quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Com qual idade você vai colocar o primeiro cubo na mão do seu filho??


Outro dia um amigo me perguntou qual jogo apresentar para o sobrinho de 4 anos, discutimos algumas opções e tals, mas isso me fez pensar nas inúmeras vezes que pais chegam até mim ou nos grupos de jogos perguntando a mesma coisa, e aí resolvi escrever um pouco sobre isso até pela experiência de ter dois filhos e ambos terem crescido junto aos jogos de tabuleiro modernos.

Na minha vida os jogos sempre estiveram presentes a vida toda, mais do que isso, os brinquedos lúdicos estiveram na minha vida o tempo todo, e isso fez com que eu sempre estivesse jogando alguma coisa com irmãos e primos, e tivesse esse prazer até hoje.

Então, quando meu primeiro filhote nasceu em 2007 (mesmo ano em que criei o blog) a pergunta sempre foi, quando ele poderia começar a jogar meus jogos e até o que ir apresentando pra ele.

Os jogos da HABA seriam excelentes opções para os menores
mas são poucas as opções no Brasil.

Na verdade é que não vale à pena pular etapas, os primeiros anos da vida deles é de muitas descobertas, então os brinquedos são fundamentais no desenvolvimento cognitivo e motor, e existem muitas opções clássicas que atendem essa primeira fase, como blocos de empilhar, encaixe de formas, que não são necessariamente jogos, mas tem uma organização um pouco mais elaborada.

Aqui no Brasil poucas editoras tinham jogos para crianças ainda na pré alfabetização, eu tive sorte de conhecer amigos que deram de presente ao Arthur jogos da alemã Haba, que atendem bem aos pequenos com opções desafiadoras mas dentro de idades que variam dos 3 ou 4 anos em diante.

As opções de mercado hoje aqui ainda são escassas, então procurar alguns clássicos da Estrela ou Grow que sempre tiveram jogos/brinquedos muito bons que acabam ainda sendo boas referências antes de efetivamente colocá-los diante de coisas mais complexas para as cabecinhas deles.

Por mais que você queira, primeiro deixa eles
brincarem, com o tempo os jogos chegam.

Não estou querendo aqui dizer que uma criança de 5 ou 6 anos não vá entender determinada regra, mas possivelmente não vá entender as nuances do jogo, e isso talvez estrague a experiência para ele e pode afastá-lo dos jogos pela frustração de não ter curtido como deveria àquele jogo.

Tive sorte de com o Arthur crescendo e a chegada da Alice a gente ter já ficado escolado com o primeiro filho e então além de termos já jogos do irmão, sabermos quais jogos apresentar em cada idade, então hoje ele com 13 e ela com 7, são jogadores que já enfrentam um Carcassonne super tranquilamente.

Minha dica então é que você sinta o "terreno", veja os interesses, aqui a Alice jogou até desmanchar o Candyland, que ela ganhou com uns 4 anos e vê mesa ainda hoje mesmo com diversas opções mais modernas, já o Arthur sempre foi fã de jogos que pode ser mais demorados, pq ele curte ficar muito tempo na mesa, então hoje os jogos preferidos dele são o Manhattan Project e o Caçadores da Galáxia.

As opções vão crescer, conforme
eles também crescem.

Jogos com apelo visual também sempre vão ajudar, e nisso a Haba realmente é campeã, o Animal Upon Animal e o Rhino Hero estão aí esgotados que não nos deixam mentir, e aposto que se tivéssemos mais jogos deles no Brasil, seriam também campeões de venda.

O lance mesmo é não colocar o carro na frente dos bois, não adianta empurrar um jogo moderno para uma criança que não tem paciência nem pra jogo da memória, afinal não é uma opção de presente barata e você pode acabar mais frustrado do que a criança.

Afinal, criando a próxima geração de jogadores, trazendo essa mulecada que está sempre tão vidrada nos eletrônicos para a mesa, está garantindo que mais pra frente tenha companhia para quando as regras começarem a ser difíceis para você. 

Mas paciência, com o tempo você acaba tendo
parceiro de jogatina pra vida toda.

 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Bonfire


Em Bonfire, novo jogo do grande Stefan Feld, você faz parte do conselho dos gnomos anciões que precisa reacender as fogueiras sagradas, e para isso vai correr atrás de portais místicos, contar com ajuda das guardiãs da luz além de navegar procurando tarefas que o ajudarão nessa empreitada.

No início da partida, cada jogador receberá um tabuleiro pessoal da sua cidade, além de um conjunto de noviços, uma guardiã da luz e recursos iniciais, já no centro da mesa fica o (lindo) tabuleirão onde temos a grande fogueira, as ilhas à serem visitadas, cartas de gnomos especialistas e as cartas dos anciões.

O jogo se desenvolve em várias rodadas, onde em cada uma delas os jogadores vão ter turnos em que podem fazer uma dentre três ações possíveis, que são colocar uma ficha de destino na sua cidade, realizar ações com as fichas de ação ou acender uma das suas fogueiras e enviar um noviço para a grande fogueira.

A grande fogueira cercada pelas cadeiras
do conselho.

Tudo gira em torno das fichas de ação que você vai conseguir durante o jogo, e aqui o Feld criou uma fórmula brilhante de como consegui-las através das fichas de destino.

Em cada ficha nós temos três desenhos dentre as 6 ações possíveis do jogo, ao colocar a ficha de destino na sua cidade, você ganha as fichas de ação referentes ao desenho, mas o ao colocá-las adjacentes à outras previamente colocadas você maximiza a quantidade de fichas que vai ganhar caso fiquem vizinhas a ações iguais, então o ato de colocá-las no tabuleiro já pode dar um guia interessante de como seu jogo vai se desenvolver.

Essas ações são muito importantes, você com elas pode mover seu navio pelas ilhas para conseguir as missões que se transformarão nas fogueiras caso você às cumpra e chama novas guardiãs para a procissão da sua cidade, tem fichas para conseguir os caminhos para essa procissão e também para visitar a grande fogueira onde você consegue os portais, recursos e é uma outra forma de pegar fichas de ação e também tem a ficha para conseguir as cartas de gnomos especialistas.

A sua cidade com o chão das fichas de destino.

Como foi muito bem observado na nossa partida, as cartas de especialistas servem para otimizar o jogo que é daqueles de cobertor curtíssimo, então pegá-las é imprescindível para que você não fique engessado na forma básica de desenvolver o seu jogo, e dependendo das cartas que você conseguir, o caminho que você vai seguir na partida pode variar muito.

O Feld tem a fama de jogos com vários caminhos para pontuar, e aqui ele não trabalhou diferente, você até mira em pontuações macro, mas cada missão que você pega para acender suas fogueiras, vai te levar à uma forma de desenvolver o seu jogo, e mesmo que como muitos euros não tenhamos influência direta na partida dos outros jogadores, a busca por determinados itens ou até a movimentação da grande fogueira pode fazer com que você precise ficar de olha na ação deles.

Você vai às ilhas para conseguir missões que
viram as fogueiras.

Quando um número de noviços específico chega ao grande conselho, as fichas de contagem regressiva começam a rodar na mão dos jogadores que podem escolher receber a pontuação que está nela ou realizar ações até que chegue ao zero e o jogo acaba.

Durante o jogo, recebe-se poucos pontos, então é na pontuação final que o bicho pega, e você vai pontuar pelas fogueiras acesas, portais, guardiãs e diversas outras coisas, para no fim o jogador que tiver a maior pontuação ser o vencedor.

Eu sou fã declarado do Stefan Feld e Bonfire periga entrar no seleto TOP3 do autor, ele tem um "gostinho" do Luna (que é um dos meus preferidos) mas de uma forma muito única, se destaca em diversos momentos como na fogueira central e principalmente no chão de fichas de destino, enfim um grande jogo que chega pela Vem pra Mesa e que com certeza vai agradar muito aos fãs de euros.

Sem a ajuda dos especialistas, seu jogo
fica muito mais travado.
 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Dissecando o Masmorra : Dungeons of Arcadia


Quando foi anunciado em 2014 pelo trio Daniel Alves, Patrick Matheus e Eurico Cunha, o Masmorra de Dados tinha uma ideia super original que era a de um dungeon crawler que usava dadinhos para substituir tanto os monstros como os próprios personagens.

Além disso, a utilização dos dados como forma de definir as ações, foi feita de forma tão bacana que não foi surpresa o sucesso que ele alcançou chegando a atingir mais de 240 mil reais se tornando o maior financiamento de jogo de tabuleiro até então (e ainda um dos maiores no Brasil).

O jogo então acabou indo parar nas mãos da CMoN que levou ele ao mundo de Arcadia, substituiu os heróis por miniaturas mas manteve os monstrinhos como dados e além de um "tapa" no visual, apararam um monte de arestas (principalmente no manual) e transformaram ele num produto milionário, atingindo mais de 1 milhão de dólares no Kickstarter americano.

Os personagens do Masmorra de Dados,
ganharam sua versão em miniatura.

Pois bem, essa versão da CMoN é que chega agora no Brasil pela Conclave, trazendo de volta para as prateleiras um dos jogos nacionais mais bacanas de todos os tempos (falo com tranquilidade, Rogerinho!).

Falando um pouco das regras, no jogo somos aventureiros que exploram as masmorras de Arcadia atrás de fortuna e fama, para isso exploramos salas, pegamos tesouros, desarmamos armadilhas e claro, enfrentamos monstros.

Praticamente tudo é resolvido através da arrumação dos dados, que você rola no início do seu turno, podendo rolar novamente até duas vezes, e depois organiza os símbolos da melhor forma para resolver as pendengas que aparecem e uma vez que um aventureiro chegue ao nível 16, a rodada termina e quem tiver mais pontos de experiência é o vencedor.

Os monstros seguem "de dados", mas ganharam
upgrades visuais consideráveis.

O pessoal de desenvolvimento da CMoN (encabeçados pelo Guilherme Goulart e o Fel Barros) fez um trabalho muito bom na hora de arrumar algumas regras, tirando a eliminação de jogadores, colocando o token de "andada grátis" e o mais importante, fazendo o manual mais claro.

Além disso, agora temos um modo de jogo cooperativo muito legal onde todos avançam juntos até encontrarem o andar do terrível Lode Malaphyas, com decks especiais tanto para ações dos inimigos quanto tesouros únicos para essa forma de jogo.

Mas de todas as mudanças a única que dividiu opiniões, foi terem transformado os heróis de dados em miniaturas, pois embora elas sejam lindinhas demais e façam o link com a série de jogos do Arcadia Quest, essa mudança mata uma das coisas que fizeram do Masmorra de Dados um sucesso.


Apesar de uma primeira estranheza, o jogo está
 
bem melhor resolvido do que na primeira versão.

Embora eu seja um dos que torceu o nariz, depois de jogar essa nova versão, fica difícil pensar em jogar a anterior, tudo está tão mais bonito e melhor resolvido aqui que até a inclusão das miniaturas (que convenhamos, deixa o jogo mais bonito ainda) passa batido.

Outra coisa legal é que a Conclave conseguiu trazer além do jogo base, algumas unidades das caixinhas extras, que trazem novos personagens, novos inimigos e cards que fazem com que você possa usar os personagens de Arcadia Quest no Masmorra.

Como já devem ter notado, eu sou muito fã desse jogo, aqui em casa ele sempre fez sucesso na sua versão "de Dados" e agora voltou a ver mesa na versão da Conclave e acho que com isso ele dá uma renovada legal em um dos melhores jogos nacionais do mercado.

Quem era fã, não pode reclamar e quem não
conhecia ainda, vai curtir muito.
 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Retrospectiva 2020 nos tabuleiros

Uma coisa acho que todos os amigos que passam por aqui vão concordar, 2020 foi um ano horrendo que fez com que todos tivéssemos que nos virar para manter a sanidade (e a saúde), mas ainda assim conseguimos com algum esforço jogar alguma coisinha e vamos dar um panorama do que foi esse cenário doido que vivemos.

Em janeiro rolou o único evento presencial que participamos, o Rio Matsuri foi um festival de cultura japonesa muito bacana que além de vários estandes com comida, artesanato, quadrinhos e bonsais teve um espaço do pessoal da Geek Carioca mostrando jogos de tabuleiro e estivemos lá com os vários amigos fazendo a cobertura.

Parecia ser um ano promissor, entre janeiro e março as jogatinas com os amigos chegou a quase 100 partidas com um monte de novidades tanto nos lançamentos quanto nos protótipos, mas aí o mundo resolveu dar uma cambalhotada e a Covid chegou para transformar tudo e todos.

Saudade de aglomerar com os amigos, né minha filha?

À partir de março o mundo mudou completamente, eventos tradicionais como a GEN.con e a Spiel tiveram que repensar seus formatos e optaram por edições digitais, nós aqui do Brasil tivemos o suporte dos amigos da Business 2 Board que conseguiram levar as editoras e criadores para os dois eventos com algum destaque e visibilidade, o que foi proveitoso para todos e serviu de escola para o que pode vir a ser feito para 2021.

Infelizmente no Brasil o Diversão Offline acabou por ser cancelado e apesar de já ter datas marcadas para o evento presencial no próximo ano, ainda é uma grande incógnita se realmente acontecerá, pois ainda sabemos pouco sobre como o cenário brasileiro da pandemia estará se comportando em maio.

Participando dos painéis online dentro d GON.con

Quem conseguiu se virar bem durante esse período foram as plataformas de jogos digitais, destaco aqui duas que eu tenho usado com frequência, o Tabletopia e o Board Game Arena perceberam a demanda que estava acontecendo e investiram tanto em upgrade de servidores e na diversidade de catálogo, esse esforço foi reconhecido pelo público e pelos organizadores dos eventos, que utilizaram o Tabletopia como plataforma credenciada para os dois maiores eventos de jogos do mundo, os já citados GEN.com e Spiel.

Mas apesar de toda essa confusão ainda conseguimos jogar, e tivemos muitos jogos excelentes, tanto em novidades quanto em antigos jogos que eu ainda não tinha conseguido colocar na mesa.

Dos jogos de autores de fora do país os meus preferidos foram o Paris (da dupla Kramer/Kiesling), o Bonfire (do grande Stefan Feld) e o Rebellion (do Corey Konieczka), os dois primeiros sendo recentemente lançados no Brasil.

Também foi um ano muito bom para os autores nacionais, com campanhas de financiamento bem sucedidas, produções muito bem feitas e acima disso tudo, jogos excelentes para todos os gostos, desde os "filler" até os mais pesadinhos.

Meu TOP3 brazuca ficou com o Comic Hunters (do Robert Coelho), o Paper Dungeons (do querido Leandro Pires) e o Marvel Battlegrounds (da dupla Thiago Castro e Led Bacciotti), mas foram escolhas difíceis pois tivemos realmente um ano de lançamentos muito bons.

E bem, aos trancos e barrancos chegamos até aqui, 2020 mostrou ser um ano que mistura In the Year of the Dragon com Antiquity e a carta do mendigo do Agricola, tudo isso com uma ação por rodada, esperamos que ano que vem seja mais tranquilo, que a vacina chegue para imunizar à todos, e que em breve possamos estar novamente juntos e jogando.

Que em 2021 possamos estar juntos
nas mesas pelo
Brasil novamente...
Saúde e Vacina pra TODES!
 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

Claim 2

Um dos primeiros joguinhos da linha pocket da Paper Games, o Claim é um jogo de cartas para duas pessoas com disputas entre cinco facções pela coroa do Rei que acaba de morrer, bem agora chega ao mercado Claim 2.

A premissa continua a mesma, mas agora temos novas facções entrando nessa disputa, e o mais legal, você pode juntar as duas caixinhas e fazer um jogo para até 4 jogadores.

Na regra para o jogo de duas pessoas os jogadores tem duas fases, na primeira usam as cartas para conseguirem membros das facções para o seu lado, para isso o jogador da vez baixa uma carta, o outro precisa baixar uma da mesma facção para disputar, e quem tiver o maior valor, leva a carta da mesa enquanto o outro sorteia uma carta para as suas fileiras.

As facções desse segundo lançamento e a facção
extra dos Elfos Negros.

Na segunda parte do jogo, os jogadores vão disputar quem tem o controle das facções, e quem nessa segunda fase, conseguir o controle de três das cinco é o vencedor.

Mas o grande barato da série Claim é que as facções são totalmente assimétricas, cada uma tem um poderzinho especial que vai dar uma modificada no jogo enquanto ele se desenrola.

Você usa cartas para conseguir ter a maioria
de pelo menos 3 das 5 facções do jogo.

Já na partida até 4 jogadores, você vai fazer um mix das facções das duas caixinhas, mantendo duas que interagem entre si (Cavaleiros e Goblins na primeira caixinha e Gnomos e Gigantes na segunda) e colocando mais três variadas, mantendo 5 facções no total.

Mas durante a primeira fase do jogo ao invés de abrirmos uma carta para ser disputada, temos duas abertas que vão uma para o primeiro colocado da disputa e a segunda para o próximo, enquanto os outros levam cartas do topo do baralho.

Isso dá uma dose interessante de estratégia, com duas cartas abertas você escolhe melhor as disputas onde entrar com as suas melhores cartas para tentar depois levar as votações da segunda etapa.

Agora o jogo que antes era 2p pode chegar
até a 4 jogadores.

Outra coisa legal, é que a Paper Games trouxe duas facções bônus para o Brasil, os Elfos Negros e os Fantasmas, dando um mix ainda maior nas suas partidas.

A dupla Claim e Claim 2 são joguinhos muito bacanas, rapidinhos, com arte irada e preço super justo, são excelentes dicas de presentinho de natal pra turma que curte jogos bacanas.

Duas facções extras que você pode pegar
para aumentar ainda mais a jogabilidade.
 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Paris


Criado por duas das maiores mentes dos jogos de tabuleiro, os grandes Wolfgang Kramer e Michael Kiesling, em Paris somos investidores imobiliários no início do século XX pegando carona nas transformações que fizeram da "cidade luz" uma das mais belas do mundo.

Logo de cara já temos um tabuleiro central que faz jus ao tema, é LINDO, dividido em seis distritos e com uma miniaturinha em 3D do Arco do Triunfo, nesse tabuleiro temos também uma trilha de bônus e a trilha de pontuação.

Cada jogador vai receber um "screen" para guardarmos as nossas chaves e moedas, além disso preparamos pilhas de edifícios que irão para o tabuleiro central e são o coração do jogo.

Você usa suas chaves para conseguir dinheiro nos
Bancos para depois comprar os edifícios.

A partida de Paris se desenvolve durante muitas rodadas, o jogador da vez executa os seguintes passos : pega um dos edifícios e coloca no distrito correspondente, depois disso ele pode realizar uma ação que é colocar uma das suas chaves no Arco do Triunfo ou em um dos Bancos existentes nos distritos ou pegar uma dessas chaves previamente colocadas e comprar um dos edifícios.

O lance com os edifícios é que em cada distrito existem seis deles com preços que variam de 1 a 8, em cada um inicialmente existem tiles que o primeiro comprador dele leva, além de poderem te dar tiles bônus ou pontos.

Ao ir comprando os edifícios, você aumenta
sua influência e isso pode lhe render pontos.

Mas quanto maior a sua soma de valores em edifícios, maior o seu controle naquele distrito, e isso é o controle de área que a gente espera em qualquer jogo dessa dupla, pois uma vez que é colocada a quarta chave em algum dos distritos o jogador que colocou essa chave, pega uma das plaquinhas de pontuação para colocar em qualquer distrito do tabuleiro, e à partir daquele momento, o distrito passa a ter uma pontuação de final de jogo baseado nessa soma de prédios.

Além dos edifícios, ainda temos os monumentos que podem ser adicionados aos distritos, e tem cotações mais altas para o controle de área, além de darem pontos bastante bons durante a partida e os tiles bônus que ajudam (muito) durante o jogo, pois com uma ação por rodada, o jogo é muito de cobertor curto.

A trilha de bônus te garante tiles que ajudam
muito no decorrer da partida.

A partida se desenrola até que as pilhas de edifícios acaba, então os jogadores começam a pegar os tiles de bandeira que vão indicar o momento em que o jogo acaba, pois quando ela se acaba, cada jogador terá mais um turno e se dá o início da contagem de pontos.

Todos os distritos com placas de pontos são avaliados, os tiles de final do jogo garantem mais alguns pontinhos o jogador mais à frente na trilha de pontuação é o vencedor.

Paris é tudo que se espera da dupla Kramer/Kiesling, um jogo enxuto em regras e brilhante no seus desenvolvimento, é impressionante como esses dois fazem jogos tão bons e esse acabou sendo meu jogo preferido em 2020 e para os brasileiros, ele já está em pré-venda nas lojas sendo trazido pela Grok Editora, então garanta o seu que vale MUITO à pena.

Além de excelente, é um jogo com uma produção
absurdamente linda.
 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

The Few and Cursed


Baseado no quadrinho homônimo criado pelo brasileiro Felipe Cagno, em The Few and Cursed o planeta perdeu praticamente toda sua água, que passa a ter um valor incomensurável e com a humanidade perecendo, os poucos que restam vivem com tecnologia remanescente do velho oeste, além de terem que lidar com criaturas nada amigáveis.

Os jogadores aqui lutam por fama no meio desse caos, eles atravessam o deserto onde um dia foi o Oceano Pacífico atrás de recompensas pela captura de foras da lei procurados tentando evitar também que a cidade de San Andreas seja invadida por monstros.

Toda a mecânica do jogo baseia-se em deck-building, assim que começa a partida cada jogador vai escolher um dos quatro personagens disponíveis e utilizar seu deck inicial, o tabuleiro é montado mostrando as várias localizações onde você poderá ir.

A partir de San Andreas os jogadores rodam
o mapa atrás de fama.

Você terá também trabalhos, que são pequenos objetivos pessoais, que vai resolvendo durante a partida e lhe dará pontos de fama.

Uma rodada de Few and Cursed é formada por várias fases, a primeira é a Fase de Improviso, onde os jogadores compram cartas de um deck comum e colocam na sua mão já podendo utilizá-la na rodada que está sendo começada, diferente da maioria dos deck-buildings onde as cartas compradas vão para o descarte para serem utilizadas posteriormente.

Depois tem a Fase de Encontros, que dependendo do local onde seu personagem está, são abertas cartas que podem lhe trazer vantagens ou não, e aqui tem uma pegada do tipo dos livros-jogos muito legal contando historinhas e te levando a decidir caminhos diferentes.

O jogo é todo baseado nas cartas e no que fazer
com elas na sua rodada.

A terceira fase é onde praticamente o jogo acontece, na Fase de Ação, os jogadores vão usar as suas cartas para andar pelo mapa, enfrentar os inimigos, realizar um novo encontro, acampar, entre outras coisas, mas cada jogador tem direito a apenas uma ação, então precisa se programar bem.

Os personagens tem três atributos na sua ficha, que são a sua quantidade de vida, seu cartucho de balas e seu nível de maldição, as cartas farão quase sempre referência a esses atributos, além de aparecerem também ícones de dinheiro, fama e movimento.

Você pode para realizar as ações jogar quantas cartas quiser da sua mão, e usar os ícones todos que forem aparecendo para conseguir ter êxito na sua rodada.

A ideia das cartas de encontros é muito bacana.

Mas precisa ficar ligado em duas coisas, a primeira é o nível de maldição, que se chegar ao limite faz com que seu personagem fique amaldiçoado, mudando o poder especial dele e fazendo com que você comece a perder pontos de vida.

A outra é com a quantidade de cartas que você gasta versus a quantidade que tem para comprar, pois como o jogo tem muito essa pegada de exploração do mapa, é necessário que você se programe para ter sempre cartas para repor sua mão, se em algum momento você precisar repor e não tiver cartas, ganha uma passagem direta de volta a San Andreas.

Você pode usar isso a seu favor, até porque apenas em San Andreas você consegue comprar novos itens ou melhorias nos seus atributos, mas é muito frustrante você estar longe no mapa e por ter se programado mal precisar começar sua jornada toda novamente.

O tabuleiro é grandão e você pode explorar ele bem
atrás das recompensas.

Depois da Fase de Ação, os jogadores descartam quantas cartas quiserem da mão (ou guardam para a rodada seguinte) e repõe para 4, se algum dos quatro monstros do jogo estiverem no tabuleiro eles se movem em direção a San Andreas e uma nova rodada se inicia.

O jogo pode acabar de algumas formas : com a morte de três dos quatro monstros, se um deles chegar a San Andreas ou se as cartas de artefatos especiais forem todas compradas e quando um desses disparos de final de jogo for dado, contam-se pontos de cartas compradas e trabalhos com pontos de final de jogo e o jogador com mais fama é o vencedor.

The Few and Cursed traz vários elementos de jogos que eu gosto muito, como o Clank! e o Thunderstone, mas com uma personalidade bem única e um tema bastante bacana de "velho oeste apocalíptico" e com o único problema de ter um manual bastante confuso, ele deixou uma impressão bastante positiva em mim e vontade de jogar mais vezes.

Servindo como "trigger" de fim de jogo,
os monstros também dão muita fama.