sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Alhambra


Nesse jogo somos construtores na Europa e Arábia tentando construir a mais bela Alhambra, mas para isso precisamos pagar a mão de obra com o dinheiro local de cada trabalhador, o que nos dá algum trabalho durante o jogo.

Inicialmente cada jogador receberá um chafariz central, que o ponto de partida da sua Alhambra, além disso temos o mercado onde serão abertos 4 tiles debaixo de cada um dos quatro tipos de dinheiro existentes no jogo e também temos o banco onde são colocados os dinheiros.

Antes de falarmos um pouco sobre as mecânicas, vale salientar como funciona essa relação do dinheiro com a compra dos tiles.

No mercado, os vários tipos de dinheiro para pagar
a construção dos prédios. Foto BGG.

Existem 6 cores de tiles e 4 cores de dinheiro, ao abrirmos os tiles no mercado eles vão ficar sempre correlacionados com alguma das cores, e só poderemos usar o dinheiro certo na hora da compra, então um dos grandes lances do jogo é termos uma variedade monetária, além de dinheiro trocado.

O objetivo do jogo é crescermos nossa Alhambra para assim durante as três fases de pontuação do jogo, podermos estar na frente ou disputando cada uma das 6 cores de edificação.

A rodada funciona da seguinte maneira, o jogador da vez tem uma ação a ser feita dentre pegar dinheiro, comprar tiles de prédios ou construir/modificar um prédio que esteja no seu tabuleiro de provisão.

Na ação de pegar dinheiro você pode pegar uma carta de valor alto, ou moedas (não importando a cor) cujo somatório não ultrapasse 5.

Existem 4 cores de dinheiro, e você precisa ficar
ligado para ter uma variedade em mãos. Foto BGG.

Já na ação de compras é onde o jogo pega fogo, pois você vai ao mercado comprar tiles para sua Alhambra e o jogo te dá uma possibilidade muito interessante, pois se você pagar o valor EXATO do tile, terá direito a fazer uma nova compra, mas como o mercado só se reabastece ao final do seu turno, com um planejamento legal você pode conseguir 4 tiles de uma vez só.

A colocação dos tiles na Alhambra é muito importante, primeiro tem a regra que que você sempre precisa encostar uma face com areia ou muro para poder colocar a nova peça e a outra coisa é que você tem que conseguir chegar ao novo prédio "andando" pela areia, então os muros não podem nunca bloquear esse caminho e o jogo vai se desenvolvendo dessa forma até que temos as rodadas de pontuação.

No setup inicial são colocadas duas cartas dentre as cartas de dinheiro, quando elas aparecem existem a primeira e a segunda rodada de pontuação que são baseadas na quantidade de prédios que cada jogador tem em cada uma das 6 cores.

Conforme sua Alhambra cresce, tente sempre
crescer seus muros e ter prédios de cores diferentes.
Foto BGG.

Na primeira pontuação só o primeiro colocado ganha pontos, na segunda os dois primeiros e na rodada de pontuação ao final do jogo, os três primeiros em cada uma das cores pode ganhar uns pontinhos.

Além disso cada jogador vai receber pontos pela sua maior extensão de muros e saber colocá-los durante o jogo pode render pontos muito importantes caso você esteja indo mal em alguma das cores de prédio.

O jogo acaba quando ao final do turno de algum jogador não houverem peças de prédio para serem repostas, assim acontece a terceira rodada de pontuação e quem tiver o maior somatório é o vencedor.

Alhambra é um daqueles euros clássicos, super inteligentes, gostosos de jogar e que volta ao mercado brasileiro pela Devir numa versão com design um pouco diferente e com uma torre bacanuda para colocar os tiles e é um jogo que todos deveriam conhecer.

A versão nova da Devir traz diferenças visuais
além de ter a torre-dispencer. Foto BGG.
 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Hokusai


Criado pelo casal Bianca Melyna e Moisés Pacheco, em Hokusai somos aprendizes da milenar técnica de pintura ukiyo-e, cujo maior artista dá nome ao jogo e para isso vamos precisar da ajuda de sábios mestres e artesãos e ir em busca dos pigmentos certos para podermos completar as nossas obras.

No setup inicial do jogo recebemos um saquinho onde colocaremos os pigmentos que serão utilizados durante a partida numa mecânica de bag-building, além disso temos o nosso player board onde ficarão as obras que estamos trabalhando, o mestre (que é um poderzinho individual) e os artesãos que nos auxiliam.

O rondel com a sua parte estática e uma parte móvel
é um dos destaques do jogo.

No centro temos um rondel onde são selecionados cinco tokens de ação (que mudam a cada partida) além dos espaços onde ficarão disponíveis para compra os pigmentos, artesãos e as obras.

A primeira coisa à fazer é comprar do seu saquinho seis tintas, aqui vale colocar que no jogo nós temos as três cores básicas (que posteriormente podem ser misturadas) além da cor preta, que vai servir para movimentarmos o aprendiz pelo rondel e que são repostas sempre para seis ao final da sua rodada.

No seu board você coloca seus quadros, artesãos
e os pigmentos, além dos tokens para o set-collection,

Na sua rodada você pode escolher uma dentre quatro ações possíveis que são misturar as cores (gastando duas bases para transformar em uma composta e colocar no seu saquinho), finalizar um dos seus quadros, mover-se no rondel (onde podemos pegar novas gotas, artesãos ou quadros ou ativar um dos tokens de ação) ou passar.

Além disso temos duas ações extras que são ativar os mestres artesãos (que tiram tokens dos quadros, para podermos começar a pintá-los) e/ou colocar pigmentos nos nossos quadros para posteriormente completá-lo.

A grande "engenhoca" do jogo está no funcionamento do rondel, que além de ter a parte estática onde ficam as cartas e os tokens, tem a parte que se move toda vez que algum jogador mistura pigmentos ou termina uma obra.

Ao pegar um quadro, ele vem com os pigmentos que
você precisa usar e tokens que serão tirados pelos artesãos.

Quando isso acontece, o jogador que realizou a ação escolhe a forma com que o rondel de pigmentos irá mover, ao parar ele realiza como bônus a ação do token indicado pela seta e os outros jogadores ganham um pigmento de lambuja.

Outra coisa muito bacana dentro do jogo é quando terminamos o quadro, que acontece ao colocarmos todos os pigmentos necessários nele e gastamos uma ação de finalizar nossa obra.

Ao finalizarmos um quadro, vamos colocá-lo numa "exposição" que ao ser encaixado faz com que você possa disparar uma série de outros bônus, mas isso vai depender da melhor forma com que você faça isso, podendo te dar pigmentos compostos, artesãos e/ou outras obras para serem pintadas.

Ao finalizar uma obra, ela vai pra "exposição"
onde você pode ganhar uns bônus ao encaixá-la.

O jogo segue nesse fluxo até que tenhamos 11 quadros na exposição e quando isso acontece contamos os pontos dos quadros, objetivos pessoais e objetivos comuns, além dos set-collections dos tokens que retiramos dos quadros, no somatório final quem tem mais pontos se torna um grande artesão.

Hokusai vai entrar em financiamento coletivo no segundo semestre de 2021 em uma parceria da Ludens Spirit com a Moby Studios, essa versão que eu joguei ainda está sendo lapidada, mas já se apresenta como sério candidato a um dos melhores jogos de autores nacionais, a Bianca e o Moisés mais uma vez fazem um trabalho super competente e inteligente em um jogo visualmente cativante (com destaque pro design gráfico do André Teruya) e com mecânicas muito bem encaixadas.


O André Teruya está ainda finalizando as artes que estão

cada dia mais lindas, confiram em primeira mão!

 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

"Pimp your games" com a Dadorama

 

Os jogos de tabuleiro exercem em nós uma atração enorme e a cada novo lançamento as editoras tem caprichado mais nos componentes e conteúdos, mas e quando ainda há espaço para fazer com que a experiência fique ainda melhor?

As impressoras 3D já ajudam e muito nesse processo que antes era todo praticamente artesanal, a galera de jogos como Warhammer 40K que passaram anos trabalhando com isopor e cartolina hoje dispões de dispositivos que podem trazer para o mundo real as suas mais loucas ideias de cenários.

Fora os dioramas e todas as formas de coisinhas nerd/geek que a gente pode ter ao nosso alcance com um pouco de pesquisa pelos arquivos da internet.

Esse diorama do Djinn Darin do Mandalorian
em 3D e todo pintado.

Mas e o povo dos jogos de tabuleiro? Bem, nós também fomos agraciados com miniaturas cada vez mais elaboradas em jogos cada vez maiores, mas na maioria dos casos, essas miniaturas vem sem pintura, o que mata um pouco esse nível de detalhamento.

É aí que entra a galera da Dadorama, os caras fazem um trabalho lindo em pintura, personalização dos jogos com cenários e inserts em 3D, tudo com um capricho e um nível de detalhamento absurdo.

Eu já estava namorando o trabalho deles a um tempão, mas depois que eu recebi o meu Corrida Maluca, eu achei que estava na hora de "testar" o potencial deles e o resultado não poderia estar sendo mais satisfatório.

Uma pintura bem feita, dá uma outra vida
às miniaturas.

E o impressionante, além da qualidade, é que o estúdio do Dadorama é de uma organização primorosa, o que mostra para o seu cliente que o trabalho será realizado com um nível de atenção e cuidado enormes.

Vocês vão começar a ver muito o trabalho do Dadorama aqui no blog, pois além deles virarem parceiros, é muito mais legal apresentar os jogos "pimpados", eles saem muito melhor nas fotos.

Então se você curte seus joguinhos e quer dar um "up" para que a experiência fique ainda mais bacana, dá uma procurada nos caras, eles vão te atender super bem e tenho certeza que depois de você conferir o trabalho pronto, vai virar fã de carteirinha do Dadorama.

Imagina esse Wiz-War com tabuleiro 3D e todo pintado??
Não precisa mais só imaginar.
 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Carcassonne : Amazonas


Terceiro jogo da série Volta ao Mundo do Carcassonne (embora tenha chegado ao Brasil depois do Safari que lá fora foi o quarto e aqui chegou antes), na versão Amazonas do jogo temos a adição do maior rio do mundo, o Rio Amazonas, que corta todo a mesa e vai aumentando durante à partida com seus afluentes e as aldeias ribeirinhas.

Ao contrário do jogo clássico, aqui o jogo começa com um pedaço do Rio Amazonas onde colocamos os barcos na cor dos jogadores e à partir daí o as rodadas são bem similares ao jogo original, você sorteia um tile e precisa colocá-lo adjacente a algum espaço que já esteja na mesa.

Mas na versão Amazonas temos algumas peculiaridades, a primeira é que temos aldeias e afluentes do Rio Amazonas, ao completarmos eles ganhos pontos pela quantidade de tiles e pelas figuras de frutas que estejam nesse pedaço que acabou de ser formado.

O rio amazonas vai crescendo à partir
do seu tile inicial.

Outra coisa aqui é que temos duas cabanas para cada jogador e ela funciona meio como um posto-florestal, você coloca sua cabana no campo e no final do jogo você vai pontuar pelos animais desenhados nos tiles de onde ela estiver tomando conta.

Mas o principal chamariz do Amazonas é o rio, ele vai crescendo durante a partida, então toda vez que você tira tiles com o rio mais largo, você deve seguir o Amazonas, e em alguns desses tiles existe um marcador (um ponto de exclamação) que quando aparece acontecem duas coisas.

A primeira é que o jogador da vez coloca um tile duplo no tabuleiro, a outra é que o primeiro e o segundo barco mais avançados vão pontuar pela quantidade de jacarés e piranhas no rio e aí que entra um "twist" interessante do jogo, como você faz para andar com seu barco no rio?



Nessa versão além dos meeples, temos as
cabaninhas de protetores ambientais.

Toda vez que você colocar um tile no jogo, você pode optar por não colocar nenhum meeple ou cabana, uma vez que você escolheu jogar dessa forma, você avança um espaço no Rio Amazonas, e para não deixar o povo de trás muito afastado, toda vez que há a pontuação do rio duplo, quem não pontuou naquela rodada avança um espaço.

Achei essa diferente forma de pontuar muito legal, pois além dela render uma forma de decisão diferente durante a partida, ainda promove uma corridinha muito legal, pois ao final do jogo há uma pontuação final pela sua posição no Rio Amazonas.

Eu adoro os Carcassonnes em geral, e essa versão trouxe coisas muito boas ao jogo fazendo dessa série Volta ao Mundo uma série para fã nenhum botar defeito.

No final a partida fica muito legal com
o Rio Amazonas grandão.


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Com qual idade você vai colocar o primeiro cubo na mão do seu filho??


Outro dia um amigo me perguntou qual jogo apresentar para o sobrinho de 4 anos, discutimos algumas opções e tals, mas isso me fez pensar nas inúmeras vezes que pais chegam até mim ou nos grupos de jogos perguntando a mesma coisa, e aí resolvi escrever um pouco sobre isso até pela experiência de ter dois filhos e ambos terem crescido junto aos jogos de tabuleiro modernos.

Na minha vida os jogos sempre estiveram presentes a vida toda, mais do que isso, os brinquedos lúdicos estiveram na minha vida o tempo todo, e isso fez com que eu sempre estivesse jogando alguma coisa com irmãos e primos, e tivesse esse prazer até hoje.

Então, quando meu primeiro filhote nasceu em 2007 (mesmo ano em que criei o blog) a pergunta sempre foi, quando ele poderia começar a jogar meus jogos e até o que ir apresentando pra ele.

Os jogos da HABA seriam excelentes opções para os menores
mas são poucas as opções no Brasil.

Na verdade é que não vale à pena pular etapas, os primeiros anos da vida deles é de muitas descobertas, então os brinquedos são fundamentais no desenvolvimento cognitivo e motor, e existem muitas opções clássicas que atendem essa primeira fase, como blocos de empilhar, encaixe de formas, que não são necessariamente jogos, mas tem uma organização um pouco mais elaborada.

Aqui no Brasil poucas editoras tinham jogos para crianças ainda na pré alfabetização, eu tive sorte de conhecer amigos que deram de presente ao Arthur jogos da alemã Haba, que atendem bem aos pequenos com opções desafiadoras mas dentro de idades que variam dos 3 ou 4 anos em diante.

As opções de mercado hoje aqui ainda são escassas, então procurar alguns clássicos da Estrela ou Grow que sempre tiveram jogos/brinquedos muito bons que acabam ainda sendo boas referências antes de efetivamente colocá-los diante de coisas mais complexas para as cabecinhas deles.

Por mais que você queira, primeiro deixa eles
brincarem, com o tempo os jogos chegam.

Não estou querendo aqui dizer que uma criança de 5 ou 6 anos não vá entender determinada regra, mas possivelmente não vá entender as nuances do jogo, e isso talvez estrague a experiência para ele e pode afastá-lo dos jogos pela frustração de não ter curtido como deveria àquele jogo.

Tive sorte de com o Arthur crescendo e a chegada da Alice a gente ter já ficado escolado com o primeiro filho e então além de termos já jogos do irmão, sabermos quais jogos apresentar em cada idade, então hoje ele com 13 e ela com 7, são jogadores que já enfrentam um Carcassonne super tranquilamente.

Minha dica então é que você sinta o "terreno", veja os interesses, aqui a Alice jogou até desmanchar o Candyland, que ela ganhou com uns 4 anos e vê mesa ainda hoje mesmo com diversas opções mais modernas, já o Arthur sempre foi fã de jogos que pode ser mais demorados, pq ele curte ficar muito tempo na mesa, então hoje os jogos preferidos dele são o Manhattan Project e o Caçadores da Galáxia.

As opções vão crescer, conforme
eles também crescem.

Jogos com apelo visual também sempre vão ajudar, e nisso a Haba realmente é campeã, o Animal Upon Animal e o Rhino Hero estão aí esgotados que não nos deixam mentir, e aposto que se tivéssemos mais jogos deles no Brasil, seriam também campeões de venda.

O lance mesmo é não colocar o carro na frente dos bois, não adianta empurrar um jogo moderno para uma criança que não tem paciência nem pra jogo da memória, afinal não é uma opção de presente barata e você pode acabar mais frustrado do que a criança.

Afinal, criando a próxima geração de jogadores, trazendo essa mulecada que está sempre tão vidrada nos eletrônicos para a mesa, está garantindo que mais pra frente tenha companhia para quando as regras começarem a ser difíceis para você. 

Mas paciência, com o tempo você acaba tendo
parceiro de jogatina pra vida toda.

 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Bonfire


Em Bonfire, novo jogo do grande Stefan Feld, você faz parte do conselho dos gnomos anciões que precisa reacender as fogueiras sagradas, e para isso vai correr atrás de portais místicos, contar com ajuda das guardiãs da luz além de navegar procurando tarefas que o ajudarão nessa empreitada.

No início da partida, cada jogador receberá um tabuleiro pessoal da sua cidade, além de um conjunto de noviços, uma guardiã da luz e recursos iniciais, já no centro da mesa fica o (lindo) tabuleirão onde temos a grande fogueira, as ilhas à serem visitadas, cartas de gnomos especialistas e as cartas dos anciões.

O jogo se desenvolve em várias rodadas, onde em cada uma delas os jogadores vão ter turnos em que podem fazer uma dentre três ações possíveis, que são colocar uma ficha de destino na sua cidade, realizar ações com as fichas de ação ou acender uma das suas fogueiras e enviar um noviço para a grande fogueira.

A grande fogueira cercada pelas cadeiras
do conselho.

Tudo gira em torno das fichas de ação que você vai conseguir durante o jogo, e aqui o Feld criou uma fórmula brilhante de como consegui-las através das fichas de destino.

Em cada ficha nós temos três desenhos dentre as 6 ações possíveis do jogo, ao colocar a ficha de destino na sua cidade, você ganha as fichas de ação referentes ao desenho, mas o ao colocá-las adjacentes à outras previamente colocadas você maximiza a quantidade de fichas que vai ganhar caso fiquem vizinhas a ações iguais, então o ato de colocá-las no tabuleiro já pode dar um guia interessante de como seu jogo vai se desenvolver.

Essas ações são muito importantes, você com elas pode mover seu navio pelas ilhas para conseguir as missões que se transformarão nas fogueiras caso você às cumpra e chama novas guardiãs para a procissão da sua cidade, tem fichas para conseguir os caminhos para essa procissão e também para visitar a grande fogueira onde você consegue os portais, recursos e é uma outra forma de pegar fichas de ação e também tem a ficha para conseguir as cartas de gnomos especialistas.

A sua cidade com o chão das fichas de destino.

Como foi muito bem observado na nossa partida, as cartas de especialistas servem para otimizar o jogo que é daqueles de cobertor curtíssimo, então pegá-las é imprescindível para que você não fique engessado na forma básica de desenvolver o seu jogo, e dependendo das cartas que você conseguir, o caminho que você vai seguir na partida pode variar muito.

O Feld tem a fama de jogos com vários caminhos para pontuar, e aqui ele não trabalhou diferente, você até mira em pontuações macro, mas cada missão que você pega para acender suas fogueiras, vai te levar à uma forma de desenvolver o seu jogo, e mesmo que como muitos euros não tenhamos influência direta na partida dos outros jogadores, a busca por determinados itens ou até a movimentação da grande fogueira pode fazer com que você precise ficar de olha na ação deles.

Você vai às ilhas para conseguir missões que
viram as fogueiras.

Quando um número de noviços específico chega ao grande conselho, as fichas de contagem regressiva começam a rodar na mão dos jogadores que podem escolher receber a pontuação que está nela ou realizar ações até que chegue ao zero e o jogo acaba.

Durante o jogo, recebe-se poucos pontos, então é na pontuação final que o bicho pega, e você vai pontuar pelas fogueiras acesas, portais, guardiãs e diversas outras coisas, para no fim o jogador que tiver a maior pontuação ser o vencedor.

Eu sou fã declarado do Stefan Feld e Bonfire periga entrar no seleto TOP3 do autor, ele tem um "gostinho" do Luna (que é um dos meus preferidos) mas de uma forma muito única, se destaca em diversos momentos como na fogueira central e principalmente no chão de fichas de destino, enfim um grande jogo que chega pela Vem pra Mesa e que com certeza vai agradar muito aos fãs de euros.

Sem a ajuda dos especialistas, seu jogo
fica muito mais travado.
 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dissecando o Masmorra : Dungeons of Arcadia


Quando foi anunciado em 2014 pelo trio Daniel Alves, Patrick Matheus e Eurico Cunha, o Masmorra de Dados tinha uma ideia super original que era a de um dungeon crawler que usava dadinhos para substituir tanto os monstros como os próprios personagens.

Além disso, a utilização dos dados como forma de definir as ações, foi feita de forma tão bacana que não foi surpresa o sucesso que ele alcançou chegando a atingir mais de 240 mil reais se tornando o maior financiamento de jogo de tabuleiro até então (e ainda um dos maiores no Brasil).

O jogo então acabou indo parar nas mãos da CMoN que levou ele ao mundo de Arcadia, substituiu os heróis por miniaturas mas manteve os monstrinhos como dados e além de um "tapa" no visual, apararam um monte de arestas (principalmente no manual) e transformaram ele num produto milionário, atingindo mais de 1 milhão de dólares no Kickstarter americano.

Os personagens do Masmorra de Dados,
ganharam sua versão em miniatura.

Pois bem, essa versão da CMoN é que chega agora no Brasil pela Conclave, trazendo de volta para as prateleiras um dos jogos nacionais mais bacanas de todos os tempos (falo com tranquilidade, Rogerinho!).

Falando um pouco das regras, no jogo somos aventureiros que exploram as masmorras de Arcadia atrás de fortuna e fama, para isso exploramos salas, pegamos tesouros, desarmamos armadilhas e claro, enfrentamos monstros.

Praticamente tudo é resolvido através da arrumação dos dados, que você rola no início do seu turno, podendo rolar novamente até duas vezes, e depois organiza os símbolos da melhor forma para resolver as pendengas que aparecem e uma vez que um aventureiro chegue ao nível 16, a rodada termina e quem tiver mais pontos de experiência é o vencedor.

Os monstros seguem "de dados", mas ganharam
upgrades visuais consideráveis.

O pessoal de desenvolvimento da CMoN (encabeçados pelo Guilherme Goulart e o Fel Barros) fez um trabalho muito bom na hora de arrumar algumas regras, tirando a eliminação de jogadores, colocando o token de "andada grátis" e o mais importante, fazendo o manual mais claro.

Além disso, agora temos um modo de jogo cooperativo muito legal onde todos avançam juntos até encontrarem o andar do terrível Lode Malaphyas, com decks especiais tanto para ações dos inimigos quanto tesouros únicos para essa forma de jogo.

Mas de todas as mudanças a única que dividiu opiniões, foi terem transformado os heróis de dados em miniaturas, pois embora elas sejam lindinhas demais e façam o link com a série de jogos do Arcadia Quest, essa mudança mata uma das coisas que fizeram do Masmorra de Dados um sucesso.


Apesar de uma primeira estranheza, o jogo está
 
bem melhor resolvido do que na primeira versão.

Embora eu seja um dos que torceu o nariz, depois de jogar essa nova versão, fica difícil pensar em jogar a anterior, tudo está tão mais bonito e melhor resolvido aqui que até a inclusão das miniaturas (que convenhamos, deixa o jogo mais bonito ainda) passa batido.

Outra coisa legal é que a Conclave conseguiu trazer além do jogo base, algumas unidades das caixinhas extras, que trazem novos personagens, novos inimigos e cards que fazem com que você possa usar os personagens de Arcadia Quest no Masmorra.

Como já devem ter notado, eu sou muito fã desse jogo, aqui em casa ele sempre fez sucesso na sua versão "de Dados" e agora voltou a ver mesa na versão da Conclave e acho que com isso ele dá uma renovada legal em um dos melhores jogos nacionais do mercado.

Quem era fã, não pode reclamar e quem não
conhecia ainda, vai curtir muito.