sexta-feira, 24 de abril de 2020

Primeiras Impressões : Valknut


Valknut é o próximo lançamento do designer brasileiro Luis Brueh, autor de jogos bacanas como a série Dwar7s (Inverno e Outono) e o Covil, nesse jogo para dois jogadores, temos facções assimétricas que lutam em um campo de batalha para eliminar os adversários.

No modelo básico de jogo, serão duas facções em luta, inicialmente cada jogador escolhe uma facção, pega suas peças e sua carta de emboscada e coloca na sua frente, usando cartas para formar um tabuleiro modular, uma delas é sorteada e colocada no meio da mesa para ser o primeiro espaço e outras três ficam abertas ao lado do baralho de compras.

Na sua vez o jogador compra uma das cartas expostas e coloca adjacente a alguma já previamente posta na mesa. Essa carta além dos espaços vem também com uma numeração, que será a quantidade de ações de movimento que o jogador da vez terá naquela rodada.

 São várias facções assimétricas, que dão a graça
a um jogo bem estratégico.

Além dessa informação a carta também pode vir com o símbolo do valknut, se por acaso o jogador da vez tiver perdido alguma das suas unidades em algum momento do jogo, pode voltar para o tabuleiro através dessa runa.

O lance do jogo é eliminar o adversário, e você consegue abater uma unidade inimiga flanqueando ela com peças suas, ou com uma peça sua e um espaço intransponível do tabuleiro (montanha, floresta ou rio), quem conseguir eliminar todas as peças do adversário primeiro vence, ou se acabaram as cartas para serem compradas, quem tiver o maior somatório das peças fora do tile inicial é o vencedor.

 Conforme o jogo vai passando, o tabuleiro vai se formando
e você precisa flanquear os inimigos para derrotá-los.

O básico do jogo é isso, mas o legal dele vem da assimetria das facções, são a principio 9 tipos diferentes que podem ser utilizados, então você tem criaturas que podem atravessar os espaços intransponíveis, facção que consegue "flanquear" a distância, facção com uma peça só mas que esmaga o adversário, enfim, o grande barato aqui é esse, ver como uma tipo consegue vantagem em cima do outro durante a partida.

As partidas de Valknut duram no máximo uns 15 minutos, o jogo é super estratégico, você precisa estar sempre ligado onde colocar a sua carta de terreno pra ter o melhor aproveitamento das ações de movimento, sem deixar suas peças expostas para um contra-ataque.

Mais uma vez o Luis Brueh traz um jogo inteligente, fácil de aprender e jogar, com a arte (do próprio Luis) que pra mim é sempre um atrativo à mais nos seus jogos, e com a campanha já financiada lá fora pelo Kickstarter, é esperar para ver qual editora vai trazê-lo para o Brasil, pois chegando por aqui é certo que vale tê-lo na coleção.

As cartas tem os espaços claros por onde andar,
os espaços intransponíveis e a quantidade de ações possíveis.

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quarta-feira, 22 de abril de 2020

ERA : Idade Medieval


Em ERA : Idade Medieval, os jogadores são Lordes que estão construindo e fortificando seus territórios, para isso utilizam da mão de obra do povo, pedem ajuda aos clérigos e procuram aproximação junto aos burgueses e nobres para assim prosperarem, mas os desastres estarão sempre a espreita.

Inicialmente separam-se todos os componentes do jogo em pilhas do mesmo tipo, cada jogador então recebe o seu terreno, seus marcadores de recurso, e alguns prédios iniciais junto com seus primeiros quatro dados (três camponeses e um nobre).

As rodadas em ERA são simultâneas, e a ordem do turno só vai servir para a hora de escolha dos prédios ou para algum efeito. Em cada rodada temos seis fases distintas onde rolamos os dados, colhemos os recursos, alimentamos o povo, resolvemos algum desastre, construímos prédios e finalmente extorquimos os adversários mais fracos.

Cada dadinho representa um cidadão que
trabalha para você e também precisa ser alimentado.

O coração do jogo é a sua fase de rolagem, existem quatro tipos diferentes de dados, os mais comuns são os dados dos camponeses que vão ajudar com os recursos básicos, os dados dos clérigos ajudam com rerrolagens, os nobres servem como força e os burgueses vem com suas mercadorias.

O esquema de rolagem é bem similar à jogos como Yathzee e King of Tokyo, você rola todos seus dados, separa e rola novamente por mais duas vezes.

Aqui temos os dados com o símbolo de destruição (uma caveira), esses sempre que aparecem fazem com que aquele dado fique travado e não possa ser rolado novamente.

 Você vai construir prédios que vão te ajudar durante o jogo.
E a Acessórios BG fez um playermat bem legal pra ajudar.

Uma vez que todos estejam satisfeitos ou que tenham terminado a quantidade de rolagens o jogo passa para a fase seguinte onde marcamos os recursos conseguidos, no jogo temo quatro recursos para gastar que são comida, mercadoria, pedra e madeira.

Depois passamos para a fase de alimentação do nosso povo, onde para cada dado que temos no nosso pool, precisaremos gastar um ponto de comida, ou começamos a perder pontos na trilha de desastre, e isso não é nada bom no final do jogo.

A fase mais tensa vem à seguir, onde vamos contabilizar as desgraças que apareceram na nossa rolagem e apesar do nome, pode ser que as desgraças na sua rolagem sejam ruins só para os outros, e para isso temos uma tabela onde conferimos o número de caveiras e o que vai acontecer, aí então vem a fase divertida, a de construção.

 Conforme você vai construindo seus domínios os
prédios vão te dando benefícios especiais.

Em ERA a produção dos componentes é algo caprichadíssimo, temos vários tipos de prédios diferentes e todos eles tem esculturas diferentes e muito bonitas que ao serem colocadas no seu território deixam o jogo lindo.

Apesar da beleza estética, eles servem para trazer algum benefício diferente para o seu território, alguns ajudam com novos cidadãos (dados), outros para minimizar algum desastre, outros para fortificar, enfim, são muitos prédios que vão auxiliar você durante o jogo.

Finalmente verificamos os jogadores que tenham a maior quantidade de espadas nos seus dados de nobres, e os mais fortes podem extorquir recursos dos mais fracos terminando assim a rodada do jogo.

 No final, ter um domínio completamente cercado
vai te render alguns pontos.

O jogo segue durante várias rodadas até que uma quantidade (definida pelo número de jogadores) de prédios acabe, dando assim fim à partida, aí então é feita a pontuação por cada prédio construído, pontos de cultura, por área cercada são perdidos pontos da trilha de desastre e o jogador com a maior pontuação é o vencedor.

ERA : Idade Medieval, é um jogo que está ali entre leve e médio, bem divertido, gostoso de jogar com componentes absurdamente lindos, e que agrada bastante, mas a sua maior virtude é também o seu maior problema, pelo excesso de cuidado com os componentes, o jogo acaba sendo muito mais caro do que deveria para um jogo leve/médio.

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segunda-feira, 20 de abril de 2020

TOP3 : Jogos de Pegar e Entregar


Eu tenho uma série de mecânicas preferidas, uma das primeiras que eu conheci lá atrás, com um jogo chamado Hansa, foi a de pegar e entregar coisas (ou "pick up and delivery" para quem prefere).

Nesse tipo de mecânica o lance é levar coisas de um ponto A para um ponto B e assim ganhar pontos ou grana ou reputação, dependendo do que o jogo oferece.

Engraçado que ao preparar o TOP3 descobri que na verdade em cada posição existem 2 jogos extremamente similares e que eu não poderia escolher um entre eles, então como de costume por aqui, vai um TOP3 roubado, mas acho que vocês vão curtir as indicações.

A dupla Brass (Birmingham e Lancashire) não são considerados jogos de pegar e entregar pelo BGG, mas eles tem muito disso no jogo, aqui você precisa criar rotas para entregar ferro, carvão, cerveja pela Inglaterra.

O jogo tem uma pegada econômica muito mais forte, e talvez por isso a parte de pegar e entregar coisas fique relegada a um segundo plano. mas se você já jogou, sabe o quanto é importante esse elemento dentro do jogo e das estratégias de vitória.

XIA : Legends of a Drift System e Merchant of Venus são dois jogos espaciais de pegar e entregar que levam esse conceito à outro nível, aqui além de simplesmente levar coisas do ponto A para o ponto B ainda estamos descobrindo novos planetas, temos que lutar contra piratas espaciais, fazemos upgrades importantes em nossas naves e o feeling em amos é muito imersivo.

Embora tenham sido lançados com quase 30 anos de diferença de um para o outro, são jogos muito similares e que me são muito queridos por trazerem a experiência de um jogo do MSX que eu gosto tanto, o Elite.

 Visitar os planetas em Merchant of Venus, descobrindo
suas raças e o que eles querem é muito legal.

Agora, pra mim nada representa mais o conceito de pegar e entregar do que a dupla Age of Steam e Steam, ambos do mesmo autor da dupla Brass, o grande Martin Wallace, esses dois jogos trazem com brilhantismo todo o processo de construir as vias, prestar atenção na hora de levar os cubos certos, saber o momento de colocar novos cubos nas cidades.

A dupla Steam tem muito o lado econômico pesado também (principalmente no Age), mas ao contrário do Brass, aqui ele serve diretamente ao propósito de melhorar seus trens para as entregas.

Uma pena que aqui no Brasil, tirando o Brass, ainda não tenhamos nenhum dos outros indicados, mas temos no mercado alguns jogos que ficaram de fora por pouco, como o Merchants & Marauders e o Whistle Stop que são jogos bem legais com essa mecânica e que merecem atenção também.

A dupla Steam é daqueles jogos que tudo funciona
e que fazem você ver o quão brilhante são os jogos modernos.

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

Ludoteca Básica : El Grande


Quem me conhece um pouco, sabe que o El Grande é o meu TOP 1 de todos os tempos, e não é de hoje, ele foi um dos primeiros jogos que eu conheci dentre os modernos e foi o primeiro jogo importado que eu comprei na vida (lá em 2005), mas curiosamente só tinha escrito sobre ele para a extinta revista Stratego, então resolvi corrigir isso.

Criado em 1995 pela dupla Wolfgang Kramer e Richard Ulrich, ele é considerado por muitos como o avô dos jogos de controle de área e também o primeiro jogo a ter a trilha de pontuação anexada ao tabuleiro, tantas foram as "revoluções" trazidas por ele, que lhe renderam o Meeple's Choice Award de 1995 e o Spiel des Jahres de 1996.

No jogo, situado na Espanha medieval, somos os "Grandes", ou seja, nobres que tentam ganhar influência nas regiões espanholas e dentro do castelo para assim chamar atenção do rei.

As cartas de ação, são a alma do jogo.

Como boa parte dos euros clássicos, El Grande tem regras muito simples, cada jogador recebe um baralho com 13 cartas de poder, além disso tem os nossos cavaleiros, alguns já com lugar na corte, e outros que precisam vir das províncias para a corte.

Além disso o tabuleiro principal tem as regiões, o castelo e cartas de ação, formadas por cinco pilhas e que são a alma do jogo.

Na sua vez o jogador inicial escolhe uma das suas cartas de poder que tem dois valores, o primeiro (de 1 a 13) vai definir a sua ordem de escolha das cartas de ação na rodada, e além disso um número de cavaleiros que você vai passar da província para a corte.

 Uma vez no tabuleiro, é uma disputa
acirrada pelas regiões.

Os jogadores então definida a ordem do turno, começam a escolher as cartas de ação. São cinco pilhas, o número delas (1 a 5) primeiramente define a quantidade de cavaleiros que vão da corte para o tabuleiro, além disso cada carta tem uma ação diferente, que vai influenciar diretamente ao turno.

Essas ações variam entre movimentação de peças no tabuleiro, movimentação do Rei, pontuar regiões entre outras, e a colocação dos cavaleiros depende muito da localização do Rei, pois as peças só podem ser colocadas nas regiões adjacentes à ele, nunca onde ele está.

O jogo vai prosseguindo dessa forma durante três turnos, ao final do terceiro, sexto e nono turnos há uma pontuação geral do tabuleiro, onde avalia-se cada região para ver quem está com a maioria para ganhar os pontos ali marcados.

 As cartas de poder servem para ordem do
turno e trazer cavaleiros para corte.

O que faz do El Grande um jogo brilhante é justamente você conseguir se posicionar no tabuleiro, saber o momento em que é preciso ficar mais pra trás na escolha das ações, ou quando gastar a carta mais alta para ser o primeiro, saber deslocar os cavaleiros inimigos para lhe tirar pontos, enfim, muita estratégia, muita observação e muita pernada.

Ao final da terceira fase de pontuação o jogo termina e quem tiver mais pontos é o vencedor.

El Grande faz 25 anos agora em 2020, e ainda hoje é um jogo que não envelhece, e as edições especiais (a Decenial de 2005 e a Big Box de 2015) trazem expansões que mudam aspectos do jogo e deixam ele com experiências novas sempre dando uma revigorada caso você já esteja "cansado" do modo básico.

 Meu primeiro jogo importado, El Grande é ainda
hoje o meu TOP 1.

Infelizmente é um jogo que ainda não deu as caras no Brasil, mas a Big Box foi lançada na Europa pela Devir, então quem sabe a gente possa vê-lo em algum momento sendo lançado no nosso mercado?

Na minha opinião, dos grandes jogos clássicos é o único que ainda não chegou, mas se você tiver como jogar ou até mesmo como conseguir comprá-lo, ele é Ludoteca Básica com certeza!!

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