinematográficos indo ao mercado para conseguirem completar seus filmes, mas para isso vão precisar concorrer com outros estúdios que também estão de olho nas premiações.

No setup da partida cada estúdio recebe três filmes a serem completados, são abertos os oito locais onde iremos atrás das cartas de produção e recebemos nossa verba inicial.

Nos set de filmagem vamos atrás das cartas de produção.

O jogo tem exatamente quatro rodadas e em cada uma delas teremos 6 leilões pelas cartas de produção além de dois festivais de cinema onde podemos conseguir essas cartas gratuitamente.

Cada um dos 6 sets de filmagem tem de 2 a 3 cartas de produção e serão leiloados individualmente pelo sistema simples de leilão, o jogador inicial faz uma oferta e os outros vão aumentando ou passando até que haja um vencedor.

Um detalhe que eu adoro nesse jogo é que o dinheiro pago pelo "lote" daquele set é dividido entre os outros estúdios, fazendo com que o dinheiro gire entre os jogadores e dando sempre a oportunidade para um lance mais pesado mesmo que você vá perdendo alguns outros.

Uma vez que o filme é finalizado, recebe sua(s) ficha(s) de pontuação.

Depois que você pega o lote de cartas do set você precisa colocá-las nos seus filmes em produção, aqui temos diretores, atores e atrizes, efeitos especiais, trilha sonora, câmeras além de astros e estrelas que entram como bônus nos filmes as cartas de contrato que servem como coringas.

Uma vez que seu filme tem todos os campos preenchidos você soma todas as pipocas nas cartas de produção e no filme em si e recebe a ficha de pontos de popularidade correspondente, caso alguém já tenha pego um com aquele valor você pega um de valor menor, então é legal você correr com sua produção.

Os filmes também são divididos em três categorias (família, ação/aventura e suspense/terror) e o primeiro filme a ser completado de cada categoria ganha uma ficha de prêmio, mais uma corridinha entre os estúdios.

O dinheiro fica rodando entre os jogadores.

Depois de passarmos pelos 8 locais de cada rodada o filme com a maior pontuação de popularidade recebe uma ficha de prêmio e ao final das quatro rodadas temos uma premiação para os melhores filmes de cada categoria, o estúdio com os melhores diretores e o Framboesa de Ouro para o pior filme além de receberem pontos pelo dinheiro que cada estúdio terminou na mão.

Aqui um detalhe engraçado que vem desde a primeira versão do jogo que é a ficha com o Reiner Knizia que vale -1 pipoca (ou estrela nas primeiras versões) e que sempre dá uma força para o seu filme ser uma bomba.

As vezes é preciso estragar seu filme para ser o pior entre todos.

A versão nacional ter passado de jogo de tabuleiro para jogo de cartas sem alteração nas regras (existe uma versão card chamada Silver Screen, mas tem outra pegada) foi uma grande sacada do amigo Marcelo Groo que fez um trabalho excelente de design no jogo, além disso todo o trabalho de artes foi muito bem feito pela turma Alessandra Nogueira, Daniel Araújo, Pablo Murinelli e Samuel Marcelino.

A única coisa que eu senti falta nessa versão do Cine Pipoca foi uma forma de esconder o seu dinheiro (na versão original temos um "murinho" de cartolina) mas nada que apague o excelente produto final entregue pela Imagine Jogos para esse jogo.

Eu sou bem suspeito para falar, pois tenho pra mim que o Traumfabrik é um dos jogos de leilão mais bacanas que eu já joguei e ver esse joguinho chegando ao Brasil sempre foi algo que eu esperava (até porque ele vire fora de catálogo) então se você curte jogos de leilão e ama cinema (os easter-eggs e as caricaturas são hilárias) ele é uma compra obrigatória.

É um mestre na arte de fazer jogos, mas não se deu muito bem em Hollywood.