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quarta-feira, 16 de março de 2022

Cangaço


Recém lançado pela Buró Brasil, em Cangaço temos que juntar cartas que remetem a cultura dos cordéis, uma forma de "contação" de história típica do Nordeste brasileiro, aqui o Sanderson Virgulino coloca uma parte da nossa cultura de forma lúdica num jogo lindo e bem divertido.

No jogo temos três estações (duas de seca e uma de chuva) onde faremos draft de cartas para conseguirmos as coleções de imagens e pontuarmos conforme as cartas de objetivo que vão aparecendo, além da pontuação das cartas que formos baixando.

A rodada consiste em escolhermos uma das cartas da nossa mão, baixarmos e assim que todos tiverem feito isso revelamos simultaneamente, elas recebem os recursos mostrados e realizamos as ações caso elas sejam disparadas.

Você escolhe uma carta, baixa e se possível ativa a ação.

Aqui as cartas tem suas peculiaridades, temos cartas que funcionam sozinhas (como o Chefe do Bando e Os Cabras) e ações que só serão ativadas com duas ou mais cartas (como A Igreja e o Acampamento).

Ao realizarmos as ações podemos conseguir novos recursos, podemos dar pernadas nos outros jogadores, podemos proteger determinadas cartas e tudo isso com a intenção de segurarmos os pontinhos para o final da partida.


Em cada estação abrimos novos objetivos para valerem pontos ao final da partida.

Em cada uma das três estações os jogadores os jogadores vão conseguir baixar sete ou oito cartas e assim conseguir completar muitos desenhos, aliás vale destacar a arte do Dan Ramos, conhecido artista de RPG que aqui faz um grande trabalho trazendo bem o sentimento dos cordéis para o jogo.

Ao final das três estações os jogadores contam pontos das cartas e pontos dos objetivos e quem tiver a maior pontuação é o vencedor.

Cangaço foi o vencedor do 2º Protótipos em Jogo realizado pela Game of Boards em 2017 e que sai agora com uma produção caprichadíssima da Buró e é muito legal ver esse jogo nas prateleiras e ver que as editoras estão cada vez mais dando moral para os autores nacionais.


A arte do jogo formando painéis é um destaque que faz do Cangaço um jogo ainda mais bacana.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Colors of Paris


Em Colors of Paris recém lançado pela Buró Editora, os jogadores serão pintores que ao aprenderem as técnicas dos maiores mestres disputarão por fama, mas você precisa também ser rápido para conseguir pintar os quadros antes da concorrência.

O jogo tem como tabuleiro central um rondel de ações onde vamos colocar nossos trabalhadores, já os jogadores tem um tabuleiro com três trilhas de avanço, o lugar onde serão colocados os pigmentos para completarmos os quadros além dos trabalhadores que serão usados nas rodadas do jogo.

A rodada é dividida em três fases, na primeira delas colocamos nossos trabalhadores no rondel de ações, depois que todos foram colocados os jogadores vão realizando as ações escolhidas e finalmente tem a fase de arrumação para a próxima rodada.

Cada jogador vai representar uma "escola" de pintura tentando ser o melhor.

As ações possíveis são as de pegar pigmentos, misturar as cores primárias para conseguir novas cores, misturar cores secundárias para ganhar cubos pretos que dão pontos, pegar quadros para serem pintados, usar pigmentos para pintar trechos dos seus quadros ou gastar pigmentos para avançar nas três trilhas do seu tabuleiro e assim ter melhor resultados nas outras ações.

Além disso temos uma área interna do rondel com quatro ações que são pegar o token de primeiro jogador, copiar uma ação que esteja ocupada, rodar de forma diferente da usual o rondel e sozinho na meiuca podendo receber quantos trabalhadores forem lá temos o espaço onde se coleta o pigmento branco usado como coringa.

Uma sacada interessante do Colors of Paris chega na fase de manutenção para a próxima rodada, nesse momento o rondel anda uma casa no sentido horário (podendo ter alteração se alguém foi na ação que muda isso) e os jogadores então precisam pegar seus trabalhadores de volta, mas aqui nesse jogo um dos trabalhadores fica preso ao rondel já para a próxima rodada, então você pode ter algum planejamento futuro quanto a posição dos seus trabalhadores e até mesmo dar uma travada numa ação que outro jogador estava de olho.

O rondel de ações é interessante, mas travar um trabalhador me incomoda.

O jogo acaba quando o primeiro jogador completar dois quadros ou se acabarem os cinco cubos pretos, assim contam-se os pontos dos quadros, avanços nas trilhas e cubos pretos e quem tiver a maior pontuação ganha.

Eu confesso que quase não escrevi a resenha desse jogo pois achei ele muito fraquinho, ele até tem ideias interessantes como o fato de travar o trabalhador no rondel, mas é uma ação mandatória, se fosse opcional talvez ficasse mais interessante.

Outra coisa é que você pode escolher no início do jogo pintores famosos para ganhar poderes diferentes, só que alguns acabam sendo muito melhores que outros (os que permitem você pintar quando pega os pigmentos é MUITO mais forte que a maioria) e acaba deixando o jogo esquisito pois se alguém pegou mal o seu pintor fica em séria desvantagem.

Você vai escolher os quadros para pintar e ganhar pontos.

As trilhas de avanço também me incomodaram pois elas darão direito a você pegar mais um trabalhador e também podem te dar pontos ao final do jogo, mas além de serem custosas, quanto mais você tentar ir nos seus avanços, mais pra trás você fica na pintura e o jogo é rápido então você tem grandes chances de ficar com uma pontuação muito ruim se tentar focar nessas trilhas.

Enfim, eu só escrevi essa resenha porque vi que amigos conteudistas curtiram o jogo, então pode ser que tenha sido só o meu feeling (e o da mesa toda que jogou comigo) em achar que o jogo é fraco, então minha dica fica sendo tentar jogar o jogo para ver se é sua praia, apesar de tudo ele tem uma produção super caprichada, então como são as pinturas mesmo vão ter os que acham obra de arte e os que acham rabisco, nesse caso eu fiquei com a segunda.


É interessante o lance dos pigmentos primários e secundários.
 

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Oriflamme


Com a morte do rei e a ausência de herdeiros diretos as mais influentes famílias do reino lutam entre si para conseguir influência suficiente para trazer o poder até a sua casa e é com essa premissa que chega ao mercado Oriflamme.

Cada jogador será uma das prestigiadas famílias em busca de poder e contando com um baralho de 10 cartas os jogadores sortearão 7 para usarem durante a partida (3 sempre ficarão de fora).

A cada rodada teremos duas fases distintas, na primeira o jogador da vez coloca uma das suas cartas viradas para baixo na linha de influência e os jogadores seguintes sempre colocarão as suas cartas à frente da linha ou ao final dela.

As cartas da sua família são utilizadas 
na linda de influência.

Uma vez que todos os jogadores já colocaram uma carta a fase de resolução é iniciada onde pela ordem da linha de influência o jogador tem a opção de colocar uma ficha de influência em cima daquela carta mantendo-a virada para baixo ou abre a carta e executa a ação descrita nela.

A graça do jogo está exatamente aqui, como temos apenas 10 cartas e os decks das famílias são iguais entre si, você tem uma noção do que pode estar sendo preparado pelo amiguinho ou o que você pode preparar de isca para ele também.

Você tenta manter as suas cartas vivas
e vai aniquilando a concorrência.

As ações das cartas geralmente matam cartas adversárias ou te fazem ganhar pontinhos de influência extras, depois que a linha de influência é toda vista carta por carta uma nova rodada começa com as cartas que sobreviveram mantidas no centro da mesa.

O jogo termina ao final da sexta rodada e quem tiver mais pontinhos de influência ao final da partida é o vencedor.

Oriflamme é um jogo de gerenciamento de mão com muita furação de olho ele fica ali num "mashup" entre o Coup e o Citadels com muito potencial de jogo fim de noite em que você vai jogar algumas partidinhas antes de todos irem para suas casas.

Ao final, a família com mais influência 
é a vencedora.
 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Welcome Back to the Dungeon

 
Welcome Back to the Dungeon
segue a linha do seu antecessor (o Welcome to the Dungeon) onde os jogadores vão se desafiando rodada à rodada colocando monstros e tirando equipamentos do herói, até que um deles entre na masmorra e tente sair vivo com seus prêmios.

A mecânica principal do jogo é o "push your luck", então como setup inicial escolhemos um dos quatro heróis disponíveis, pegamos todos os seus equipamentos e deixamos tudo preparado.

O jogo funciona da seguinte forma, existe um baralho onde temos os monstros que vão povoar a masmorra, na vez do jogador ele pode pegar uma carta ou passar o turno.

Você vai adicionando monstros,
enquanto tira equipamento.

Ao escolher comprar uma carta, o jogador pode adicioná-la a masmorra ou então colocar a carta e um equipamento do herói na sua frente, e nesse caso nem o monstro nem o equipamento farão parte da aventura.

Quando todos os jogadores, menos um, passarem ou quando o baralho de monstros se exaurir, então o jogador que restou vai enfrentar a masmorra com o equipamento que sobrou e tentar sua sorte.

A fase da masmorra pode ser bem cruel, pois vamos abrindo carta por carta, se você tiver algum equipamento que consiga dar dano ao monstro, beleza, você derrotou ele e continua, caso contrário, desconta seus pontos de vida para continuar a aventura.

Os monstros vão te tirando dano, ou sucumbindo
pelos equipamentos que sobram.

Uma vez que todos os monstros são derrotados e você ainda tem algum ponto de vida, você recebe uma carta de sucesso, caso você não tenha sucesso na sua empreitada, você vira seu guia do jogador para o lado vermelho, caso já esteja no lado vermelho, você é eliminado do jogo.

Você vai fazendo essas rodadas de cartas e de entrar na dungeon até que partida de termina quando apenas um dos jogadores não é eliminado ou quando o primeiro jogador conseguir duas cartas de sucesso.

Welcome Back to the Dungeon é um jogo de farra rapidinho, com essa pegada de ir tirando os equipamentos do herói mas tomando o cuidado de não ser você a vítima, então você tem que pesar muito as decisões de se vai passar ou colocar monstro, ele acaba sendo um jogo bem divertido, e se sua mesa for fã de RPG fica melhor ainda devido ao tema.

Se você conseguir terminar a masmorra vivo,
ganha uma carta de sucesso.
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Ancient Terrible Things


Em Ancient Terrible Things, os jogadores fazem parte de uma expedição onde encontram as mais variadas formas de coisas aterrorizantes, e quanto mais você explora, mais aprende os Segredos Antigos, mas isso só vai te levar a loucura!

No jogo temos um tabuleiro central com 6 localidades onde encontraremos os rumores e lutaremos contra eles, além disso temos o espaço inicial do barco da expedição e o Posto Comercial, lugar para comprarmos cartinhas que nos ajudarão em nossa empreitada.

Basicamente vamos usar rolagem e combinação de dados para resolver as coisas em Ancient Terrible Things. Na sua vez o jogador escolhe uma das localidades, leva seu marcador até lá, ganha os tokens de bônus do segredo revelado e da localidade e então pega os cinco dados verdinhos para a sua jogada.

 As combinações servem para tentar resolver
as cartas de encontros.

A parada da rolagem de dados é muito semelhante ao esquema Yahtzee, mas aqui na hora da re-rolagem você terá que escolher entre gastar tokens de foco para separar só alguns dados, ou então rolar novamente todos os cinco.

Ao terminar a sua rolagem, verifica se atende ao que a carta pede, em caso positivo você ganha aquela carta que vai somar pontos de Segredos Antigos para você, caso contrário essa carta é descartada e você pega um dos marcadores de Coisa Terrível que vai te tirar pontos e também é um dos critérios de fim de jogo.

 Existem cartas que vão te ajudar na tarefa de
resolver os encontros.

Depois disso os dados que sobraram da sua conquista (ou da sua derrota) serão convertidos em tokens, segundo a carta de Cenário que for escolhida no início do jogo.

Além das rolagens e tokens, você tem ainda cartas de Conquista, que vão te ajudar e são descartadas assim que utilizadas e as cartas de Pilhagem, que você compra no Posto Comercial, que é para onde o seu marcador vai assim que passa a fase de rolagem você tenho ganhado ou perdido.

O jogo prossegue até que uma das condições para o término da partida seja alcançada, são elas acabarem os tokens de Coisa Terrível ou o deck das Cartas de Encontro tiver acabado.

Na sua ficha do personagem, você guarda os tokens
de ajuda, além dos marcadores de Coisa Terrível.

Os jogadores então contam seus pontos e quem tiver a maior quantidade é o vencedor, mas espere, na verdade ele é só um sobrevivente dessa insanidade toda, ganha o token do Diário da Expedição, mas será para sempre confinado num sanatório.

Ancient Terrible Things tem muitas semelhanças com o Elder Sign, mas as ilustrações ao estilo Contos da Cripta e as mecânicas mais simples e dinâmicas me fizeram gostar mais dele do que do outro jogo, então se você curte o tema e rolagem de dados, tem boas opções... Só não vá enlouquecer!!

O momento efêmero da vitória, uma vez que isso
é uma passagem sem volta para o manicômio.
 

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Revista Digital FORBIDDEN


Eu costumo falar pouco de RPG aqui no site, mas sou fã pra caramba e já joguei muito, então curto acompanhar as coisas, e uns anos atrás descobri o sistema Old Dragon da RBX (agora Buró Editora) e fiquei fã pelas similaridades com o bom e velho D&D.

Bem, a Buró em maio desse ano criou uma campanha via Catarse para uma revista digital mensal sobre RPG, a Forbidden Magazine, que agora em outubro chegou à quinta edição e eu achei que valeria à pena falar um pouco dela.

Eles foram super inteligentes em disponibilizar a edição nº 0 para todos sentirem o gostinho de como seria trabalhada a revista, e bem, me convenceram de primeira.

A edição mais recente quase 90 páginas.

O material é muito bem tratado, a diagramação é excelente e a revista é muito bem ilustrada tendo um time no quilate do Antonio Pop, Rafael Beltrame, Thiago Righetti e Dan Ramos além de muitos colaboradores que tem anos de RPG nas costas.

As matérias são muito legais, as aventuras disponibilizadas são de boa mesmo para os mais iniciantes tanto em mestrar como em jogar, e dependendo do seu nível de assinatura, o material de apoio é excelente, tanto que eu comecei na assinatura mais básica e acabei mudando para ter acesso a ele.

Vale múito à pena pegar o material de apoio.

Vale ressaltar que o PDF interativo e o de impressão para usar junto às aventuras é uma mão na roda danada para organizar seu jogo.

É notável a evolução de uma edição para outra, onde eles tem feito sempre enquetes junto aos assinantes para que a revista melhore cada vez mais.

E isso se reflete inclusive no número de páginas de material, na primeira edição a revista tinha pouco mais de 60 páginas, na edição desse mês chegamos a quase 90!

Eu adoro as charges que tem na página dos créditos.

Mesmo que o sistema Old Dragon não seja o que você utiliza regularmente, muito do material é facilmente adaptável, e a revista vale muito também pelas matérias com as de Encontros Aleatórios e os Tomos de Magia (eu sou fã dos magos).

Então fica aí a dica para quem curte jogar e ler sobre RPG, a Forbidden Magazine tem planos de assinatura que variam de R$ 7,00 até R$ 20,00 (eu assino a intermediária de R$ 12,00) e acho que é um dinheirinho bem investido.

As matérias costumam ser extensas
e com muita coisa interessante.
 

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Boss Monster


Imagine que você é um chefão de fase de um video-game 8bit e está construindo a sua masmorra mais mortal de todas, e para saber se ela está realmente funcionando, nada melhor que atrair os heróis a entrarem nela e lá deixarem sua alma... Mas cuidado, um erro de cálculo e quem acabar perdendo uma vida é você!

Essa é a premissa do divertido Boss Monster que a galera da RedBox Editora trouxe para o Brasil e apesar de pra mim ser um ótimo card-game para 2 players, comporta até quatro jogadores e leva no máximo uns 40 minutos de partida.

Sua mão com cartinhas de salas ou magias, a alma do jogo.

As regas são tranquilas, cada jogador inicialmente escolhe um dos chefões disponíveis no jogo e já prepara a primeira sala da sua masmorra, na rodada os jogadores podem construir uma nova sala, que pode ser um upgrade de alguma sala já construída ou realmente uma sala nova (limitada a 5 espaços disponíveis).

Depois vem a fase de chamar os heróis. Isso funciona de uma forma bem legal, cada sala da masmorra (e o chefão) vem com um ícone que simboliza um tesouro, cada herói está atrás de um determinado item, então ele vai para a masmorra que oferecer mais do tesouro que ele está procurando.

Conforme a masmorra cresce, pior vai ficando para os heróis.

Aí vem a fase da matança (ou não)! O herói vai passar sala por sala tomando os danos que elas causam. Se ele morrer pelo caminho, sua alma fica na masmorra, mas se o herói consegue chegar até o chefão, esse perde um dos seus 5 pontos de vida.

Além das salas, os jogadores tem disponíveis também cartinhas de magias que servem para algumas melhorias na hora em que os heróis avançam na masmorra, ou servem para atrapalhar a masmorra do amiguinho.

Ele é um jogo simples, porém gostoso.

O primeiro chefão que conseguir 10 almas, ou for o último chefão a sobreviver, é o grande vencedor do Boss Monster.

Eu, particularmente, achei o Boss Monster uma delícia de jogo, não é muito elaborado em estratégia ou mecânicas, mas entrega um bom card-game leve, com um tem divertido, e que atende a vários tipos de público, desde a mulecada (jogo direto com o meu filhote), tanto naquele evento em que você quer um joguinho rápido.