quarta-feira, 5 de julho de 2017

Imhotep


Em Imhotep os jogadores são construtores do antigo Egito prontos para deixar sua marca para a posteridade. Carregando pedras por entre os locais das construções, em 6 rodadas definimos quem foi o melhor construtor entre os jogadores.

O jogo é constituído de 6 rodadas, em cada uma delas os jogadores se revezam em ações que podem ser pegar pedras, levar pedras até os barcos, levar um barco até um local de construção e/ou baixar uma carta de mercado.

As cinco áreas de construção do jogo.

No início de cada rodada uma carta indica quais barcos estarão disponíveis para os jogadores, e são abertas cartas de mercado que servem para ajudar durante o jogo.

Existem 5 locais de construção (que podem estar no modo básico ou avançado de jogo) para onde os barcos podem ser enviados : o Mercado, a Pirâmide, o Templo, a Câmara Mortuária e o Obelisco.

A rodada vai se desenrolando até que todos os barcos disponíveis zarpem para os locais de construção, depois da sexta rodada terminada contam-se pontos e aquele jogador com a maior quantidade é o grande arquiteto.

No final, a disputa pelas construções fica acirrada!

O jogo flui bem e tals, mas me incomodou muito a total falta de controle dele, quando você coloca uma pedra no barco, nada te garante que o barco escolhido vá para o ponto de construção que você deseja, e isso acaba dando uma frustrada grande na hora de se planejar.

Apesar de visualmente bem bonito e de ter uma jogabilidade simples, Imhotep me deixou com uma impressão bem abaixo do que eu imaginava que fosse o jogo, uma pena pois eu queria muito ter gostado mais dele.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

TOP 3 : Protótipos em Jogo

Antes da competição, palestra com as editoras.

Nesse últimos sábado aconteceu na Game of Boards o 2º Protótipos em Jogo, um concurso para novos designers, e que teve mais de 30 inscritos numa pré-seleção e 12 finalistas no evento do fim de semana.

O evento está se consolidando como obrigatório para os novos criadores, e parada obrigatória para as editoras antenadas, tanto que nessa segunda edição, tivemos a participação de pesos-pesados como a Galápagos, Red Box e a Conclave, além da participação da Geeks'n'Orcs, Pensamento Coletivo, Arcano e Ace Studios.

Estive lá e joguei quatro jogos, dentre os quais dois ficaram entre os três grandes premiados da noite.

Então hoje o TOP 3 é especial, vou falar um pouco dos protótipos que ganharam o evento e que possivelmente veremos por aí nas lojas, pois são jogos bem interessantes.

 HEY! DEVOLVAM MINHA VACA
Rocky Gabardo

Esse eu não cheguei a jogar, mas pelo que li da sinopse e ouvi de quem jogou é um "produto" bacana. No jogo somos alienígenas vindo ao planeta Terra com três ideias fixas : abduzir vacas, desenhar as plantações e fazer contatos com os terráqueos.

O jogo tem peças exclusivas (impressas em 3D) muito legais das naves que servem para carregar as vacas e tem outras marcações, isso faz com que visualmente ele chame a atenção.

Nessa o Rocky angariou o público curioso e ficou com a terceira posição no Juri Técnico.

 MI CASA, SU CASA
Rodrigo Rego

O Rodrigo já tinha levado a segunda colocação no 1º evento (com o Maracanã) e mais uma vez não fez feio, o Mi Casa, Su Casa é um jogo de tile-placement onde somos construtores erguendo um prédio de cinco andares.

Na rodada compramos um tile, colocamos ao lado de alguma peça já construída tentando nessa colocação fazer com que a peça renda pontos no final da partida.

O jogo é bem fluido, regras simples, detalhes bacanas (como os moradores e um objetivo da partida) e tá prontinho, com ele o Rodrigo se firma como um dos designers mais consistentes do mercado.

 CANGAÇO
Sanderson Virgulino

Mas o grande vencedor do evento foi o Cangaço, que levou a primeira colocação em Crítica e pelo voto da galera.

Cangaço é um card-game de draft, onde a cada rodada recebemos cartas, escolhemos uma para colocar na nossa área de jogo, e passamos o restante adiante.

O grande diferencial do jogo, na minha opinião, é que ele usa um tema muito bacana, o cangaço brasileiro, com imagens de cordéis, você precisa ir fechando essas imagens (geralmente compostas por 2 ou 3 cartas) para que o efeito dela seja resolvido e você possa pontuar no final.

Sanderson recebendo seus merecidos prêmios.

O jogo tem ainda aquelas pernadas nos amiguinhos, roda super bem e é outro que está pronto para ir para o mercado fazer sucesso.

Além do Cangaço e do Mi Casa, Su Casa, joguei o Torks (do Felipe Cavalcanti), um abstrato vestido de jogo de colonização bacaninha, e o Slow Motion (do Leandro Pires), que é uma corrida de lesmas divertido.

O evento foi ótimo, está quase 100%, faltando ainda pequenos detalhes para tudo ficar perfeito, mas importante é que o público foi, as editoras foram, e todo mundo estava lá exclusivamente para jogar PROTÓTIPOS, mostrando que a galera tá afim de colaborar.

A galera foi, prestigiou, jogou e votou!

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Quadropolis


Em Quadropolis somos arquitetos construindo prédios, shoppings, parques e competindo com outros arquitetos para qual cidade vai ficar mais bonita.

O jogo dura 4 rodadas, em cada uma delas são sorteados tiles numa matriz 5x5 onde temos a oferta de prédios que darão pontos de diversas formas ao serem colocados no nosso espaço individual.

A primeira coisa que eu curti muito no Quadropolis foi essa seleção de tiles. Cada jogador tem quatro funcionários numerados de 1 a 4, você posiciona um deles no tabuleiro central para pegar um dos tiles, e o número dele vai definir onde você vai colocar aquele tile no seu tabuleiro.

Tabuleiro central com os tiles que você pode pegar.

Isso é um dos grandes baratos do jogo, pois como você geralmente vai precisar combar um prédio com o outro, saber quem mandar na hora certa é muito importante.

Outra coisa que dificulta essa seleção de tiles é o urbanista. Cada vez que um dos arquitetos é colocado no tabuleiro central, no lugar onde foi tirado o tile entra o urbanista, que fica travando uma coluna e uma linha daquela matriz, e as vezes isso quebra uma jogada boa que você já tinha pensado.

A cada vez que você constrói prédios também pode receber pessoas e produzir energia. Esses elementos também são fundamentais na sua partida, pois você vai precisar alocá-los pelos seus prédios e o excedente vai te tirar pontos no final do jogo.

Na nossa cidade os prédios precisam se
combinar para pontuar mais.

No final de quatro rodadas, faz-se uma verificação dos combos entre os prédios e quem tiver a maior pontuação é o melhor arquiteto.

Quadropolis é daqueles jogos que passam meio abaixo do radar, mas quando você senta para jogar te surpreendem positivamente e você tem vontade de jogar mais vezes. Eu fiquei fã e torço para que ele um dia chegue no nosso mercado.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Fields of Green


Você cansou da Cidade Grande e incentivado por iniciativas do governo, comprou um terreninho e agora quer expandir seu agro-negócio. Essa é a premissa do Fields of Green, primeiro trazido para o Brasil pela Flick Games Studios e que vamos falar um pouquinho agora.

Fields of Green é basicamente um jogo de cartas, são 4 turnos de jogo e em cada um deles pegamos 6 cartas que serão draftadas entre os jogadores.

No comecinho, poucas construções, mas tudo tem que funcionar.

Existem quatro tipos diferentes de cartas, plantações, criações, estruturas e construções e toda vez que selecionamos elas escolhemos entre construí-las na nossa fazenda, ou descartamos para outras funções (como pegar novos silos e torres d'água).

Depois da fase de draft vem a fase de colheita onde o jogo fica bem interessante. O grande lance do Fields of Green é fazer com que a sua "engine" rode para que todas as cartas sejam utilizadas para que você produza, ganhe dinheiro e pontos.

Se por acaso você não conseguir que alguma das suas cartas de colheita não funcione, ela vira um descampado e para de funcionar para as rodadas seguintes (podendo ser ativada novamente mais tarde, mas você vai ter que pagar por isso).

As pilhas com as cartas a serem compradas.

O jogo flui super bem, e no final da fase de colheita do quarto turno, contamos os pontos (que vem de diversas fontes) para sabermos quem é o melhor fazendeiro.

Eu curto muito jogo com "pega-isso-pra-fazer-aquilo" e o Fields of Green é bem isso, a produção está super caprichada, e a única coisa que me incomodou foi a falta de interação entre os jogadores (existente só no draft), mas ainda assim o jogo é bastante bacana e em funciona redondo para dois jogadores (pra mim, a melhor configuração dele).

No decorrer do jogo sua fazenda vai ficando enorme.

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Com essa resenha vem "de brinde" o primeiro LEMBRADOR, que é um PDF com um resumão ricamente ilustrado com fotos, para ajudar a lembrar as regras do jogo e facilitar na hora de explicar para os novos jogadores. Espero que gostem e qualquer correção, escrevam pra gente : promoeaitemjogo@bol.com.br

https://www.dropbox.com/s/h3xcnk451v8orn3/001_Fields%20of%20Green.pdf?dl=0

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Notre Dame


Outro jogão do Stefan Feld completando 10 anos em 2017 e que eu (apesar de amar) ainda não tinha escrito nada sobre ele é o Notre Dame.

Situado no final do século XIV, os jogadores são chefes de famílias proeminentes da França disputando poder e prestígio cuidando do seu bairro ao entorno da belíssima catedral que dá nome ao jogo.

O jogo é dividido em três fases com três odadas cada uma, onde selecionamos três cartas do nosso deck, e fazemos um draft com os outros jogadores e ao final teremos três cartas e realizaremos as ações de duas delas.

Cada bairro tem seus locais de ação e no centro a Catedral.

São nove ações possíveis, que estão diretamente relacionadas ao nosso bairro e a Catedral, e para todas eles precisamos pegar cubos que estão no pool de influência, colocamos no local indicado e realizamos a ação na hora.

Uma das grandes sacadas no Notre Dame é justamente essa colocação de influência, pois em cada espaço que vamos colocando é observado se já existiam outros cubos colocados previamente, e isso faz com que a ação realizada fique melhor.

As cartas de ação, das três, você só usa duas por rodada.

Depois de fecharmos os três turnos de cada fase temos a oportunidade de subornar um personagem do jogo. Esse é outro barato do jogo, pois essas cartas tem uns poderes interessantes para o decorrer da partida e como são divididas para cada umas das três fases, elas vão te proporcionar coisas bem boas para situações que você deve estar enfrentando (como praga, falta de dinheiro ou dar aquele aumento de pontos).

Ao final de cada fase vem a praga, o nível de ratos no seu bairro aumenta, e se ele chega a um determinado ponto, você começa a perder prestígio (que são os pontos de vitória) e cubos, mas uma estratégia inteligente pode fazer você tirar proveito até mesmo das adversidades do jogo.

Além das cartas de ação, os personagens que dão benefícios.

No final das três fases, o jogador com mais pontos de prestígio leva a partida.

Notre Dame é daqueles jogos que servem como lição de design, tudo nele funciona de forma fluida e da mesma forma apertada, então jogar ele é bem fácil, mas jogar ele direito é um daqueles desafios que o Stefan Feld sabe fazer muito bem.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

TOP 3 : Dice Placement

Acho que desde a primeira vez que eu joguei um jogo com a mecânica de alocação de dados, essa virou a minha mecânica preferida, e de lá pra cá muitos jogos usam dela se não come mecânica principal, uma mecânica auxiliar para dar um "molho" ao jogo.

Baseado nos jogos que eu curto mais (não necessariamente os melhores), vou dar uma elencada num TOP3 de dice placements, espero que vocês curtam e se não conhecerem algum, JOGUEM!!


Ele é o "pai" de todos, a primeira vez que joguei o Kingsburg minha cabeça explodiu, tudo nele funciona de forma fluida, as decisões a serem tomadas, a forma de dar uma pernada no amiguinho, o jeito com que o designer pensou de mitigar a sorte nos dados.

Não fossem esses elementos suficientes, o jogo ainda tem uma produção linda, tem uns efeitos durante o jogo super bacanas e a guerra de final de ano é tensa e divertida. Ainda amo!


O Alien Frontiers foi uma febre assim que foi lançado em 2010, todo mundo tinha, todo mundo jogava e esse "hype" todo tinha seu fundamento, o jogo é muito legal.

As ações a serem realizadas com os dados são bacanas, o tema espacial tem seu charme, e diferente do Kingsburg, mesmo que a sua rolagem tenha sido extremamente ruim, tem sempre alguma coisinha que dá para fazer com os dados. Jogaço!


Apesar de dos três ser o mais híbrido entre worker e dice placement, por ser o mais pesado, acaba tendo um lugar melhor.

O grande barato do Troyes é a questão de você precisar usar os trabalhadores para saber quais dados rolar e com isso trabalhar melhor sua estratégia para atender os requisitos das cartas.

Troyes é brilhante, super inteligente, lindo e pra mim, o melhor jogo a utilizar a mecânica de alocação de dados.


Vou deixar aqui também um bônus brazuca, o SPACE CANTINA (resenha), outro híbrido que utiliza alocação de dados de uma forma a completar a parte de gerenciamento dele, mas que é um jogo que eu adoro e não poderia deixar de mencionar (além de ser o único que você encontra para venda aqui no Brasil).

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Above and Below


Chegando ainda esse ano pela Conclave Editora, em Above and Below nossa aldeia foi invadida e destruída, só deu tempo de pegarmos nosso bebê e sairmos correndo a procura de uma nova terra.

Assim que construimos a primeira moradia percebemos que uma vasta rede de cavernas subterrâneas está aberta e pronta para ser explorada, e com isso poderemos fazer nossa aldeia melhor e mais forte!

Above and Below é um jogo de alocação de trabalhadores com city building, no início do jogo cada um de nós recebe um prédio e três trabalhadores, na nossa rodada escolhemos trabalhadores para ir a uma das cinco ações disponíveis, que são pegar dinheiro, contratar gente, construir prédios, colher bens e sair em aventura.

Os prédios que podem ser construídos durante o jogo.

Cada vez que um trabalhador é alocado ele sai da área livre do tabuleiro individual e é colocado na área de trabalhadores cansados, e só ficam disponíveis na rodada seguinte, só que pra isso precisam descansar, e então você vai precisar de prédios com camas.

Quatro das cinco ações são mais do mesmo, você gasta dinheiro pra construir ou contratar gente, colhe o produto de um dos seus prédios que tenha alguma ficha, e pega um de grana pra cada trabalhador que você alocar naquela ação, mas a ação de aventura é que faz o Above and Below um jogo "fora da caixa".

No início, apenas três trabalhadores (para três caminhas na casa).

Você quando vai se aventurar, aloca no mínimo 2 trabalhadores lá, pega uma das cartas vazias de subterrâneo, rola um D6 para saber a entrada de historinha que vai ler, o próximo jogador lê um pequeno parágrafo situando a aventura e dando opções como "você enfrenta o orc?" ou "você passa longe dele?" e em cada opção você precisa escolher o nível de dificuldade que vai enfrentar e usar lanternas para ganhar determinados bônus.

Você rola dados para cada trabalhador, esses valores te dão as lanternas necessárias para a resolução da aventura, caso tenha sucesso, pega a carta vazia de subterrâneo e coloca na sua aldeira, e a partir daquele momento, pode construir prédios ali.

Essa adição meio RPG ao jogo, faz com que as partidas de Above and Below sejam muito bacanas, com os jogadores curiosos sobre o que vão enfrentar, quem mandar para as aventuras, a torcida pelo dado.

Conforme você faz aventuras, pode
aumentar ou diminuir reputação.

Pra mim, o jogo só não é melhor pela pouca interação entre os jogadores (mas enfim, isso também não é tão raro em euros) e curiosamente, por ser rápido. O jogo dura 7 turnos que acabam passando muito rápido, e eu fiquei com vontade de jogar mais.

No final ele é um jogo muito criativo (mesmo usando algumas mecânicas super batidas), com uma arte (feita pelo designer do jogo) linda, e que certamente vai fazer sucesso quando chegar ao Brasil.

A arte linda com as cartinhas completando a paisagem.